Foi para isto?

Quando o país discutiu o aborto (mentira: ninguém discutiu nada no meio da gritaria), havia quem dissesse que o aborto clandestino devia ser enfrentado com mais informação e responsabilidade pessoal.

22.04.2012 01:00

Os adeptos da liberalização recusaram o argumento: ou a prática era livre ou não era. Mais: livre e paga pelos contribuintes, como se a gravidez fosse uma doença. Os resultados estão à vista: desde 2007, realizaram-se em Portugal 80 mil ‘interrupções’. Dessas 80 mil, 13 500 foram repetições. Só em 2010, segundo os dados oficiais estudados pela Federação Portuguesa pela Vida, houve 4651 repetições – e 978 pela segunda, ou terceira, vez.

Moral da história? O aborto clandestino recuou (excelente notícia); mas os hospitais passaram a ser usados para abortar gratuitamente e em série. A irracionalidade económica do arranjo fura os olhos de qualquer um. Mas, deixando de lado a contabilidade, fica o bom senso: foi para isto que se ganhou um referendo.

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