Caso das Escutas: Investigação gera desconfiança e mal-estar na redacção
Fuga do ‘Público’ está identificada
A perícia feita ao sistema informático do ‘Público’ revela que a correspondência entre dois jornalistas, em que é revelado o nome do assessor de Cavaco Silva como fonte da notícia sobre o caso das escutas em Belém, não foi enviada para o exterior por e-mail. Saiu do jornal, para ser publicada no ‘Diário de Notícias’, depois de impressa numa máquina da redacção. E foi através dos relatórios diários dessa impressora que os peritos já identificaram, entre 11 jornalistas e membros da direcção do ‘Público’ com acesso àquele e-mail, um dos suspeitos de ter passado a informação para o exterior: ficou registado qual o computador que fez imprimir o documento. E aquele computador só tem um utilizador.
Por:Henrique Machado
Para já, esta é uma suspeita apenas para consumo interno – visto que o ‘Público’, apurou o CM, até ontem não teria apresentado qualquer queixa na polícia. Em causa pode estar um crime de violação de correspondência por parte de quem desviou o documento no ‘Público’ e do outro jornal que o publicou.
Sabe-se quem é o segundo, mas no caso do primeiro será difícil de fazer prova: alguém pode ter ido imprimir o e-mail àquele computador, sabendo que o documento lá estava, incriminando o habitual utilizador da máquina. Também se sabe a hora a que foi feita aquela impressão.
O conteúdo do documento estava acessível a onze pessoas na redacção depois da troca de e-mails entre o director e o provedor do ‘Público’, sempre com o conhecimento de todos. Contactado pelo Correio da Manhã, José Manuel Fernandes não quis comentar a situação.
Não me interessa saber se o e-mail é verdadeiro ou não. Interessa saber como há funcionarios, sem honra e sem ética.