Estado das Coisas
Justiça desportiva
“Só um tribunal desportivo (...) fica blindado contra as eventuais influências dos clubes e associações.
Por:Rui Rangel
A última reunião do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol veio demonstrar várias coisas: as fragilidades e deficiências do direito desportivo; a ausência de um regime jurídico sólido e transparente e de uma justiça imune a pressões; a irresponsabilidade dos seus membros; e a falta de um quadro punitivo pedagógico e exemplar. Esta reunião matou o pouco que ainda restava da credibilidade e do prestígio dos organismos que dirigem o futebol português. A pressão a que foram sujeitos os membros do CJ, vinda de todos os lados, com ‘fruta’ ou sem ‘fruta’ prometida, foi insuportável e só pode conduzir à demissão dos seus membros.
Não interessa saber de que lado está a razão: a forma como tudo se passou feriu de morte a legitimidade do órgão. E não vale a pena carpir lágrimas de crocodilo. Para isso contribuíram clubes, associações desportivas, dirigentes, Federação, Liga e os sucessivos governos da República, já que o relevante interesse público da prática desportiva assim o exigia.
A única via para salvar o futebol passa pela criação de um Tribunal de Justiça Desportiva, com autonomia económica e financeira, com regras de funcionamento diferentes e com um corpo de juízes nomeados, por nove anos não renováveis, pelo Conselho Superior da Magistratura. Há muito que defendo, para o desporto, esta realidade judiciária, mas as forças tentaculares do poder instalado, que vive em regime de cleptocracia, não têm deixado. É necessária, também, uma nova classe de dirigentes, uma nova mentalidade, sepultando de vez os Pintos, os Vieiras, os Valentins e os Madaís. As pessoasestão cansadas desta gente e da adulteração da verdade desportiva.
Só um Tribunal de Desporto, trajado com as vestes da imparcialidade, da isenção e da independência, fica blindado contra as eventuais influências dos clubes ou das associações. E não adianta, no actual figurino jurídico,colocar juízes togados para dar essa garantia, porque o problema era igual, dependia do tamanho do avental pelos serviços prestados. Convém dizer, para evitar confusões, que, por sorte, nenhum dos actuais membros do CJ é juiz de carreira. De juízes conselheiros nada têm, a não ser o nome. A construção de uma justiça desportiva, como um meio alternativo de solução de conflitos de interesses, passa pela criação urgente deste Tribunal, com juízes nomeados pelo CSM.
Estou de acordo com tudo o que disse, mas já se esqueceu que no processo A.Dourado, também foi citado magistrados como aquele que deu guarida na sua casa durante a fuga de P.Costa? E os outros do DIAP do Porto?