Banca: Estado injectou 3,5 mil milhões de euros que pode não recuperar
Contribuintes vão pagar BPN
O anúncio da reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN) está a gerar quase tanta polémica como a decisão de nacionalizar o banco há cerca de um ano. De um lado da barricada estão os clientes que admitem travar a reprivatização do BPN para assegurar a defesa dos seus interesses. Do outro, o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, cujo presidente Delmiro Carreira apoia a reprivatização. Para Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, será o contribuinte a pagar este processo.
Por:Pedro H. Gonçalves
Pelo meio, há os partidos políticos, como o PCP e BE, que exigem explicações de Teixeira dos Santos sobre o negócio. O Estado já injectou liquidez num total de 3,5 mil milhões de euros na instituição financeira e, para Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, dificilmente será capaz de devolver esse dinheiro ao Estado.
“Os futuros accionistas vão pagar para terem um banco. Os contribuintes vão também pagar mas vão ficar sem nada”, sintetiza Bagão Félix. O Governo já admitiu que a prioridade não é a recuperação do dinheiro da Caixa Geral de Depósitos mas sim devolver a instituição “em condições de estabilidade e solidez financeira a alguém capaz de a gerir bem”.
A associação dos clientes do BPN já veio a público admitir que avançará com uma providência cautelar “caso a situação dos clientes não esteja salvaguardada”. Mais discretos estão os possíveis interessados na compra. Montepio Geral, o angolano BIC, BBVA e Barclays aguardam por mais detalhes por parte do Governo.
PORMENORES
REPRIVATIZAÇÃO
A reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN) passa pela abertura de um concurso público para a venda de 95% do capital a uma instituição financeira e 5% a trabalhadores.
AMBIENTE
O sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas garante que existem informações de um "ambiente péssimo" entre trabalhadores e clientes nos balcões do BPN.
INJECÇÃO
A Caixa Geral de Depósitos já injectou cerca de 3,5 mil milhões de euros no BPN para garantir a liquidez do banco.
PROTESTOS
Três dezenas de clientes do BPN ocuparam esta semana a dependência do BPN em Seia numa tentativa de levantar as suas poupanças e aplicações financeiras mas sem sucesso. Os clientes dizem-se vítimas de uma burla.
ACUSAÇÃO QUASE PRONTA
A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) garantiu que a "acusação" relativamente ao fundador do BPN Oliveira e Costa "vai sair" antes de expirar, este fim-de-semana, o prazo-limite para continuar em prisão domiciliária.
"O processo, em que está o arguido detido em prisão domiciliária, vai sair na data", disse Cândida Almeida aos jornalistas, acrescentando que o inquérito estará concluído até hoje ou domingo, altura em que expira o prazo para Oliveira e Costa permanecer em prisão domiciliária se o Ministério Público (MP), entretanto, não deduzir a acusação. Cândida Almeida referiu que "a acusação está completa" e que o "despacho final está a ser feito" antes daquela data, mas não quis avançar qual a medida de coacção que irá ser proposta.
Os contribuintes pagam tudo. Até pagaram a "publicidade enganosa" do Figo ( que também fez ao BPN)