
Direito ao Assunto
Vale a pena?
Nas últimas semanas, tivemos dois sinais implacáveis sobre o destino do País. Em Ponte de Sor, os empregados de uma fábrica de componentes de automóvel preferiram o desemprego a aceitar a redução de regalias que poderia viabilizar a empresa. No PSD, vimos sucessivas notabilidades declararem não ser candidatos à chefia do partido e até acharem muito mal que alguém fosse.Estes dois factos não deixam dúvidas: para os trabalhadores, nem sempre vale a pena trabalhar; para os políticos dos grandes partidos, quase nunca vale a pena, quando fora do poder, arriscar os seus confortos e interesses em luta política aberta.
É melhor o subsídio do que um salário; e é melhor jogar nos bastidores da política, à espera da rotação no poder e tentando impedir que outros se consolidem na liderança do partido, do que dar a cara e mostrar convicções à frente da Oposição.
Portugal tornou-se um país em que o rendimento está dissociado do trabalho, e em que a influência política está dissociada da responsabilidade da liderança. O problema é este: conseguem imaginar o país diferente enquanto o trabalho não for a melhor maneira de ganhar a vida, ou enquanto a disputa franca, com propostas alternativas, não for o caminho para o poder? Sem isso, o que não vale mesmo a pena é esperar que alguma coisa mude.
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Excelente artigo.
A propósito de trabalho e salário, Rui Ramos não fala sôbre os ordenadões dos galifões.
experimente viver com o salário deles e talvez perceba porque não vale a pena trabalhar..
Com o subsídio de desemprego para todos igual à pensão mínima a estória seria outra. Cerveira
Em Ponte de Sôr exceptuando os empregados mais novos, os outros preferem de longe os 2.3 salários por ano de serviço.