Fernando Lopes escolheu actores com quem já tinha trabalhado por acreditar no “trabalho de continuidade”Cinema: Novo filme de Fernando Lopes estreia dia 12
Amor e traição via telemóvel
Hoje, o amor é virtual. O conjugal e o outro – o amor adúltero. Nos dias que correm, ambos se concretizam via telemóvel. É pelo menos esta a opinião de Fernando Lopes e a tese sobre a qual versa o seu novo filme, ‘Os Sorrisos do Destino.’ Apresentado ontem no Estoril Film Festival pelo cineasta e elenco, o filme é uma comédia mordaz com muitos boleros a embalar a acção.“É quase um musical”, diz ao CM o realizador, que classifica o filme de comédia musical. “As letras das canções formam uma espécie de segundo argumento. Ouvem-se boleros constantemente, a pontuar a acção, a ilustrar os pensamentos das personagens.”
A ideia original da trama foi do próprio Fernando Lopes, que confessa que a obra tem algo de autobiográfico: “No fundo, todos os filmes que fazemos têm algo de autobiográfico – não escondo isso. E hoje amamos e traímos por telemóvel. Mas há outra coisa, que para além da minha experiência pessoal me fascinou e sobre a qual me apeteceu falar: se se olhar bem, na rua, nos transportes públicos, estamos sempre a ouvir pessoas a falar ao telemóvel. Por vezes ouvimos conversas privadíssimas. Apeteceu-me fazer disso uma comédia.”
O filme tem argumento do realizador, que o escreveu com a ajuda de Paulo Filipe Monteiro, um homem do teatro. “Há um lado muito teatral neste filme e o Paulo Filipe tem muita experiência nesse departamento. O resultado é teatral, mas não no sentido do Manoel de Oliveira... Diria que é uma comédia ao jeito de Lubitsch ou Billy Wilder”, adianta.
No centro da intriga de ‘Os Sorrisos do Destino’ está um triângulo amoroso formado por Ana Padrão, Rui Morrison e Milton Lopes, todos eles já com trabalho feito com o realizador, que admite gostar de manter equipas. “Acredito no trabalho de continuidade com o mesmo grupo”, justifica ao CM.
‘Os Sorrisos do Destino’ chega às salas de cinema na quinta-feira.
JANELA PARA A VIDA DE LOPES Sarcástico e dono de uma leveza capaz de entreter – mesmo quando convida, em permanência, à reflexão –, ‘Os Sorrisos do Destino’ ganha ainda (mais) vida embalado pelos boleros constantes.
Sarcástico e dono de uma leveza capaz de entreter – mesmo quando convida, em permanência, à reflexão –, ‘Os Sorrisos do Destino’ ganha ainda (mais) vida embalado pelos boleros constantes.
As letras das canções ‘kitsch’ dos Los Panchos valorizam os próprios textos dos personagens, como que completando-os. E depois há o elenco: ao trio principal – Rui Morrison, Ana Padrão e Milton Lopes – juntam-se Alexandra Lencastre e Rogério Samora e o artista plástico Julião Sarmento. No final, fica a sensação de se conhecer melhor Fernando Lopes. E a convicção: Ana Padrão está mesmo parecida com Maria João Seixas [ex-mulher do realizador], não?!
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