
Economia: Empresas que apoiam selecção também ganharam
Vitória dá 90 milhões aos patrocinadores
A vitória de Portugal frente à Bósnia proporcionou satisfação e orgulho, mas também milhões de euros para todos os que investem no futebol. É o caso dos patrocinadores da selecção portuguesa, entre marcas nacionais e internacionais, que poderão obter um retorno avaliado pela Cision em cerca de noventa milhões de euros.Sagres, Galp, BES, Modelo, TMN, Nike, Coca-Cola, Hertz e Samsung foram as marcas que apostaram na associação com a equipa das quinas e que não têm razões para se arrepender. Os seus símbolos aparecem nos painéis das salas de conferência de imprensa e até nos microfones, nas camisolas dos jogadores, nos placards dos estádios. São vistos por milhões de portugueses que os associam aos craques do futebol nacional.
O retorno imediato é pois de notoriedade, ou seja, as marcas tornam-se conhecidas, mas o objectivo final é, naturalmente, aumentar as vendas, ao levar o consumidor a escolher aquela marca de cerveja ou aquela operadora de telecomunicações que associam a momentos que se esperam sejam bem passados e de felicidade.
Traduzindo essa publicidade em euros, "é expectável que cada um dos patrocinadores principais da selecção (Sagres, TMN, Galp e BES) tenha um retorno entre os 14 e os 17 milhões de euros", calcula Uriel Oliveira, da Cision, acrescentando que os restantes deverão conseguir "alcançar no mínimo nove milhões de euros cada".
No total, o retorno deverá rondar, pelo menos, os 90 milhões de euros, tendo em conta "a ocupação do espaço editorial pelas marcas no âmbito das notícias e reportagens que serão veiculadas sobre a Selecção", explica ao Correio da Manhã o especialista.
Para Uriel Oliveira, as marcas "procuram incorporar toda a componente emotiva que este activo consegue alavancar", associando--se à "portugalidade, persistência, coragem, emoção e sucesso".
Os patrocínios à selecção nacional são feitos com a Federação Portuguesa de Futebol, que negoceia os direitos de uso de imagem com as várias marcas interessadas.
O Banco Espírito Santo (BES), por exemplo, paga em média novecentos mil euros por ano à Federação Portuguesa de Futebol, e em troca garante o direito de associação de imagem e aos símbolos da Selecção com a exclusividade no sector de actividade de serviços financeiros.
Os patrocinadores garantem ainda dez milhões de euros em prémios por selecção nacional ter atingido os objectivos – o apuramento para o Campeonato do Mundo –, valor a que a instituição liderada por Gilberto Madaíl soma mais cinco milhões pela presença na África do Sul.
DISCURSO DIRECTO
"INVESTIMOS JÁ MUITO A PENSAR NA SELECÇÃO": Silvério Silva, Membro do Conselho das Comunidades
Correio da Manhã – A selecção de futebol encontrará muitos adeptos na África do Sul?
Silvério Silva – Há muito tempo que não se fala noutra coisa. Houve uma quebra nos anos 90, mas a comunidade portuguesa conta com 350 a 400 mil imigrantes e descendentes de primeira geração que acompanham o futebol com a paixão por Benfica, Sporting e Porto como em Portugal.
– Prepararam-se para apoiá-la?
– Posso dizer que investimos já muito a pensar em ter cá a Selecção. Reservaram-se bilhetes para os jogos e muitos portugueses ligados à hotelaria fizeram melhoramentos em restaurantes, hotéis e resorts a pensar na afluência de clientes nacionais vindos de Portugal e de toda a diáspora.
– Há alguém com condições para acolher a Selecção?
– Creio que sim. Há imigrantes proprietários de bons resorts. Basta a Federação mostrar interesse.
CADA VEZ MAIS ADEPTOS SEGUEM A SELECÇÃO
Já são milhares e são cada vez mais os portugueses que viajam para assistir aos jogos da Selecção Nacional além--fronteiras. "Têm vindo a aderir cada vez mais à Selecção", reconhece ao CM um responsável de uma agência de viagens especializada neste segmento desportivo.
