Marisa Caetano Antunes
“Trabalhei o meu percurso. Não apareci do nada”
Aos 35 anos, é um dos principais rostos da SIC Notícias. Pivô do ‘Jornal da Meia-Noite’, revela que sempre quis trabalhar em TV, embora continue a sentir nervosismo quando aparece no ecrã
Por:Duarte Faria
O que diferencia o ‘Jornal da Meia-Noite’, da SIC Notícias?
A dinâmica, tem um ritmo mais acelerado do que os outros, e vamos à procura de histórias e ângulos diferentes dos outros noticiários.
É a primeira mulher a apresentar este noticiário.
É verdade. Uma das frases mais engraçadas que ouvi quando me escolheram foi: ‘Ainda bem que é uma mulher nesse horário, já fazia falta uma mulher à meia-noite’.
Herdou um espaço desenhado pelo Pedro Mourinho. Tem autonomia para fazer alterações?
Estamos sempre preocupados em inovar, não estamos de braços cruzados. Tentamos sempre introduzir pequenas mudanças.
Gosta deste horário?
É um horário difícil. As jantaradas acabaram, a não ser ao fim de semana. Mas o produto é estimulante. Está-me a dar um grande gozo.
Que feedback recebe?
Quando estou fora da SIC sou muito diferente. Não me maquilho, ando completamente informal, e, portanto, não é fácil identificar-me. Mas quando identificam, as pessoas são muito simpáticas.
Sempre quis ser jornalista?
O meu objetivo sempre foi fazer TV ou rádio. Depois de terminar o curso tinha de fazer um estágio e a minha prioridade foi a SIC. Comecei a 6 de outubro de 1999. Foi caótico porque, além de ser o dia de aniversário do canal, foi o dia em que a Amália [Rodrigues] morreu.
E pivô?
Não pensava ser pivô mas, acima de tudo, em fazer TV. Agora que faço, sinto-me muito bem, estou sempre a aprender, nunca acho que sei tudo. Cada vez que vou para o ar vou sempre com um nervosinho.
Começou como pivô nas madrugadas da SIC Notícias…
Sim, fi-lo pela primeira vez uma semana depois de a minha mãe morrer. Funcionou como um escape, agarrei-me àquilo com unhas e dentes.
Ambiciona apresentar um noticiário na generalista?
A vida ensinou-me a não fazer planos. Agora, claro que gostava. Era sinal de que as pessoas gostam do meu percurso e do meu trabalho. A acontecer, será uma consequência natural. Mas não penso nisso. O meu percurso foi trabalhado, degrau a degrau. Não apareci do nada.
Teve tempo para ir para o terreno?
Não muito. Fiz sobretudo acidentes e diretos. Não tenho grande trabalho de terreno.
Ter tido pouco experiência como repórter não a prejudica enquanto pivô?
Não, não… Desde que estejamos informados sobre os procedimentos do terreno e estejamos a par da atualidade.
Gostava de experimentar outras redações, como a RTP ou a TVI?
Mudar faz bem. Até agora não se proporcionou, mas não digo que não. Tenho vários exemplos de pessoas que mudaram e cresceram ainda mais.
PERFIL
EXPERIÊNCIA NO BRASIL
Natural de São Julião da Barra, em Oeiras, licenciou-se em Comunicação. Estudou no Rio de Janeiro. "Foi uma das coisas mais fantásticas que tenho no meu percurso", diz, arrependida por não ter ficado no Brasil. "Se o tempo voltasse atrás, tinha feito tudo para ficar." Voltou a Portugal em 1999, começando a estagiar na SIC, ao mesmo tempo que trabalhava na rádio. Em 2004 inicia funções como pivô da SIC Notícias.