Manuel Alegre sublinha que há um sentimento de impunidadeCorrupção: Histórico socialista Manuel Alegre quebra o silêncio
“Ultrapassa todos os limites”
O ex-deputado do PS Manuel Alegre considerou ontem ao CM que é preciso o "empenhamento de todos os poderes" do Estado no combate efectivo à corrupção.Em seu entender, está a "ultrapassar-se todos os limites" e por isso ninguém pode ficar indiferente a este fenómeno. O histórico dirigente socialista acredita que está instalado na sociedade um sentimento de "impunidade", com "dois pesos e duas medidas" e vai mais longe ao apontar o ambiente que se vive ao recordar a obra ‘Os Miseráveis’, de Victor Hugo.
O fiscalista Medina Carreira, recorde-se, afirmou que nenhum "notável foi para a cadeia" e apontou a corrupção, demoras na Justiça e a burocracia a mais como alguns dos problemas do País.
Em véspera da discussão do programa de Governo, Carlos Pimenta, do Observatório da Economia e Gestão de Fraude, pediu planos de prevenção.
"Normalmente a legislação portuguesa e em geral no que se refere à fraude é extremamente complicada, cheia de alçapões", afirmou Carlos Pimenta, citado pela TSF. "Creio que é preciso mudar a rapidez das investigações, mostrar inequivocamente de que não há pessoas isentas de serem condenadas", concluiu o responsável.
Sobre o pacote anticorrupção do ex-deputado socialista João Cravinho, Pimenta considerou que foi uma oportunidade perdida e que o resultado final "foi um pouco para lançar poeira para os olhos".
O CM contactou João Cravinho que, para já, se remete ao silêncio.
TEMA NA AGENDA À ESQUERDA
O programa de Governo vai hoje a debate e, se há temas como o desemprego e a avaliação dos professores a centralizarem a discussão, a Justiça, nomeadamente o combate à corrupção, deve estar em cima da mesa. A discussão só culmina amanhã, mas deputados como João Semedo, do BE, registam que o PS só dedicou "sete parágrafos" à corrupção. A aguardar a agendamento está já o projecto-lei do PCP que recupera a criminalização do enriquecimento ilícito. Ricardo Rodrigues (PS) lembra que tal proposta foi rejeitada porque contrariava, por exemplo, a Constituição ao inverter o ónus da prova. Mas sublinha: "Estamos sempre receptivos a analisar as propostas de outros partidos." O Governo propõe no programa a criação de códigos de conduta na administração central, local e regional.
PORMENORES
FERREIRA LEITE
A educação, a justiça, segurança e emprego serão alguns dos temas escolhidos pelo PSD no debate sobre o programa de Governo, com a líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, a colocar a primeira pergunta ao primeiro-ministro. PSD não faz voto de rejeição.
CDS-PP
Para o CDS-PP as prioridades no País" são os "impostos excessivos", desemprego, segurança das pessoas, pensões e agricultura.
BLOCO DE ESQUERDA
Fernando Rosas considerou ontem que o programa de Governo não resolve a crise do País, mas BE não faz voto de rejeição.
BERNARDINO SOARES
O líder da bancada do PCP, Bernardino Soares, promete levar ao debate "os problemas reais", como o emprego ou avaliação dos professores
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A problemática da CORRUPÇÃO não é ideológica, é sim a prova duma nação impotente, passiva e incapaz para a debelar.