Literatura: Livros digitais não são prioridade
E-book ainda é miragem
Apenas atentas, para já. Assim estão as maiores editoras portuguesas perante os livros digitais, mais conhecidos por e-books. No rol de preocupações imediatas de quem gere o negócio há outros assuntos, desde o excesso de lançamentos, que encurtam o tempo de vida útil de cada livro, até à proliferação de fotocópias.
Por:Rui Pedro Vieira
'Não estamos a fazer nenhum livro digital, mas estamos atentos a diversos domínios da tecnologia para perceber os hábitos das pessoas', disse ao CM o director editorial da Bertrand, Eduardo Boavida. Consciente de que os portugueses se interessam pelas novidades digitais, o responsável diz-se despreocupado, 'até porque tem de existir sempre quem produza conteúdos'.
Do lado da Leya, o director de Comunicação José Menezes assume que a estratégia 'está a ser debatida internamente e será divulgada em momento oportuno'. O sigilo ainda é a palavra de ordem no maior grupo editorial de Portugal, embora não exista nenhum projecto em marcha.
Na Gradiva, editora dos livros de José Rodrigues dos Santos, também não há apostas em e-books e, quando se justificar, o formato será complementar ao actual. 'Não é uma ameaça', sustenta Helena Rafael.
Paulo Gonçalves, da Porto Editora, considera que a sua empresa é a que está mais preparada para receber o digital, 'devido a anos e anos de aposta nos conteúdos em DVD, CD e telemóveis', mas afasta novidades no curto prazo. 'A partir do momento em que se justificar, avançamos', sustentou.
A nível mundial variam as reacções dos escritores: a autora da saga ‘Harry Potter’, J.K. Rowling, recusou ceder os direitos para a digitalização dos seus livros, mas Dan Brown, revelado em ‘O Código Da Vinci’, teve a obra mais recente, ‘O Símbolo Perdido’, mais adquirida na versão digital do que em papel na loja de compras on-line Amazon.
DETALHES
TAL QUAL UMA FOLHA
Nos leitores de e-books, como o Kindle, da Amazon, e o iPad, apresentado pela Apple, o texto aparece num ecrã, que o reproduz à semelhança de uma folha de papel e permite armazenar muitas obras.
ESCRITORA À ESPERA
Ana Maria Magalhães, parceira de Isabel Alçada em ‘Uma Aventura’, diz que 'não se pode travar a marcha do progresso'. Não quer um e-book, mas pondera comprá-lo para o marido.
'KAMASUTRA' PIRATEADO
O e-book mais pirateado ao longo do ano passado foi a milenar obra erótica ‘Kamasutra’ com 100 a 250 mil cópias ilegais detectadas.
1 leitor desses custa na Grä-B. €199.P mim seria útil p levar imensos livros na mala,mas continuo a adorar uma boa capa!