Nikolay Davydenko empunha troféuFinais ATP em Londres
Ténis: Davydenko como na PlayStation
Rápido e impondo uma cadência infernal, o pequeno Davydenko bateu o Golias das Pampas. «Ele joga como se fosse na PlayStation!», desabafou Del Potro.Nikolay Davydenko é o mais subestimado protagonista do ténis mundial – mas conseguiu finalmente as parangonas que o seu talento merece, ao ganhar a cimeira de final de época que reuniu os oito melhores tenistas de 2009.
O seu sucesso por 6-3 e 6-4 sobre Juan Martin del Potro num duelo de características bíblicas entre Davydenko e Golias prova que continua a ser possível para um jogador de físico mediano (e até aparentemente frágil, com 1m77 para 68kg) ganhar numa era de gigantes. O argentino, que com o seu 1m98 se tornou no mais alto campeão de títulos do Grand Slam de sempre ao impor-se na última edição do US Open, não conseguiu contrariar a incrível rapidez de movimentação e a elevada cadência imposta pelo russo no fundo do court.
Para mais, desde o início que Davydenko mostrou saber antecipar da melhor maneira os portentosos saques disparados pela ‘Torre de Tandil’; frustrado, o longilíneo jogador das Pampas acusou um pouco o facto de ter acabado o seu titânico duelo das meias-finais depois das 11 horas da noite na véspera e de só ter adormecido pelas 3 da manhã, mas não procurou desculpas: «Tive um dia de folga antes das meias-finais, enquanto o Nikolay jogou sexta à noite e sábado à tarde. Ele jogou um ténis incrível e mereceu ganhar». E acrescentou: «Nunca lhe ganhei em hardcourts ou em recinto coberto. Ele é muito rápido, chega a todas as bolas. Joga como se fosse na PlayStation»
Davydenko sabe que no ténis o tamanho importa mas não é tudo: «No ténis, pode-se ganhar de diferentes maneiras e não apenas com um grande serviço. Pode-se ter uma boa resposta ao serviço, excelente movimentação, bom controlo de bola no fundo do court e até ir à rede volear. A rapidez e a concentração são muito importantes. Acho que todos podem ser número um – não importa quão alto ou forte se é».
APENAS DOIS BREAKS
E confirmou-o no campo, com a sua incrível capacidade de transformar um court de ténis numa mesa de ping-pong – batendo na bola imediatamente após o ressalto e aproveitando o peso de bola do adversário para dar potência às suas próprias acelerações. A primeira quebra de serviço surgiu madrugadora, logo aos 2-1 do set inaugural, e teve uma falta de pé marcada ao argentino pelo meio; rapidamente o russo confirmou o break para se adiantar até aos 4-1 e fechar a primeira partida com o parcial de 6-3. O segundo set foi equilibrado até aos 4-4; com a pressão do mercador em cima, Del Potro não aguentou e as excelentes respostas do russo fizeram a diferença – logo depois, Davydenko não tremeu na hora de concluir: assinou um excelente jogo de serviço que incluiu dois ases e exultou no momento da vitória.
No fim, Davydenko – que, convém não esquecer, já tinha sido finalista na edição transacta, perdida para Novak Djokovic – apresentou excelentes estatísticas: 25 pontos ganhantes e apenas 15 erros não forçados, contra 20 winners e 19 erros gratuitos do antagonista; serviu muito bem e salvou os três break-points que enfrentou, concretizando 2 dos 5 de que dispôs.
«Para mim, foi surpreendente ter ganho 6-3 e 6-4 em apenas 1h20; joguei sempre três sets em quase todos os encontros anteriores e tive de permanecer no court uma média de duas horas», revelou. «Acho que foi por ter estado muito concentrado a cem por cento desde o primeiro ponto». Estive concentrado em todos os cinco encontros e fui ganhando confiança». Ao derrotar Rafael Nadal, Roger Federer e Juan Martin del Potro, ‘Kolya’ mostrou que não usurpou o seu sucesso londrino: ganhou a todos os vencedores de títulos do Grand Slam em 2009, com destaque para o sucesso sobre Federer nas meias-finais que quebrou uma malapata de 12 derrotas consecutivas diante do campeoníssimo suíço.
