Porto
Dois passos de dança na estação de S. Bento
Os passageiros que desembarcaram este Domingo na estação de S. Bento, no Porto, puderam ver ou mesmo dar um ou dois passos de dança, entre uma variedade de bailados que foi do ballet clássico às milongas argentinas.
A iniciativa veio a propósito do Dia Internacional da Dança e contou com a participação de cerca de uma dúzia de bailarinos do Centro de Dança do Porto (CDP), que por decisão da autarquia puderam demonstrar a sua arte na estação de S. Bento, escolhida por ser "um lugar emblemático da cidade do Porto".
"Somos muito visitados por turistas e queremos ter uma oferta cultural e de animação não só para os portuenses mas também para todos os que nos visitam", disse à imprensa Hugo Neto, director geral da Porto Lazer.
Para Teresa Vieira, professora de ballet clássico no CDP, dançar em S. Bento é "uma boa experiência para os bailarinos, porque estão mais perto do público. Não há um palco nem luzes que os impeçam de ver a plateia e aqui podem ver a reação das pessoas".
"O nosso objectivo é fazer chegar a dança a toda a gente", explicou à Lusa a professora de dança, para referir que "o Centro de Dança do Porto não tem audições para entrar e toda a gente é bem-vinda. A formação é essencialmente de ballet clássico mas começa sempre por uma dança educativa que é essencial ao corpo e à formação de qualquer criança."
Num intervalo das várias danças que demonstrou para dezenas de passageiros curiosos, Sofia Torres, com 21 anos e bailarina no CDP desde os oito, disse à Lusa que a iniciativa acabou por ser uma "experiência muito engraçada".
"Por um lado estávamos um bocadinho nervosos por estarmos muito perto das pessoas", admitiu, para concluir que a iniciativa valeu a pena por terem podido dançar "numa estação tão bonita como a de S. Bento".
Na plateia que rodeou o palco improvisado na estação de S. Bento, Clemência Lourenço, de 66 anos, disse à Lusa que o espectáculo foi "maravilhoso".
"Não dou valor ao ballet mas agora adorei. Acho muito bem que seja feito em S. Bento porque nós também merecemos isto", exclamou.
Já Pedro Costa, com 42 anos, veio de Matosinhos "de propósito", porque procura acompanhar "tudo o que tem a ver com ballet clássico e contemporâneo", impulsionado pela filha, que é praticante.
"Cada vez há mais crianças interessadas e a gostar do ballet, dança contemporânea ou os 'hip-hops' e portanto acho que é de louvar", disse à Lusa, lamentando apenas que haja "poucos apoios", numa fase que entende que seja "muito difícil para as câmaras".