Nobel da Economia veio a Lisboa receber doutoramento ´honoris causa'
Krugman diz que regresso de Portugal aos mercados é improvável
O economista norte-americano Paul Krugman considerou esta segunda-feira ser muito improvável que Portugal regresse aos mercados na segunda metade de 2013 como está previsto no Programa de Assistência Económica e Financeira.
Por:Lusa
"Acho que é muito difícil de acreditar, talvez algum financiamento de curto prazo", respondeu o Nobel da Economia em Lisboa, no final da cerimónia de doutoramento 'honoris causa' por três universidades.
O economista considerou que era necessário um grande acontecimento para tal, mas, ao contrário, em perspectiva, vê apenas a recessão na Europa e um incumprimento grego, referindo que nenhum deles será bom para Portugal. "Considero muito implausível", reforçou.
Paul Krugman criticou a visão maioritariamente alemã de que os países têm de pagar pelos seus pecados e ainda os economistas, dizendo que a sua profissão foi pior que inútil num momento de necessidade.
No discurso que se seguiu à cerimónia onde foi doutorado 'honoris causa' em Lisboa pela Universidade de Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa, o norte-americano deixou várias críticas à profissão de economista, com referências às escolas de economia 'rivais' nos EUA, entre os opositores de austeridade das costas e defensores de acção (Princeton e Yale, por exemplo) e a escola que defende uma correcção pelo próprio mercado, a Escola de Chicago.
"Culpo os economistas, porque apesar disto tudo os políticos acreditam no que quiserem acreditar. Quando os economistas dizem algo diferente do que as pessoas que sabem o que aconteceu em 1930 dizem, porque havíamos de esperar mais dos políticos? Num momento de necessidade, a profissão de economista foi inútil, ou pior que inútil", afirmou.
No que diz respeito à Europa, Paul Krugman criticou o que diz ser a visão europeia, mas em especial alemã, da economia como moralidade.
"O que vimos na Europa foi, particularmente em 2010 o ano que eu considero ter sido onde tudo correu mal, foi uma conquista no debate público de visões da economia como moralidade. Podemos falar com responsáveis na Alemanha, particularmente na Alemanha mas não só, que consideram que os países têm pecados e que vão ter de pagar por esses pecados", disse.
Se é assim, os economistas que conduziram esta política desastrosa e que têm levado cidadãos à fome e à miséria são irresponsáveis e um bando de criminosos. Devem ser julgados pelo TPI e condenados à forca