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Pode ser por ter vivido toda a vida no bairro de Alvalade ou por ter caído num caldeirão de snobismo em criança – há quem acumule... –, mas a cada sexto mês vejo o estatuto de lisboeta posto em causa pela incapacidade de apreciar as Marchas Populares. (...)
Dia a Dia À borda do naufrágio Chegámos ao momento em que a orquestra do 'Titanic' faz uma pausa no seu derradeiro concerto, no convés cada vez mais inclinado, para que os músicos possam troçar dos marinheiros que não arranjam botes para todas as crianças, mulheres e homens (alguns deles vestidos de mulher, a ver se passam...) tomados pelo pânico. (...)
Maravilhas Fatais Comeback, Sara Norte! A libertação de Sara Norte, após 16 meses numa prisão espanhola por tráfico de droga, culminando o percurso entre a televisão e o duplo emprego num banco e num bar de alterne, tinha os ingredientes para se transformar naquilo que foi: um deleite para os telespectadores, cientes de tudo que lhe acontecera, incluindo a morte da mãe e a reconciliação com o pai.(...)
Há algo mais cobarde do que agredir quem está impedido de responder à agressão? O ex-dirigente sindical Manuel Cruz confirmou na terça-feira que é possível baixar a fasquia: esmurrar quem não pode responder à agressão, ser gravado por câmaras a fazê-lo, e clamar inocência enquanto é levado para a esquadra.
No monumento literário que é o poema ‘Tabacaria’, Álvaro de Campos escreveu que, mesmo depois de deixar de existir o autor, a loja que ele observa da janela, a língua em que escreve os versos e o planeta onde tudo sucedeu, "em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas".
Passos Coelho a dar festas a uma pastora alemã no bunker, Paulo Portas a fazer inflamados discursos radiofónicos a exortar os compatriotas a esmagarem os inimigos de Portugal, e Vítor Gaspar a gerir uma rede de locais de detenção.
Maravilhas Fatais Decotes da Gulbenkian Os automobilistas presos no trânsito congestionado de Lisboa já devem ter reparado nos cartazes, postos em locais estratégicos, com retratos de mulheres bonitas, cujos rostos ostentam quase sempre um sorriso de Mona Lisa.(...)
Dia a Dia As t-shirts da ira Um adolescente explica num programa de televisão como lançou um negócio de roupa desportiva, e uma professora universitária pergunta-lhe quanto recebem os trabalhadores das fábricas de onde vem o vestuário, oferecendo-lhe a deixa para postular que o salário mínimo é melhor do que o desemprego. (...)
Portugal podia ser só três sílabas, e de plástico, tal qual Alexandre O’Neill o descreveu, mas tornou--se uma terra de intervenções divinas e maldições vindas da campa, como se um Tolkien de trazer por casa tivesse trocado elfos e magos por treinadores defuntos e chefes de Estado à beira de um ataque de misticismo.