Fogo Cruzado: João Goulão entrevista Francisco Gírio
"Questão de procura"
Sector cervejeiro questiona se a idade mínima para consumo de alcool deve passar para 18 anos ou se deve fiscalizar-se a aplicação da lei em vigor
Por:Bruno Contreiras Mateus
O secretário-geral da Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja, Francisco Gírio, aceitou ser entrevistado pelo presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão.
João Goulão – Saiu agora o relatório que mostra que os jovens são sensíveis à publicidade ao álcool. Que posição têm sobre o patrocínio de eventos desportivos?
Francisco Gírio – A publicidade às bebidas alcoólicas não pode ser dirigida a jovens; nisso o Código de auto-regulação é claro. Já o patrocínio de eventos desportivos, até da Selecção, é uma questão além- -fronteiras de Portugal; deve haver regulamentação europeia para esta questão.
J.G. - E quanto às queimas das fitas...?
F.G. - Neste momento já não estamos a patrocinar queimas das fitas.
J.G. - Como avalia a vossa participação na construção do novo Plano Nacional de Redução para o Álcool?
F.G. - Julgamos que conseguiremos mais resultados, a médio e longo prazo, caminhando desta forma. Na semana passada, foi bastante publicitada a publicação do relatório europeu ESPAD/2007, sobre o consumo de álcool por jovens até 16 anos.
J.G. - É dirigido a jovens que completam no ano da recolha de dados 16 anos.
F.G. - Então, se os adolescentes consomem mais álcool, e se desde 95 até 2007 a lei sempre proibiu o consumo de álcool até aos 16 anos, será que temos um problema na legislação em vigor? Ou há incumprimento de legislação e fiscalização?
J.G. - Acho que é um problema de falta de cumprimento da lei, com complacência de todas as instâncias. Há aqui uma questão central, que é a da procura, que nos remete para a família e para a prevenção. Mas a questão situa-se também no incumprimento da legislação e na ausência de mecanismos para essa aplicação...