Opinião
Carlos de Abreu Amorim, Jurista
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Ricardo Cabral 
23 Novembro 2009 - 00h30

Abuso de grávida

Violada por recusar sexo oral

Durante cinco meses, o psiquiatra João Vasconcelos Vila Boas tornou-se no confidente de ‘Ana’, nome fictício, e acompanhou o crescimento da barriga de grávida da paciente, com 30 anos. No início de Setembro, quando estava a um mês de ser mãe, o médico violou-a na sala do seu consultório – adaptada de uma divisão do apartamento onde também vive na Foz, Porto.

'Quando ela se levantou para ir embora, ele baixou as calças e ordenou que lhe fizesse sexo oral. Incrédula, ela tentou fugir, mas a porta estava trancada à chave. Agarrou-a por trás e baixou a roupa dela. Como estava com o pénis erecto, e ela estava já com alguma dilatação, ele violou-a ali mesmo', contou ao CM um familiar da vítima que tinha duas consultas por semana com o psiquiatra. Estava debilitada emocionalmente e tinha medo de não conseguir ser uma boa mãe.

'No final, deu-lhe um guarda--napo para ela se limpar e disse-lhe que o que tinha feito era um segredo e esperava por ela na próxima semana', recordou o familiar. Apavorada, Ana entrou no carro para voltar para Vila Real, onde vive. Fez a viagem calada. Mas pelo caminho não conseguiu aguentar o silêncio. Contou à mãe e depois ao pai. A revolta invadiu ambos e decidiram levar a vítima ao hospital. Os exames que lhe foram realizados são inequívocos: foram encontrados vestígios de sémen do psiquiatra na vagina da grávida. Quinta-feira foi preso e no dia seguinte presente ao juiz. Saiu em liberdade e está apenas proibido de exercer a profissão e de sair do País.

ORDEM DOS MÉDICOS JÁ AVERIGUA

Após ter conhecimento da detenção do psiquiatra pela PJ, a Ordem dos Médicos decidiu abrir um processo disciplinar de forma a averiguar o que realmente aconteceu. No entanto, segundo o bastonário Pedro Nunes, só após a conclusão do inquérito do Ministério Público será tomada uma decisão. 'Vamos acompanhar o inquérito judicial e se no fim se provar que as acusações são verdadeiras tomaremos uma atitude', explicou ontem o bastonário ao CM.

Pedro Nunes diz que até prova em contrário o psiquiatra é inocente e salienta que vários são os médicos alvos de acusações infundadas. 'Infelizmente, nesta profissão somos acusados muitas vezes sem ter culpa. O trabalho de um médico é muito complexo', disse.

Também o Instituto de Droga e Toxicodependência, onde João Vasconcelos Vilas Boas exerce funções, garantiu que vai investigar o caso e a possibilidade de ter ocorrido alguma situação na instituição.

'COMO PODE UM JUIZ SOLTAR UM MONSTRO DESTES'

Dois meses após a violação, o pai de Ana ficou ainda mais revoltado após conhecer as medidas de coacção aplicadas pelo TIC do Porto.

'Como é possível um juiz soltar um monstro destes', disse ao CM. Confiámos nele, que nos garantiu que ia curar a nossa filha, mas afinal só se queria aproveitar dela', vincou o homem, que se diz 'desiludido e revoltado com a nossa justiça'. A família tenta agora arranjar forças junto do bebé que nasceu três semanas antes do previsto porque Ana estava muito abalada.

Uma hora após a violação, soube pela filha do sucedido. 'Fiquei cego e liguei-lhe para o telemóvel. Ele atendeu e ainda teve a ousadia de me dizer que era tudo mentira. Que nada de anormal se tinha passado na consulta.' