Opinião
Carlos de Abreu Amorim, Jurista
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d.r.  O tenista suíço Roger FedererO tenista suíço Roger Federer
27 Novembro 2009 - 12h06

Ténis: Finais ATP em Londres

Dramático! Federer e Del Potro nas ‘meias'!

Numa noite louca em Londres, o destino de três jogadores esteve preso por um mero ponto. O suíço e o argentino seguem em frente, Murray fica sem meias-finais... e sem unhas.

Foi simplesmente incrível o modo como a jornada de quinta-feira se concluiu na O2 Arena em Londres. Em jogo estava o acesso às meias-finais do prestigiado e elitista Masters - oficialmente designado por ATP World Tour Finals. Frente-a-frente jogavam Roger Federer e Juan Martin Del Potro num duelo que tinha um terceiro protagonista: o escocês Andy Murray, que estava dependente do resultado do encontro entre o campeoníssimo suíço e o emergente argentino.

As combinações para determinar os dois qualificados eram muitas, mas o rumo do encontro tornou a situação ainda mais dramática - e, no final, Del Potro bateu Federer por 6-2, 6-7 e 6-3... passando ambos às meias-finais e deixando Murray de fora, provavelmente com as unhas das mãos e dos pés completamente roídas atendendo ao sensacional evoluir do marcador.

Atente-se bem ao cenário que se verificava imediatamente antes do encontro da sessão nocturna e depois de Andy Murray, à tarde, ter batido o espanhol Fernando Verdasco por 6-4, 6-7 e 7-6:

-- se Federer ganhasse a Del Potro em dois ou três sets, passavam ele e Murray;

-- se Del Potro ganhasse a Federer em dois sets, passavam ele e Murray

-- se Del Potro ganhasse em três partidas, haveria lugar a um desempate tripartido através do número de jogos conquistados em cada set jogado pelos três no seu grupo desde o início da competição.

TENSÃO MÁXIMA

Pois bem, o gigante argentino ganhou a primeira partida e o segundo set desembocou num tie-break em que Del Potro esteve a liderar por 5-4 - nessa altura, estava ele a dois pontos da tal vitória em dois sets e, consequentemente, também Murray estava a dois pontos das meias-finais e Federer à beira de ficar fora das semifinais. Mas o gigante das Pampas meteu uma bola fácil na rede e Federer ganhou os pontos seguintes, levando o encontro para a terceira partida e abrindo novamente todos os cenários possíveis de apuramento entre os três.

O suíço foi mesmo o primeiro a conseguir qualificar-se para as meias-finais, ao ganhar o seu primeiro jogo para fazer 1-1 na terceira partida - nem ele sabia, no court, que já estava apurado. A contabilidade era tão complicada que até na sala de imprensa não havia unanimidade e a efervescência era máxima, sobretudo entre os jornalistas britânicos, suíços e argentinos. Entretanto, os serviços de imprensa do ATP libertaram a informação de que o argentino teria obrigatoriamente de ganhar o terceiro set por 6-0, 6-1, 6-2 ou 6-3 - porque mesmo que ganhasse por 6-4, 7-5 ou 7-6 (ou, evidentemente, se Federer ganhasse o encontro), ficaria fora das meias-finais e seria Murray a qualificar-se.

Com o resultado em 3-3, surgiu então o momento chave. Federer dispôs de três pontos de break, a 15-40, a 30-40, e depois com vantagem sua. Ou seja, nessa altura Murray esteve por três vezes a um mero ponto das meias-finais. Mas Del Potro aguentou-se bem, resgatou esse dificílimo jogo de serviço e... logo a seguir quebrou o saque do suíço para depois selar o encontro a seu favor com um ás! E seguidamente entregou a sua camisola ao compatriota Carlos Tevez, o futebolista do Manchester City que, tal como as grandes vedetas da Premier League, tem acompanhado o encontro ao longo da semana.

AO MILÍMETRO

O suspense foi absoluto. Hitchcok não faria melhor! Aliás, quando se cumprimentaram à rede, nem Del Potro nem Federer sabiam quem tinha passado - e o público (17.500 espectadores in loco) muito menos. «Perguntei-lhe: 'passaste às meias-finais?', e ele respondeu-me 'acho que não', contou Federer. O próprio argentino confirmou depois: «Só soube que tinha passado 25 minutos depois do encontro, quando o meu treinador Franco Davin me contou. Ninguém sabia o que se estava a passar...».

Explicando a situação em números, o Grupo A encerrou com três jogadores com duas vitórias e uma derrota e 5 sets ganhos e 4 perdidos; escalpelizando, Federer ficou em primeiro lugar porque ganhou nesses sets 44 jogos e perdeu 39, Del Potro ganhou 45 e perdeu 43; Murray ficou de fora com 44 jogos ganhos e 43 perdidos! E Verdasco poderia ter ganho qualquer um dos três encontros que perdeu!

