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Paulo Novais/ Lusa  Fenprof reúne-se terça-feira com a ministra da Educação Isabel Alçada, mas Mário Nogueira está pessimistaFenprof reúne-se terça-feira com a ministra da Educação Isabel Alçada, mas Mário Nogueira está pessimista
08 Novembro 2009 - 00h30

Nogueira exige que até Dezembro todos os docentes tenham nota

Avaliação para todos

A Fenprof exigiu ontem que todos os professores sejam avaliados neste primeiro ciclo avaliativo de dois anos, que termina em Dezembro, mas pretende que as classificações de Muito Bom e Excelente não tenham qualquer efeito. Este foi um dos pontos da resolução aprovada ontem no Conselho Nacional da Fenprof, que reage assim à posição assumida pelo primeiro-ministro, quando afirmou que suspender a avaliação seria “deitar para o lixo todo o trabalho das escolas”. Nogueira esclareceu que a Fenprof quer é que este modelo não seja aplicado no segundo ciclo avaliativo, nos anos civis de 2010 e 2011.

“Ninguém quer que se suspenda o que foi feito. O primeiro-ministro diz que 48 mil professores já foram avaliados. Pois nós exigimos que sejam avaliados todos os cerca de 150 mil professores e educadores, mesmo os que não entregaram os objectivos. Queremos é que não se inicie o segundo ciclo avaliativo com este modelo”, afirmou Nogueira, frisando que na “esmagadora maioria das escolas todos os professores são avaliados e os que não foram por não ter entregue objectivos estão a ser alvo de discriminação à luz da Constituição”.

Nogueira exige ainda que as notas de Muito Bom ou Excelente não permitam subir nas listas graduadas para concurso. A Fenprof reúne-se, terça-feira, com a ministra da Educação Isabel Alçada, mas Nogueira está pessimista, considerando existirem “sinais negativos”.

APONTAMENTOS

PLATAFORMA

Mário Nogueira afirmou ontem que a Fenprof está "disponível para construir espaços de convergências com outras organizações sindicais".

HORÁRIOS

Além do fim da divisão da carreira e do actual modelo de avaliação, a Fenprof exige alterações nos critério de elaboração dos horários dos professores.

ACTIVIDADES

Nas Actividades de Enriquecimento Curricular, a estrutura sindical exige o fim dos recibos verdes e o respeito pelas remunerações previstas na lei.

DISCURSO DIRECTO

"EDUCAÇÃO VAI ESTAR ENTREGUE A SÓCRATES", Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof

Correio da Manhã – A reunião da Fenprof com a ministra da Educação Isabel Alçada está marcada para terça-feira. Já está definida qual a agenda?

Mário Nogueira – Sim. Será para debater o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho. Tendo em conta que é a primeira reunião a agenda é estreita. Pensámos que fosse uma agenda mais larga, com discussão dos grandes temas da Educação.

– Com que expectativas parte para a reunião?

– Os primeiros sinais não são positivos como as declarações de intransigência do ministro dos Assuntos Parlamentares [Jorge Lacão] ou do primeiro-ministro, indicando que o Governo quer manter as mesmas políticas educativas.

– Há mais sinais negativos?

– Sim, como a nova equipa do Ministério da Educação ter pouco peso político e, portanto, pouco espaço para introduzir mudanças, o que significa que a Educação vai estar entregue ao gabinete do primeiro-ministro José Sócrates, que vai tentar prosseguir as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues.

– A nova ministra já foi professora e conhece bem o meio. Isso é uma vantagem?

– É um aspecto positivo. Mas por conhecer bem o ensino, por conhecer os motivos dos protestos dos professores e quais os principais problemas tem responsabilidades maiores.

– Quais as principais reivindicações da Fenprof?

– A questão central é rever o Estatuto da Carreira Docente e dentro dele acabar com a divisão da carreira entre professores titulares e não titulares e substituir o actual modelo de avaliação. Estamos confiantes porque o Governo está isolado.

– A Fenprof pondera voltar às manifestações de rua?

– Quanto ao plano de acção vamos esperar para ver. Os sinais que nos chegam não são positivos, mas às vezes há surpresas.




Bernardo Esteves
» COMENTÁRIOS
08 Novembro 2009 - 22h09  | João Bosco
Claro, e já agora reduzir a coisa a uma auto-avaliação numa folhita A4 e dar satisfaz a todos - o contribuinte paga.
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