Opinião
Carlos de Abreu Amorim, Jurista
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Vitor Chi/Record  Davydenko e Federer reeditam final do Estoril Open de 2008Davydenko e Federer reeditam final do Estoril Open de 2008
28 Novembro 2009 - 12h12

Ténis: Finais ATP em Londres

Federer defronta Davydenko e Djokovic de fora

A última jornada da fase de grupos definiu o elenco das meias-finais e Djokovic ficou de fora. Federer joga com Davydenko e Soderling mede forças com Juan Martin del Potro.

A fase de grupos do elitista Masters concluiu-se com mais uma maratona - o oitavo encontro resolvido com o recurso a três partidas num total de doze embates repartidos pelas duas poules de qualificação. Após o polémico e dramático apuramento de Roger Federer e Juan Martin del Potro (com Andy Murray a ficar de fora por um triz) na véspera, a jornada de sexta-feira determinou a passagem de Robin Soderling e de Nikolay Davydenko às meias-finais, ficando de fora Novak Djokovic (que até defendia o título) após feita a contabilidade entre sets ganhos e perdidos.

Tal como sucedeu no Grupo A, também houve três jogadores a acabar com duas vitórias e uma derrota no Grupo B... embora não tenha sido necessário recorrer a extremos contabilísticos para desfazer o empate. Na sessão da tarde, Djokovic impôs-se a Rafael Nadal por 7-6 e 6-3, ficando a rezar por um triunfo de Soderling (que já tinha a qualificação garantida) sobre Davydenko; os desejos do sérvio não se confirmaram, já que o russo acabou de ganhar apesar de o sueco, devido ao facto de ter ganho um set no encontro, terminar no primeiro lugar da respectiva poule.

E ficar em primeiro era precisamente o que queria Soderling, que assim defronta o segundo do outro grupo em vez da sua besta negra, um tal suíço que é considerado o melhor tenista de todos os tempos. Assim, o possante viking terá pela frente o gigante das Pampas na segunda meia-final, agendada para as 20h45 - enquanto a outra semifinal será uma reedição da final do Estoril Open de 2008 entre Federer e Davydenko (às 14h15).

REPETIÇÃO DO JAMOR

Nessa final jogada no Jamor, que até foi a última ocasião em que mediram forças, o primeiro set foi muito equilibrado e Federer arrebatou o primeiro set no tie-break; Davydenko desistiu com problemas dorsais quando liderava por 2-1 na segunda partida. Esse encontro foi o único entre ambos que não se concluiu, mas nos restantes tem havido uma constante: o russo por vezes joga como nunca, mas acaba perdendo como sempre: no mano-a-mano, o campeoníssimo lidera por... 12 vitórias a zero!

«Eu sempre vou para os encontros a pensar que posso ganhar, mas lá perco sempre. Mas agora estamos mais velhos, talvez eu comece a jogar melhor e ele não tão bem», bricou Davydenko. «Espero correr muito amanhã e não cometer erros. Vou correr para a esquerda e para a direita no fundo do court, mas talvez arranje uma táctica diferente. Vamos ver...».

Quanto a Soderling, estava tranquilo. Alguns jornalistas sérvios ainda tentaram saber se ele só se tinha preocupado em ganhar o set de que necessitava para terminar em primeiro no grupo e evitar o seu carrasco Federer nas meias-finais, mas o escandinavo foi peremptório: «Não». Insistiram: «Tens a certeza?». E Soderling: «Sim, tenho a certeza». E acrescentou: «Estou com muita confiança, derrotei os números 2 e 3 do mundo e com o Davydenko perdi um encontro equilibrado. Sinto-me bem. Mas vai ser difícil diante do Juan Martin del Potro, que tem um grande serviço e uma grande direita». Tal como ele, Robin Soderling...

ESPANHÓIS KO

Havia um único país com mais de um representante, mas a Armada Invencível foi aniquilada. Dos oito mestres presentes na capital britânica, apenas dois não ganharam qualquer encontro - ambos espanhóis, mas com prestações distintas.

Rafael Nadal foi uma sombra de si mesmo, jogando sem a intensidade exibicional que o caracteriza e denotando falta de confiança, para além de parecer tacticamente vulnerável aos ataques em profundidade dos adversários para a sua pancada de direita. Para mais admitiu sentir-se algo cansado em longas trocas de bola. Não ganhou um único set e promete tentar esconjurar a péssima recordação de Londres com uma boa prestação na final da Taça Davis dentro de uma semana, no court de lenta terra batida montado no Palau St Jordi de Barcelona para acolher a República Checa. Mas a sua auréola de fortaleza física e mental está seriamente afectada...

«Não fiz um mau jogo, mas não foi o suficiente», referiu Rafa após o desaire diante de Djokovic na sexta-feira à tarde. «Bati algumas boas direitas, servi um pouco melhor. No resto, o mesmo dos outros dias: faltou-me a calma necessária nos momentos importantes. Não estou assim tão desapontado porque não vim para o torneio com aquela sensação de ter grandes hipóteses de ganhar. Dei o meu melhor nos treinos e nos encontros, melhorei um pouco de cada vez, mas neste piso rápido isso não bastou diante dos melhores jogadores do mundo». E acrescentou: «Não quero esquecer este torneio; deu-me diferentes sensações e a oportunidade de ver o que tenho de fazer para jogar melhor. Tenho de ser mais agressivo, sobretudo na primeira pancada da jogada. Preciso de recuperar a minha intensidade e o meu ritmo na pancada de direita». E até brincou com essa assumida falta de intensidade: «As pilhas acabaram-se... preciso de recarregá-las outra vez ou comprar umas novas para a próxima época!». Relativamente à final da Taça Davis, vaticinou: «Vai ser uma final difícil e a mudança para terra batida também não vai ser fácil para nós. Mas tenho a oportunidade de jogar bem e ganhar um título para o meu país».