Durante a tarde, e em mais um titânico duelo na entusiasmada Arena O2 que teve a duração de três horas (!), o herói local Andy Murray teve o destino nas suas mãos... mal sabia ele então que um mero jogo (nem sequer um mero set) lhe iria custar a presença nas meias-finais. Complicou as suas contas ao derrotar um galhardo Fernando Verdasco apenas pelos equilíbradissimos parciais 6-4, 6-7 e 7-6.

Se o jovem escocês tivesse ganho em apenas dois sets, teria resolvido a questão e não andou longe de o conseguir no tie-break da segunda partida. Mas não logrou aproveitar os inúmeros break-points de que dispôs: só concretizou 1 em 13! Quanto ao espanhol, fica ingloriamente afastado na fase inicial da prova, embora com mais mérito do que o compatriota Rafael Nadal (que no Grupo B perdeu os dois encontros já jogados em apenas dois sets): o esquerdino madrileno perdeu somente por 7-6 no terceiro set tanto com Murray como com Juan Martin del Potro, e sucumbiu diante de Roger Federer por 6-1 também na partida decisiva.

ESPANHA AO FUNDO

Na sua melhor época de sempre, Fernando Verdasco está a fazer um esforço suplementar - adiando uma necessária cirurgia a um dos pés para poder fazer a sua estreia no Masters e depois jogar a final da Taça Davis, que a partir da sexta-feira da próxima semana opõe a Espanha à República Checa em Barcelona. E lutou praticamente de igual para igual com os melhores do mundo (no seu grupo, os número 1, 4 e 5 do ranking), mas nos momentos cruciais tem cometido alguns erros de discernimento e precipitação. De qualquer das formas, vendeu sempre bem cara a derrota - merecia pelo menos sair de Londres com uma vitória no bolso.

Juntamente com Verdasco e Nadal, já eliminados, quem sai também a perder é a Espanha: os checos estão nesta altura com confiança redobrada para jogar a decisão da Taça Davis no habitat natural dos espanhóis - uma lentíssima terra batida montada no Palau St Jordi. Verdasco está brutalmente desgastado e ainda frustrado, Nadal está de confiança minada e sem a intensidade que fez dele um papão do circuito...

DAVYDENKO OU DJOKOVIC?

É certo que Nadal já está eliminado, mas ainda tem uma palavra a dizer no que diz respeito ao elenco das meias-finais. Pode ser o desmancha-prazeres de Novak Djokovic, com quem joga pelas 14h15 desta sexta-feira. Nesta altura, tanto o sérvio como Nikolay Davydenko, que pelas 20h45 mede forças com o já apurado sueco Robin Soderling, têm uma vitória e uma derrota cada, mas Davydenko apresenta um melhor set-average...

O que já se sabe é que Federer defronta nas meias-finais de sábado o segundo classificado do Grupo B, enquanto Del Potro mede forças com o primeiro.

RESULTADOS

5ª JORNADA - QUINTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO

Grupo A

Andy Murray (GBR, nº4) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 6-7, 7-6

Juan Martin del Potro (Arg, nº5)-Roger Federer (Sui, nº1), 6-2, 6-7, 6-3

4ª JORNADA - QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO

Grupo B

Robin Soderling (Sue, nº9) v. Novak Djokovic (Ser, nº3), 7-6, 6-1

Nikolay Davydenko (Rus,nº7) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-1, 7-6

3ª JORNADA - TERÇA-FEIRA, 24 NOVEMBRO

Grupo A

Roger Federer (Sui, nº1) v. Andy Murray (GBR, nº4), 3-6, 6-3 e 6-1

Juan Martin del Potro (Arg, nº5) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 3-6, 7-6

2ª JORNADA - SEGUNDA-FEIRA, 23 NOVEMBRO

Grupo B

Robin Soderling (Sue, nº9) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-4, 6-4

Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Nikolay Davydenko (Rus, nº7), 3-6, 6-4, 7-5

1ª JORNADA - DOMINGO, 22 NOVEMBRO

Grupo A

Andy Murray (GBR, nº4) v. Juan Martin del Potro (Arg, nº5), 6-3, 3-6, 6-2

Roger Federer (Sui, nº1) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 4-6, 7-5, 6-1




Miguel Seabra, enviado especial a Londres
» COMENTÁRIOS
27 Novembro 2009 - 14h53  | Patrícia Melão
Emoção até ao fim! Tenho mta pena de não poder ver os jogos,mas torço por 1 final Federer X Del Potro. Grandes tenistas!
27 Novembro 2009 - 14h04  | Manoel
Adorei... Os media britanicos andam sempre a tentar fazer do Murray aquilo que ele nao é, e depois dá nisto...
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