Crise na Grécia
Alemanha avisa Atenas que sem reformas não há dinheiro
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão avisou hoje os gregos que, sem reformas estruturais, que a Grécia aceitou realizar, não haverá mais pagamentos do empréstimo de resgate.
"Queremos ajudar a Grécia e vamos ajudar a Grécia. Mas a Grécia tem que querer ser ajudada. Se eles se desviam do caminho de reformas acordadas, então pagamento de prestações futuras da ajuda financeira não será possível", referiu Guido Westerwelle em discurso perante os deputados alemães.
"Nós vamos cumprir as nossas promessas de ajuda. Mas isso significa que as reformas acordadas com a Grécia têm de ir em frente. Queremos manter a zona euro junta. O futuro da Grécia na zona euro está agora nas mãos da Grécia", frisou o ministro.
Os políticos gregos estão a tentar levar a bom porto um árduo processo de formação de governo, depois das eleições de domingo não terem dado a nenhum partido uma vitória conclusiva.
A maioria dos eleitores votou contra os partidos que defendem as medidas de austeridade do memorando de entendimento que Atenas assinou com a 'troika' da União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu.
O impasse grego tem vindo a provocar na Europa receios de um eventual caos político, que acabe com as reformas estruturais no país e por forçar a Grécia a sair da zona euro.
Berlim tem pressionado Atenas para que aplique as medidas de austeridade, ou então enfrente as consequências, uma ideia que Westerwelle hoje voltou a sublinhar.
"A solidariedade não é um caminho de sentido obrigatório", sublinhou.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou em entrevista ao jornal Rheinische Post, hoje publicada, que a zona euro "está mais resistente" e tem condições para suportar uma saída da Grécia da moeda única.
Schaeuble exortou a Grécia a cumprir os compromissos assumidos com a comunidade internacional, afirmando que os países da Europa e os credores privados de Atenas "já foram bastante generosos".
O ministro alemão disse ainda que se fez "tudo o que foi possível" para salvar a Grécia da bancarrota, mas que "o país tem de compreender que é necessário respeitar os seus compromissos".