O PREÇO DA FAMA
Discreto e modesto, o campeão do Estoril Open de 2003 (curiosamente diante de outro argentino, Agustin Calleri; foi igualmente finalista no Jamor em 2006 diante de David Nalbandian e 2008 face a Roger Federer) facturou 1.510.000 dólares pelo seu 19º título no circuito profissional masculino ao mais alto nível e passou da sexta para a sétima posição no ranking – um posto notável, atendendo ao facto de não ter jogado nos quatro primeiros meses da temporada devido a problemas físicos. O seu melhor resultado no regresso foi a presença nas meias-finais do Estoril Open, no início de Maio.
O êxito na quinta mais importante competição da modalidade (após os quatro Grand Slams) deu-lhe dinheiro e, espera-se, o proveito merecido em patrocínios melhores e maior reconhecimento. Mas o jogador de Volvogrado confessa: «Não quero ser tão conhecido como o Federer e o Nadal, mas talvez agora seja um pouco famoso. Gostava, sobretudo na Rússia!».
Merece-o, ele que se tornou no primeiro jogador do seu país (embora tenha nascido na Ucrânia) a ganhar o Masters: os mais famosos Yevgeny Kafelnikov e sobretudo Marat Safin ganharam dois títulos do Grand Slam cada um, mas nunca lograram vencer a cimeira de encerramento de época.
Já se sabe que o nível de fama é directamente proporcional aos proventos embolsados fora do court. Com a sua aparência discreta e enganadora falta de carisma (na verdade tem uma personalidade muito divertida), Davydenko é o jogador do top 10 que menos patrocínios possui – recebe apenas trocos por usar uma obscura marca de vestuário francesa (a Airness) e sapatos Asics, mas não recebe nada por jogar com as raquetas que escolheu. “A Prince gasta todo o dinheiro de patrocínios com a Sharapova”, brinca, esclarecendo depois: “talvez encontrasse patrocínio junto de outras marcas, o problema é que quero jogar com este modelo”. E acrescentou: “Para mim, o mais importante não é o dinheiro, é eu jogar com as raquetas de que gosto”.
PESO DA SUSPEIÇÃO
Talvez as coisas mudem num futuro próximo com a ajuda de Ronnie Leitgeb, o arguto austríaco que ‘ganhou’ dois títulos no Estoril Open como treinador/empresário de Thomas Muster e que ajudou Davydenko a ultrapassar o difícil período em que foi suspeito de viciar jogos para ganhar dinheiro com as apostas clandestinas – tendo o ATP lançado uma investigação e acabado por ilibar totalmente o jogador.
«Foi surpreendente como continuei a fazer bons resultados nessa altura. A coisa não me saia da cabeça, estava continuamente sob pressão por parte da imprensa em todos os torneios – só queria parar de jogar durante alguns meses para não ter de responder», admitiu Davydenko. «Mas tenho uma família que me apoia e que me ajudou a concentrar no ténis». Com o triunfo em Londres, esse mau período de 2007 ficou definitivamente para trás…
GÉMEOS FECHAM COMO NÚMERO UM
Na variante de pares, a dupla dos gémeos norte-americanos Bob e Mike Bryan tinha como motivação suplementar para a final diante do duo constituído pelo bielorusso Max Mirnyi e pelo israelita Andy Ram a ascensão ao topo da hierarquia da especialidade – e não deixaram os seus créditos por mãos alheias: venceram por 7-6 e 6-3, vingaram o desaire na fase de grupos diante dos mesmos adversários, conquistaram o título pela terceira vez (depois dos êxitos de 2003 e 2004) e desalojaram da liderança a formação composta pelo canadiano Daniel Nestor e pelo sérvio Nenad Zimonjic, que se quedou pela fase de grupos.