Quanto a Fernando Verdasco, merecia ter saído com pelo menos um encontro ganho... já que perdeu os três em três sets, dois deles no photo finish. Lutou praticamente de igual para igual com os melhores do mundo (no seu grupo, os número 1, 4 e 5 do ranking), mas nos momentos cruciais cometeu erros de discernimento e precipitação. De qualquer das formas, vendeu sempre bem cara a derrota - só sendo derrotado por Del Potro e Murray no tie-break da terceira partida.

PATÉTICO

Fora da competição, o tema que continua na ordem do dia (e da semana) é a maneira disparatada e incompreensível como a organização geriu a complicada situação de quinta-feira à noite - quando, pela primeira vez nos 40 anos do Masters, foi necessário recorrer à contabilidade de jogos em cada set de cada encontro para determinar quais os dois elementos do trio Federer-Del Potro-Murray passavam às meias-finais no Grupo A.

A situação teve mesmo foros de ridicularia e quem ficou mal foi o ATP, porque a falha de comunicação relativamente aos jogadores foi grave - é que, na sala de imprensa, já todos sabiam quem tinha passado ou não... mas os tenistas ficaram à espera cerca de meia hora até serem informados. Explicando a situação em números, o Grupo A encerrou com três jogadores com duas vitórias e uma derrota e 5 sets ganhos e 4 perdidos; escalpelizando, Federer ficou em primeiro lugar porque ganhou nesses sets 44 jogos e perdeu 39, Del Potro ganhou 45 e perdeu 43; Murray ficou de fora com 44 jogos ganhos e 43 perdidos!

Murray descobriu pela internet que ficava arredado das meias-finais. Federer já sentia mais ou menos que tinha passado, mas ainda foi tomar duche, fazer o teste anti-doping e receber uma massagem antes de receber a confirmação definitiva. Del Potro, que tinha ganho o encontro, ficou no court na expectativa de saber o seu destino; enquanto esperava, o seu amigo Carlos Tevez, antigo companheiro de Cristiano Ronaldo no Manchester United, baixou ao court e ensaiou umas jogadas; como não se deu bem com a raqueta, desatou a dar toques com o pé numa bola de ténis, para gáudio dos espectadores que ainda estavam na O2 Arena - numa divertida rábula que já faz sucesso no YouTube: http://bit.ly/6yNTFv.

Foi caricato ver que, quando se cumprimentaram à rede, nem Del Potro nem Federer sabiam quem tinha passado - e o público (17.500 espectadores in loco) muito menos. «Perguntei-lhe: 'passaste às meias-finais?', e ele respondeu-me 'acho que não', contou Federer. O próprio argentino confirmou depois: «Só soube que tinha passado 25 minutos depois do encontro, quando o meu treinador Franco Davin me contou. Ninguém sabia o que se estava a passar...».

O novo presidente do ATP World Tour, Adam Helfant, ficou furioso com a polémica - e prometeu que tal situação não se viria a repetir. Outro pormenor organizativo que deve mudar para o ano é o arranque tardio do último encontro de singulares; com início às 20h45, qualquer encontro equilibrado em três sets pode acabar perto da meia-noite e atirar as conferências de imprensa para a uma da manhã...

RESULTADOS COMPLETOS DA FASE DE GRUPOS

6ª JORNADA - SEXTA-FEIRA, 27 NOVEMBRO

Grupo B

Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 7-6, 6-3

Às 20h45: Nikolay Davydenko (Rus,nº7)-Robin Soderling (Sue, nº9)

5ª JORNADA - QUINTA-FEIRA, 26 NOVEMBRO

Grupo A

Andy Murray (GBR, nº4) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 6-7, 7-6

Juan Martin del Potro (Arg, nº5)-Roger Federer (Sui, nº1), 6-2, 6-7, 6-3

4ª JORNADA - QUARTA-FEIRA, 25 NOVEMBRO

Grupo B

Robin Soderling (Sue, nº9) v. Novak Djokovic (Ser, nº3), 7-6, 6-1

Nikolay Davydenko (Rus,nº7) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-1, 7-6

3ª JORNADA - TERÇA-FEIRA, 24 NOVEMBRO

Grupo A

Roger Federer (Sui, nº1) v. Andy Murray (GBR, nº4), 3-6, 6-3 e 6-1

Juan Martin del Potro (Arg, nº5) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 6-4, 3-6, 7-6

2ª JORNADA - SEGUNDA-FEIRA, 23 NOVEMBRO

Grupo B

Robin Soderling (Sue, nº9) v. Rafael Nadal (Esp, nº2), 6-4, 6-4

Novak Djokovic (Ser, nº3) v. Nikolay Davydenko (Rus, nº7), 3-6, 6-4, 7-5

1ª JORNADA - DOMINGO, 22 NOVEMBRO

Grupo A

Andy Murray (GBR, nº4) v. Juan Martin del Potro (Arg, nº5), 6-3, 3-6, 6-2

Roger Federer (Sui, nº1) v. Fernando Verdasco (Esp, nº8), 4-6, 7-5, 6-1




Miguel Seabra, enviado especial a Londres
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