Uma viagem de ida e volta para a África do Sul, país que está no extremo Sul do continente africano, em companhias regulares pode custar entre mil e três mil euros. Mas com Portugal no Mundial os agentes nacionais vão apostar nos voos charter – aviões que são alugados só para transportar grupos de pessoas com o mesmo destino –, a preços mais baixos do que os oferecidos pelas companhias regulares.
Por isso, as agências de viagens terão ofertas em pacote que irão incluir os bilhetes para os jogos, mas "ainda é cedo" para falar de preços, segundo a fonte contactada pelo CM, que admite que se o Mundial fosse na Europa seria bem mais barato.
A viagem promete ser dura, nunca menos de dez horas de voo.
COMER DE TUDO MAIS 'VOREWORS'
País desenvolvido por imigrantes, onde até os trabalhadores negros se habituaram a comer o popular ‘fish and chips’ britânico, a África do Sul tem uma cozinha com variadas influências. O prato nacional é o ‘Bobotie’, um empadão de farinha de milho e carne, proveniente da Indonésia, mas do que todos falam é das ‘vorewors’ (salsichas afrikaners com carnes diversas) acompanhadas de papas de milho. Quanto a preços, uma refeição num restaurante médio custa 120 a 150 rands (11 a 13,5 euros).
SAIBA MAIS
Boa esperança
Temia-se um mostrengo e tormentas, mas o navegador português Bartolomeu Dias, o primeiro europeu a passar do Atlântico para o Índico, em Janeiro de 1448, baptizou o extremo meridional da África do Sul como Cabo da Boa Esperança.
1990
foi o ano em que, a 11 de Fevereiro, após quase 20 anos na cadeia, Nelson Mandela saiu em liberdade para acabar com o apartheid e refundar a República da África do Sul. Foi presidente de 1994 a 99 e tornou--se símbolo de paz e liberdade.
País de vida difícil
Com um PIB per capita quatro vezes inferior ao português, a África do Sul é classificada como relativamente rica. Tem, contudo, uma taxa de desemprego de 30%. A esperança de vida é de 49,7 anos.
DORMIDAS VÃO SUBIR PARA CIMA DOS 100 EUROS
A dormida num hotel de três estrelas em Joanesburgo custa actualmente entre 800 a 1000 rands , (73 a 90 euros), mas os preços subirão muito acima dos 100 euros na altura do Mundial. Quem o diz é o representante da África do Sul no Conselho Permanente das Comunidades, Silvério Silva, ligado por profissão ao turismo. Fazer reservas pela internet revela-se, para já, impossível. Só para hotéis de topo, como o Ashanti que por dez dias em Junho de 2010 cobra 167 425 rands (15 151 euros) exigindo já 25 114 e o resto até 20 de Maio, um mês antes da data de início da reserva.
NOTAS
350 M €: VALOR DA SELECÇÃO
A selecção nacional é a sétima mais valiosa do Mundo, segundo um estudo do Futebol Finance, que a avalia a equipa das quinas em 340 milhões de euros
15M €: RECEBE FPF
A Federação Portuguesa de Futebol vaireceber cerca de 15 milhões de euros:cinco de prémio de presença e dez dosprémios de objectivos dos patrocinadores
2600M €: DIREITOS TELEVISIVOS
A FIFA vendeu os directos televisivos por 2,6 mil milhões de euros, um aumento de 30 por cento face ao Mundial da Alemanha, em 2006
6,5 MILHÕES: VALOR DO TÍTULO
A equipa vencedora do Mundial de 2010 vai receber de prémio 6,5 milhões de euros. Entretanto, já terá ‘encaixado’ 16,5 milhões de euros por ter passado todas as fases
350 MIL: VISITANTES
A África do Sul espera receber em 2010 cerca de 350 mil visitantes só para ver os 64 jogos do Campeonato do Mundo, que se disputam em dez cidades
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