Foi um final perfeito para os irmãos, que – tal como Federer – conseguem terminar pela quinta vez uma época no topo do ranking. Com 56 títulos na variante, só têm três duplas à sua frente na história do ténis profissional: os australianos Todd Woodbridge e Mark Woodforde (61), os americanos Peter Fleming e John McEnroe (57) e os sul-africanos Bob Hewitt e Frew McMillan (57).
RESULTADOS DA SEMANA
FINAIS
singulares
Nikolay Davydenko (Rus, nº7) v. Juan Martin del Potro (Arg, nº5), 6-3, 6-4
Pares
B. Bryan/M. Bryan (EUA, nº2) v. M. Mirnyi/A. Ram (Bie/Isr, nº7), 7-6, 6-3
MEIAS-FINAIS
singulares
Nikolay Davydenko (Rus, nº7) v. Roger Federer (Sui, nº1), 6-2, 4-6, 7-5
Juan Martin del Potro (Arg, nº5) v. Robin Soderling (Sue, nº9), 6-7(1/7), 6-3, 7-6(7/3)
Pares
B. Bryan/M. Bryan (EUA, nº2) v. M. Bhupathi/M. Knowles (
M. Mirnyi/A. Ram (Bie/Isr, nº7) v. F. Cermak/M. Mertinak (Che/Elq, nº6), 6-4, 7-6
FASE DE GRUPOS
6ª JORNADA – SEXTA-FEIRA, 27 NOVEMBRO
Grupo B
Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 7-6, 6-3
Nikolay Davydenko (Rus,nº7) v. Robin Soderling (Sue, nº9), 7-6, 4-6, 6-3
5ª JORNADA – QUINTA-FEIRA, 26 NOVEMBRO
Grupo A
Andy Murray (GBR, nº4) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 6-7, 7-6
Juan Martin del Potro (Arg, nº5)-Roger Federer (Sui, nº1), 6-2, 6-7, 6-3
4ª JORNADA – QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO
Grupo B
Robin Soderling (Sue, nº9) v. Novak Djokovic (Ser, nº3), 7-6, 6-1
Nikolay Davydenko (Rus,nº7) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-1, 7-6
3ª JORNADA – TERÇA-FEIRA, 24 NOVEMBRO
Grupo A
Roger Federer (Sui, nº1) v. Andy Murray (GBR, nº4), 3-6, 6-3 e 6-1
Juan Martin del Potro (Arg, nº5) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 3-6, 7-6
2ª JORNADA – SEGUNDA-FEIRA, 23 NOVEMBRO
Grupo B
Robin Soderling (Sue, nº9) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-4, 6-4
Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Nikolay Davydenko (Rus, nº7), 3-6, 6-4, 7-5
1ª JORNADA – DOMINGO, 22 NOVEMBRO
Grupo A
Andy Murray (GBR, nº4) v. Juan Martin del Potro (Arg, nº5), 6-3, 3-6, 6-2
Roger Federer (Sui, nº1) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 4-6, 7-5, 6-1
- Ultima Hora
- + lidas
- + comentadas
- + enviadas
- 13:49'Face Oculta': Juízes exigem esclarecimentos
- 13:47Bebé de dois anos morre na Urgência
- 13:33José Sócrates: "É preciso respeitar a separação de poderes"
- 13:26Cascais: Assaltante detido
- 13:16Audições sobre liberdade de expressão aprovadas
- 13:05Detidos por roubos violentos
- 13:03Moita: Julgamento de homicídio à machadada adiado
- 12:52PJ prende 4 indivíduos em Arcos de Valdevez
![]() |















As análises de Miguel Seabra são uma leitura obrigatória para mim Têm a marca da excelência.O CM tb fica a ganhar.Almada