Mais de 83% do território está coberto pelas águas dos rios
Maior cheia em 110 anos submerge estado brasileiro do Amazonas
A maior cheia dos últimos 110 anos submergiu quase todo o gigantesco estado brasileiro do Amazonas, no coração da floresta amazónica, obrigando a população a tentar sobreviver sobre tábuas e canoas, que transitam pelas ruas alagadas substituindo os carros.
Por:Domingos Grilo Serrinha, Correspondente no Brasil
Milhares de pessoas estão desalojadas e até serviços públicos e autoridades foram gravemente afectados.
Mais de 83% do território do imenso estado estão cobertos pelas águas dos numerosos e caudalosos rios que cortam a região. Nas 49 cidades que já decretaram o estado de emergência e, principalmente, nas outras três que decretaram calamidade pública, tudo é feito agora sobre enormes pedaços de madeira presos acima do nível das águas que cobrem as ruas e inundam os imóveis.
Em Anamã, por exemplo, uma das três em calamidade e que fica a 160 km da capital estadual, Manaus, os correios, o cartório, a esquadra e todas as lojas funcionam sobre pedaços de madeira elevados a um metro ou metro e meio, conforme o nível da água do rio dentro desses imóveis.
Tentando manter um mínimo de normalidade, polícia, bombeiros, serviços de recolha de lixo e de transportes públicos usam pequenos barcos a motor, com a gasolina dada pela câmara, ou canoas improvisadas para atenderem a população, que nas suas casas também tenta improvisar. Os habitantes usam pranchas de madeira para irem de uma divisão para a outra dentro das residências, e os móveis foram erguidos por grossas cordas até ao nível do telhado, e isto apenas nos locais onde a cheia ainda não chegou ao tecto das habitações.
O Rio Negro está muito próximo de atingir os 30 metros de altura, o nível mais alto desde que as medições diárias começaram a ser realizadas, há 110 anos. O Rio Solimões também bateu recorde de água e, quando os dois se juntam, em frente a Manaus, e formam o famoso Rio Amazonas, a tragédia fica ainda pior.
A água subiu tanto em Manaus que até ruas comerciais do centro da cidade já estão alagadas. Os comerciantes erguem barreiras para tentarem evitar que a enxurrada destrua tudo o que têm e improvisam pequenas pontes de madeira para as pessoas cruzarem as ruas e os eventuais clientes poderem entrar nas casas e lojas.
Continuem a desflorestação........ainda vai ser pior, com o ambiente não se brinca.