Investigação: Após terem-no proposto
Casal já recusa polígrafo
Afinal o casal McCann não se quer sujeitar ao teste do polígrafo (detector de mentiras), ao contrário do que tinha dito a 19 de Setembro, poucos dias depois de deixar a Praia da Luz. Kate e Gerry McCann recusaram a proposta de Don Cargill, director das associações britânica e europeia de Polígrafos, que anteontem se ofereceu para realizar o teste. Em entrevista a um canal inglês, o responsável confessou que a resposta dos assessores dos McCann à sua proposta foi “uma lista de condições impossível de satisfazer”.
Por:João C. Rodrigues
“Queriam que eu garantisse uma fiabilidade de 100%, que eu era o melhor examinador do Mundo e que o resultado fosse aceite pelos tribunais portugueses”, adiantou. O teste do polígrafo – que mede as variações fisiológicas no corpo humano ao longo de um questionário – tem, de acordo com a Associação Americana de Polígrafos, uma precisão de 98%, mas não é aceite como prova pelos tribunais portugueses.
O porta-voz dos McCann, Clarence Mitchell, confirmou: “É óbvio que não vão fazer o teste. Não é admissível em Portugal e ainda existem dúvidas quanto à sua exactidão. Gerry e Kate não precisam de se sujeitar a este exame porque eles estão a dizer a verdade.”
Sobre a mudança de atitude dos McCann, Don Cargill defende que é da responsabilidade dos seus assessores. “Fiquei com a impressão de que foi tudo um exercício de relações públicas para conseguirem simpatia”, explicou.
O maior perito inglês na ciência do polígrafo reclama que este seria o momento ideal para realizar o exame: “Nos dias a seguir ao desaparecimento de Maddie os sentimentos estavam à flor da pele. Agora a Kate está de volta a Inglaterra e teve tempo para superar isso. Era a altura ideal.” Recorde-se que Madeleine desapareceu faz hoje 200 dias.
DETECTIVES PRIVADOS
Os detectives privados Joseph Moura e Francisco Marco, o último contratado por um milionário próximo dos McCann, voltaram ontem a defender a tese de rapto. “Temos 100% de certeza de que ela está viva. Estamos seguros de que foi raptada e estamos muito perto de descobrir o raptor”, adiantou Marco. Este detective espanhol – que ainda há duas semanas dizia que Maddie estava “sem dúvida” em Marrocos – baseia a sua teoria numa “nova testemunha” que alega ter visto a menina com um casal “suspeito e que a levava embrulhada num cobertor” no centro de Portugal, a 5 de Maio.
Joseph Moura, que realizou uma investigação para a televisão CBS, afirma ter relatos de testemunhas que contradizem tanto a versão dos McCann como a da PJ.
REPORTAGENS ILIBAM PAISUm acordo entre a SIC e as estações CBS e BBC permitiu a realização de três reportagens que utilizam as mesmas imagens e apresentam novas versões sobre o desaparecimento de Madeleine McCann que ilibam o casal.
No especial do canal norte-americano, aquele a que o CM teve acesso (a reportagem da SIC foi exibida ontem à noite e a da BBC vai para o ar hoje), Jane Tanner, uma das amigas dos McCann que passavam férias na Praia da Luz, admite ter sido a última a ver Maddie viva, enquanto Gerry confessa acreditar que a sua família foi observada por um predador nos dias anteriores ao desaparecimento.
As reportagens exibem imagens inéditas captadas por um amigo dos McCann que viajou de Inglaterra para Portugal em Agosto e filmou o dia-a-dia do casal. A reportagem da estação norte-americana afirma ainda que “a polícia portuguesa já não admite o homicídio como uma possibilidade” e que as pistas obtidas a partir do ADN retirado do carro dos McCann “são inconclusivas e não vão resolver o caso”.
CITAÇÕES"Vi alguém a caminhar no fim da rua enquanto carregava uma criança. Nunca pensei que pudesse ser a Madeleine."
Jane Tanner, amiga dos McCann"Estamos concentrados no que podemos fazer agora, não no que poderíamos ter feito antes porque não o fizemos."
Gerry McCann"Não tenho dúvidas de que a Madeleine foi marcada por alguém que nos observou. Julgo que a melhor palavra é predador."
idem"Todos os dias tenho de dizer a mim própria que sou uma mãe responsável."
Kate McCannDETECTIVE DEFENDE RAPTOO detective privado luso-americano Joe Moura foi contratado pela estação norte-americana CBS para se infiltrar no Ocean Club. Moura defende a tese de rapto e diz que os McCann caíram numa falsa sensação de segurança porque já tinham deixado os filhos sozinhos várias noites e nada acontecera.
OS CASOS DE CRUZ E FREDERICOApesar de não poder ser considerado como prova válida nos tribunais portugueses, o polígrafo é um recurso que já foi utilizado. O padre Frederico, em 1995, sujeitou-se ao detector de mentiras no programa da SIC ‘Máquina da Verdade’, numa altura em que já tinha sido condenado por homicídio e se encontrava a cumprir pena. No final, o padre passou no teste: “Fala verdade quando diz que não matou”, “fala verdade quando diz que não conhecia a vítima do crime”; “fala verdade quando diz que nunca se encontrou com a vítima” foram as conclusões.
Carlos Cruz, em Dezembro de 2002, também se ofereceu para o teste, ao que acrescentou o soro da verdade – pentotal – e a hipnose, para confirmar a sua inocência no processo Casa Pia. Carlos Silvino, ‘Bibi’, também se ofereceu para o teste com o soro da verdade.
Um escaneamento do cérebro c/ o programa adequado, poderá mostrar se eles estão sendo verdadeiros. Nos Estados Unidos existe esse aparelho; creio que também existe em Londres. Se eles estão falando a verdade, não há o que temer. Fazemos votos que a verdade apareca.