Lisboa: António Frazão geria, com duas brasileiras, a sua cadeia de bordéis
Nacionalista vive da prostituição
Nascido na antiga República Federal da Alemanha, António Pereira Frazão despertou cedo para os ideais de extrema-direita. Tornou-se, em Portugal, um fervoroso membro do Partido Nacional Renovador (PNR) – mas, contra a principal bandeira do partido, está precisamente preso por crimes de auxílio à imigração ilegal. Duas irmãs brasileiras que o ajudavam a vigiar 30 prostitutas que explorava nos seus quatro bordéis da Grande Lisboa.
Por:Henrique Machado
Casado e militante do PNR com as quotas em dia no núcleo de Sintra, António passeava-se de BMW. Aos 36 anos, vivia com a família na Quinta da Barota, em Belas, até ao dia em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras o foi buscar a casa – a 9 de Abril deste ano. Já em 2007 o Tribunal de Sintra o tinha condenado a cinco anos de pena suspensa por lenocínio, mas "a exploração de mulheres na prostituição nunca parou nos últimos dois anos", conta ao CM fonte policial.
A sua mulher estava encarregue de entrevistar as candidatas, conforme se apurou ao longo da investigação, e também ela já está "acusada pelo Ministério Público". António fixava os preços a pagar pelo sexo nas suas casas entre os 40 e os 100 euros, ficando ele com 50 por cento de comissão. E para casos de clientes que procurassem sexo com duas mulheres, os lucros eram divididos por três. Um terço para ele.
As 30 mulheres por conta do nacionalista também se deslocavam a casas e hotéis, com motorista. Mas eram logo avisadas na entrevista: se fizessem sexo durante menos de 20 minutos, ou mais de 40, eram multadas. Foi assim que o membro do PNR enriqueceu (ver apoios) – fazendo circular, de 2006 a 2008, as prostitutas às suas ordens pelos quatro apartamentos transformados em bordéis na Amadora, Massamá, Linda-a-Velha e Lisboa.
Para vigiar as mulheres, tinha as duas irmãs brasileiras em situação ilegal – contra tudo o que defende o partido. Assinou um documento a responsabilizar-se pelas ‘turistas’ e enganou o SEF (ver caixa).
RESPONSÁVEL POR DUAS TURISTAS
A primeira das duas irmãs brasileiras, já combinada com António Frazão, desembarcou no Aeroporto da Portela em Janeiro deste ano. O nacionalista, politicamente contra a entrada de mais imigrantes em Portugal, atestou por escrito que se tratava de uma turista para passar uns dias em sua casa – e assinou um termo de responsabilidade em como a turista não era afinal uma imigrante para trabalhar. Dias depois fez o mesmo com a irmã da primeira, conseguindo que também ela ficasse uns dias de férias, mas as duas tinham já uma missão definida: controlar a assiduidade das várias prostitutas às ordens de António na sua cadeia de bordéis.
DISCURSO DIRECTO
"DEIXARÁ DE SER MILITANTE" - José Pinto Coelho, Pres. do Partido Nacional Renovador
Correio da Manhã – O membro do PNR António Frazão, acusado de favorecer imigração ilegal, não é expulso do partido?
José Pinto Coelho – O militante não está condenado, mas se for condenado por crimes que violem os princípios do partido é óbvio que deixará de ser militante.
– Esta acusação, por um crime em que o PNR tem uma posição tão radical, não preocupa?
– São problemas transversais a todos os partidos e há vários exemplos que são públicos. Até ser condenado, é inocente.
– Vasco Leitão foi condenado [no processo dos skinheads] e mantém-se no PNR...
– Foi condenado por delito de opinião. Tem toda a nossa confiança.
PORMENORES
125 MIL EUROS EM TRÊS MESES
A investigação apurou que os lucros de António Frazão com o negócio da prostituição, só de Janeiro a Abril deste ano, até ser preso, são: cerca de 70 mil euros no apartamento de Massamá; 40 mil em Linda-a-Velha e 15 mil na rua Rodrigues Sampaio, Lisboa. O apartamento da Amadora já estava fechado.
CATANA E FACAS DE MATO
António aguarda pelo julgamento na cadeia desde 9 de Abril, o dia em que o SEF lhe encontrou em casa uma baioneta, catana, três facas de mato e um revólver.
O feitiço virou-se contra o feiticeiro!Bater no peito dizendo que o pais tem de ser limpo de "Ovelhas Negras" Ele é o Q?