Religião
Padres fora da política
D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, defende que os padres devem dedicar-se por inteiro às coisas de Deus e afastar-se da política.
Por:Secundino Cunha/ Isabel Jordão
Foi um recado claro e sem meias palavras. Na reunião do Conselho Presbiteral de Braga, o arcebispo primaz, D. Jorge Ortiga, disse que o padre 'deve dedicar-se às coisas de Deus e afastar-se da militância política'.
'Para ser padre não é necessário mergulhar no mundo da política', disse o prelado, em jeito de recado para muitos sacerdotes da arquidiocese de Braga e do País que militam em partidos políticos e que, muitas vezes, até são candidatos.
Tratando-se de uma diocese onde, nos últimos anos, houve vários padres candidatos a órgãos autárquicos, as palavras de D. Jorge Ortiga foram entendidas como uma recomendação ao clero, para que evite aventuras político-partidárias.
'As indicações que temos é para evitarmos, de todo, o caminho da política. Pedem-nos mesmo que nem sequer sejamos militantes de qualquer partido', disse ao CM um padre de Braga, manifestando 'total concordância' com os alertas do arcebispo. O arcebispo de Braga, que é também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, entende que os padres 'devem dedicar-se por inteiro à sua missão evangelizadora, colocando no patamar imediato das preocupações a questão social e caritativa'.
'A vida paroquial, nomeadamente a ministração dos sacramentos, assim como o trabalho constante no sentido de impedir situações de injustiça e pobreza extrema na comunidade, devem ser as grandes preocupações do sacerdote. Para isso não é necessário mergulharem no mundo da política', explicou ao CM D. Jorge Ortiga.
Entretanto, ontem em Fátima, o cardeal D. Saraiva Martins considerou que o mais recente livro assinado pelo Papa demonstra a 'necessidade da ética para a vida económica' e pede que se 'reconsiderem as bases do nosso sistema': ‘A primazia do homem domina toda a Carta Encíclica’.
DISCURSO DIRECTO
'PAPA VAI INVESTIR EM VALORES ESQUECIDOS', Saraiva Martins, Cardeal
Correio da Manhã – Que mensagem salienta da nova Carta Encíclica de Bento XVI?
Saraiva Martins – É uma mensagem extremamente importante para a Igreja, que não pode prescindir do campo político, social e económico. A Igreja tem de falar com coragem e entusiasmo sobre os valores do Evangelho, porque mesmo a crise económica é, no fundo, uma crise de valores.
– Bento XVI prepara-se para visitar Portugal. Que marca vai deixar, sobretudo, em Fátima?
– Estou certo de que vai insistir em certos valores que a sociedade portuguesa esqueceu um bocadinho, à luz da mensagem de Fátima, que é a meta principal da viagem.
– A que valores se está a referir?
– São valores como a oração, a partilha, a igualdade, a solidariedade, que é a expressão social do conceito de caridade evangélica. Se a sociedade não defender os valores humanos, não pode ser feliz nem plenamente realizada.
– Como está a acompanhar o debate sobre o casamento entre homossexuais?
– O matrimónio é uma realidade única e nenhuma outra realidade se pode identificar ou confundir com o matrimónio. Será outra coisa, outra realidade. É evidente que todos os homens têm direitos e os governos têm de reconhecer os direitos. Mas não se pode confundir uma realidade com a outra, porque são diferentes.
– Duas pessoas do mesmo sexo que vivem juntas podem considerar-se a base de uma família e assim adoptar uma criança?
– As crianças precisam de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães.
– A eutanásia é outro dos temas em foco na actualidade...
– É sempre um homicídio, queiramos ou não, pois no fundo é o género humano que é destruído.
– Mesmo quando a questão é 'acompanhar o morrer'?
– Aí é outro problema. Mas é como o aborto, uma semente que se destrói e não se tornará árvore.
Devem tb cumprir os mandamentos de DEUS,o k ñ fazem.Misturar as duas coisas é a guerra santa!Dividam a riqueza!