Só é justificável uma linha de TGVDefende relatório da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SAER)
Aeroporto e TGV devem ser adiados
O último relatório da Sociedade Avaliação de Empresas e Risco (SAER) sobre a situação económica defende o adiamento dos grandes projectos públicos em infra-estruturas, como o novo aeroporto e o comboio de alta velocidade (TGV). É preferível, defende a instituição dirigida por Hernâni Lopes, apostar em "pequenas obras públicas com elevado factor multiplicador".O TGV deverá 'aguardar pela recuperação da economia e cremos não ser justificável mais do que uma linha de ligação Lisboa-Madrid', lê-se no documento, que também defende a construção do novo aeroporto em Alcochete 'por módulos consoante se revele necessário'. Para o grupo de estudos não se trata de 'desistir destes investimentos', mas a sua concretização num momento de crise e imediato pós-crise poderá 'estrangular de tal forma as contas públicas que tornarão inviáveis outros projectos determinantes'.
DISCURSO DIRECTO
"TEMOS DE PRODUZIR MAIS E GASTAR MENOS": Hernâni Lopes fundador da SAER sobre o endividamento das famílias e do Estado
Correio da Manhã – Durante a apresentação do relatório da Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco (SAER) sobre a situação económica, disse que como está não dá para continuar e que não podemos ir andando. Porquê?
Hernâni Lopes – Estamos a correr riscos sérios de um endividamento insustentável. Nós estamos com um endividamento acima dos 100 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). O que interessa não é o que nós achamos sobre isso, é o que os outros acham. Os constrangimentos do endividamento já começaram a surgir... Temos taxas de juro alemãs e produtividade marroquina. Ora, não dá para continuar, e é como o povo diz – ou vai a bem ou vai a mal.
A questão central é, então, o endividamento. Qual é o papel do Estado nesse combate?
Aumentar o rendimento e diminuir a despesa. A grande questão das finanças públicas hoje é reduzir a despesa, porque não pode aumentar os impostos. Tem de passar pela redução do número de funcionários públicos.
E o que podem fazer as famílias?
Poupar, como já foi feito no passado. E produzir mais e gastar menos.
Convencionou-se, na última década, que tínhamos deixado de ser pobres, que passámos a ter acesso ao consumo e que podíamos usar o crédito. Os efeitos apareceram nesta última década.
Há alguns sinais positivos vindos dos Estados Unidos e até da Alemanha. Acredita que a crise está a passar, ou será, como dizem alguns especialistas, que, como é uma crise em ‘W’, vai voltar a piorar outra vez?
No plano da economia há uma melhoria, mas no plano internacional não há um único problema resolvido. Evitou-se o desmoronamento do sistema financeiro, mas estamos numa economia de dívida que não gera empregos. O desemprego vai continuar... se tivesse que dizer uma letra seria o ‘W’.
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Como Economista sinto-me envergonhado. A SAER só agora vem defender o que MFL defendeu na campanha.