Avião partiu com poucos passageiros de Lisboa e voltou cheio
TAP faz primeiro voo para Bissau após o golpe de estado
A TAP voltou esta segunda-feira a realizar um voo para Bissau, com uma maioria de passageiros guineenses, numa viagem em tudo idêntica às realizadas antes do golpe de Estado do passado dia 12 na Guiné-Bissau.
Por:Lusa
O Airbus A320, com capacidade para 162 passageiros, aterrou em Bissau com 78 pessoas a bordo às 12h30 locais (mais uma hora em Portugal) e partiu cerca de uma hora depois cheio, e também com muitos passageiros guineenses.
Jorge Kadri, embaixador do Brasil em Bissau, foi um dos passageiros que desembarcou na capital guineense. Em declarações à Lusa afirmou-se optimista em relação a uma solução para a crise no país.
"Estou optimista. Acho que podemos chegar a um acordo e vamos trabalhar para isso, fundamental é o diálogo", disse o embaixador.
No voo para Bissau a maior parte dos passageiros era guineense, como Neco Bamba, que trabalha em Portugal e viajou para a Guiné-Bissau porque já tinha férias marcadas para esta altura. "Não tenho medo, é a minha terra, não posso ter medo", disse à Lusa, acrescentando que voltará a Portugal a 19 de Maio. "O que eu quero é paz, assim a terra não vai para diante. A gente quer que a terra vá para diante. Quero a paz para a Guiné, mais nada", disse.
Maria Teresa Correia Lopes também chegou esta segunda-feira a Bissau, depois de ter feito tratamento médico em Lisboa. Admite que sente algum medo ao voltar mas tem um discurso idêntico: "Todo o guineense se sente bem na sua terra, o que queremos é que a guerra acabe de uma vez para sempre, com paz resolve-se tudo, sem paz não se resolve nada."
A Maria Teresa Lopes nem lhe "passou pela cabeça" ficar em Portugal. "Já acabei o tratamento, tenho de voltar para a minha terra, mesmo que haja guerra tenho de voltar para estar com os meus filhos e o meu marido", disse.
Tranquilidade na chegada mas também na partida. Jorge é emigrante em Portugal, para onde regressou, com um encolher de ombros sobre a situação no país. Já tinha viagem marcada e Bissau está "normal".
Na sala de embarque também estava um casal de jovens missionários brasileiros, que encara a situação na Guiné-Bissau com a mesma indiferença. "A viagem estava marcada para dia 17, esperámos que abrissem o espaço aéreo e vamos, não estamos a fugir."
Nenhum dos passageiros questionados pela Lusa, nas chegadas ou nas partidas, se mostrou preocupado ou com medo da instabilidade em Bissau. E a única diferença entre o primeiro voo para Bissau após o golpe de Estado foi mesmo a viagem ser de dia, ao contrário do que é hábito.
Parabens aos nossos politicos, se näo fossem as nossas tropas de elite "segurarem o terreno", seria impossivel evacuar os refugiados portugueses...e assim os nossos descontos continuam a ir por água abaixo..