Pedofilia: Suspeitos ficaram em prisão preventiva
Socorrista e advogado aliciavam menores
Um advogado de Carnaxide e um socorrista de ambulâncias do Porto foram apanhados pela PJ, no fim da semana passada, numa rede pedófila que se dedicava a filmar e a vender imagens de cariz sexual com crianças. Ontem, o CM deslocou-se ao Hospital S. João, Porto, onde os colegas de Hugo, de 27 anos, se mostraram surpreendidos e chocados com a notícia da detenção do colega.
Por:João Carlos Malta / Tânia Laranjo
Tal como Hugo, também Rui, de 31 anos, ficou em prisão preventiva.
A estupefacção era ponto comum de todas as conversas que tivemos com conhecidos do suspeito. "Sou amiga dele há dez anos e jamais suspeitei de qualquer coisa deste género. Aqui no serviço sempre foi dos mais educados e prestáveis. Todos gostavam dele. Com esta notícia percebemos que nem sempre conhecemos as pessoas", disse uma colega e amiga de Hugo, que mora a duzentos metros da sede da PJ no Porto .
Os colegas do socorrista, a trabalhar há cinco anos para empresas privadas que fazem transporte de ambulâncias para o Hospital S. João, afirmam que o jovem tinha um filho de dez anos e que recentemente a guarda do menor lhe foi retirada pela Segurança Social.
"Aquilo que ele nos disse foi que foi apenas por falta de rendimentos, mas que depois de falar com o advogado recuperou logo a criança", contou ao nosso jornal outro colega de Hugo. "Foi a vez em que o vi mais em baixo, porque a única família que tinha era o miúdo", acrescentou.
O socorrista perdeu os pais num acidente de viação quando ainda era muito novo, bem como a mulher do filho pouco depois deste nascer.
Os dois suspeitos estavam inscritos num site da internet que para ser consultado obriga a que os utilizadores alimentem com frequência com imagens de crianças em poses de cariz sexual. Quanto mais baixa era a idade das crianças mais dinheiro ganhava quem as colocava ao dispor dos internautas. É de prever que após estas detenções a PJ faça mais operações para combater este tipo de criminalidade.
CLASSE ALTA DETECTADA NA REDE
A ‘Operação Carrossel’, coordenada pela Polícia Federal brasileira, contou com a participação de Portugal. Foi desencadeada há poucas semanas e permitiu na altura identificar dois médicos, um professor do Ensino Básico, um advogado, empresários e seguranças, como frequentadores dos programas onde se trocam imagens de abusos sexuais com crianças.
No âmbito da mesma operação foram apreendidos vídeos caseiros feitos no nosso país nos quais são visíveis imagens de menores a serem abusadas. Falta determinar quem são esses menores e em que contexto é que as mesmas imagens foram obtidas. As autoridades não encontraram, para já, qualquer indício de produções pedófilas em Portugal, mas sim abusos num quadro de alguma proximidade, sendo as imagens rudimentares.
IDENTIFICADO HÁ UM ANO PELA PJ
Há um ano que o DIAP do Porto estava a investigar esta rede. Na altura, já tinham identificado Hugo, mas como as provas eram apenas de imagens de crianças no seu computador e não havia indícios de produção própria, não avançou para a detenção do suspeito.
No entanto, a investigação continuou a partir dos primeiros elementos e a Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira da PJ levou a que fossem recolhidos indícios que ligavam o socorrista e o advogado na produção e divulgação do material pedófilo.
Os dois suspeitos, detidos na passada sexta-feira, faziam-se passar por menores e no site de encontros hi5 convenciam os rapazes e raparigas a despirem-se à frente das câmaras instaladas nos computadores das vítimas.
PORMENORES
COMPETÊNCIA RESERVADA
A detenção dos suspeitos foi feita pela Direcção Central de Combate à Criminalidade Económica e Informática por ser aquela que tem competência reservada neste tipo de investigações. No Porto, o suspeito foi depois interrogado na directoria da PJ portuense.
COMPUTADORES
A análise aos computadores é demorada. A PJ já tinha apreendido os aparelhos aos suspeitos, mas só agora foi possível confirmar que se tratavam de menores portugueses.
PENAS
Os dois homens arriscam-se a uma pena efectiva de 12 anos de prisão, caso existam agravantes no seu currículo criminal.
EMPRESA
Hugo trabalhava na Luso Ambulâncias, há cerca de dois meses, mas já há cinco anos que trabalha em empresas de transporte de ambulâncias no Hospital S. João.
Esse advogado é bem conhecido! No entanto não sei porque não publicam o nome dele..(des)Ordem dos Advogados a funcionar!