Educação - reunião na escola Secundária D. Dinis alvo de protesto de jovens
Ovos para secretários de Estado
Dois dias depois de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter sido recebida em Fafe com ovos, ontem foi a vez de os secretários de Estado da Educação, Jorge Pedreira e Valter Lemos, serem alvo dos protestos de jovens que tentaram atingi-los com ovos, tomates e pepinos, convencidos de que a ministra estaria presente na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa.
Por:Cristina Serra/Bernardo Esteves/J.F./P.G./S.C.
Governantes e viaturas escaparam aos arremessos pois entraram na escola por uma porta lateral, mas cerca de 80 jovens que esperavam o confronto acabaram por atirar os alimentos contra as paredes. A PSP identificou uma das jovens que transportavam ovos.
Na escola decorreu uma reunião, que durou mais de três horas, entre os dois secretários de Estado e 200 dos 400 presidentes dos conselhos executivos das escolas da região de Lisboa e Vale do Tejo. Nessa escola terá sido suspenso o modelo de avaliação pelos professores dos departamentos de História, Biologia e Português.
Face aos protestos de alunos e jovens de outras escolas, a PSP enviou para o local um aparatoso dispositivo policial, com elevado número de agentes à paisana.
O comandante da II Divisão da PSP, subintendente Lopes Martins, salientou ao CM por que fez deslocar para o local uma equipa de intervenção rápida. "Para salvaguardar a fluidez do trânsito e salvaguardar a integridade física dos jovens."
À saída, o secretário de Estado Jorge Pedreira afirmou que a reunião decorreu tranquilamente. Sobre os incidentes, disse ser uma "acção organizada por quem quer impedir que as políticas de reforma se concretizem".
Os alunos queixam-se de serem obrigados a fazer provas de recuperação por faltas justificadas, arriscando-se a chumbar o ano por estarem doentes. A ministra garante que os alunos "não são obrigados a fazer" essas provas e que "muitas escolas fizeram uma aplicação inadequada [do Estatuto do Aluno]".
O Governo vai reunir-se com os presidentes do conselhos executivos de todas as escolas do País.
COSTA CRITICA AVALIAÇÃO
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, disse ontem no programa televisivo ‘A Quadratura do Círculo’ que o sistema de avaliação de professores é muito "complexo" e "burocrático", questionando se não deveria ser feita uma avaliação rápida de algumas regras no sentido de aliviar a "carga burocrática" daquelas que não são necessárias. Recorde-se que Fernanda Tadeu, mulher do presidente da autarquia e educadora de infância de uma escola do concelho de Sintra, foi uma das cem mil vozes que se juntaram na Marcha da Indignação dos professores em Março deste ano.
SUSPENSÃO APROVADA
Os presidentes dos conselhos executivos de 55 escolas do distrito de Coimbra aprovaram ontem, por unanimidade, um documento em que reclamam a suspensão do modelo de avaliação. Após uma reunião, em que participaram 55 das 58 escolas, Sobral Henriques, presidente da Secundária Quinta das Flores, apelou à ministra e ao poder político para terem "bom senso", aconselhando a governante a voltar à mesa das negociações. "Dizer que está tudo bem nas escolas não corresponde à verdade", disse. A mensagem "é muito séria", avisou, sugerindo à ministra que não insista, ao admitir tomar outras posições.
GOVERNO AMEAÇA IMPOR OBJECTIVOS
O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, avisou ontem os cerca de 200 presidentes de conselhos executivos (CE) das escolas de Lisboa, reunidos na Escola D. Dinis, que os professores que se recusarem a entregar as fichas com os objectivos da avaliação verão as mesmas ser-lhes impostas pelos conselhos executivos.
Segundo apurou o CM, a reunião serviu para o Governo incentivar os presidentes dos CE a agilizar e simplificar o modelo de avaliação. Mas Pedreira avisou que os CE que o suspenderem cometem uma ilegalidade. Os líderes dos CE expuseram depois uma série de dúvidas, tendo mesmo proposto que a avaliação só se aplicasse este ano a quem mudar de escalão. Esta hipótese foi contudo negada pela ministra da Educação. "Não estamos a ponderar soluções para não fazer mas sim para fazer", disse num encontro com jornalistas em que defendeu a "simplificação" do processo e admitiu responsabilidades do Ministério na forma complexa como o modelo foi adoptado nas escolas. Lembrou que este ano a avaliação "não terá efeito negativo para os professores", como estipulou o memorando, e frisou não ter "a certeza" de que isso tenha sido "apreendido por todos os docentes".
FEIRA
Os alunos da EB 2/3 de Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, fecharam ontem os portões da escola a cadeado em protesto contra a degradação daquele estabelecimento de ensino.
RECEPÇÃO
Os alunos esperavam a ministra da Educação com ovos, pepinos e tomates, mas Maria de Lurdes Rodrigues acabou por não comparecer à reunião com os 200 líderes de escolas de Lisboa.
OUTROS CASOS
C+S DE ALFRAGIDE
Alunos da Escola Secundária C+S Almeida Garrett, em Alfragide, Amadora, fecharam a cadeado o estabelecimento de ensino no passado dia 10. Durante o protesto, vários estudantes dizem ter sido agredidos por elementos da PSP.
EB 23 DE CORROIOS
Pais e alunos da Escola EB 23 de Corroios, Seixal, cansaram-se de esperar por uma decisão do Ministério da Educação para a demolição dos barracões e fecharam a escola a cadeado.
PRIMÁRIA 118 DA AJUDA
Os pais dos alunos da Escola Primária 118 da Ajuda, Lisboa, fecharam no dia 6 a instituição a cadeado, alegando insegurança.
LISBOA
Alunos da Escola Básica 2/3 Pedro Santarém, em Lisboa, fecharam ontem de manhã a escola a cadeado para protestar contra o novo regime de faltas. Durante a manifestação em frente ao estabelecimento de ensino, alguns estudantes queixaram-se de serem agredidos por polícias no local. A PSP nega.
BISPOS REALÇAM IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES
Os bispos portugueses defenderam ontem em Fátima a criação de um "pacto social" para a educação, enviando "uma palavra de estima e apreço aos professores".
"A missão dos professores é mais importante do que a dos políticos", disse D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sublinhando que "são eles os educadores das crianças e jovens que são o futuro do próprio País".
Na conferência de imprensa de encerramento da Assembleia Plenária da CEP, D. António Marto apelou "a um diálogo sereno e civilizado para que se possa ultrapassar as dificuldades presentes".
Referindo que a crispação actual "não é benéfica para ninguém",D. António Marto, disse que "a Educação é um problema da sociedade civil e não apenas da escola", afirmando que "a Educação tem de ser uma causa nacional".
Tudo vale para politicamente apanhar umas migalhas nas eleições, as oposições no seu melhor!