Crucifixos: Bispos dizem que está em causa a identidade do povo
Bispos lamentam decisão judicial
A Igreja Católica Portuguesa lamenta que, na sua decisão sobre a presença de crucifixos numa escola de Itália, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tenha "confundido" liberdade religiosa com questões relacionadas com a identidade dos povos.
Por:Secundino Cunha
O arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, disse ao CM que "o Governo italiano já anunciou que vai recorrer da decisão e acho que tem toda a razão". "A Europa tem, quer se queira quer não, uma matriz cristã e o querer apagar tudo o que a simboliza consubstancia a negação da nossa identidade", disse D. Jorge Ortiga. Já Moisés Espírito Santo, professor de Sociologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa, considerou "justa" a decisão do Tribunal, pois "as crianças não são obrigadas a aprender perante símbolos religiosos contrários à educação dada pela sua família".
A Associação República e Laicidade diz que, para além de se retirar todos os objectos, devia acabar-se com as festas e outras manifestações religiosas em Portugal. O padre Cândido de Sá, director do Colégio D. Diogo de Sousa, Braga, considera que "não faz sentido algum, na medida em que teria de se acabar com festas tão enraizadas como, por exemplo, o Natal".
Em todo o País, há várias escolas com crucifixos, nomeadamente nas regiões Norte e Centro.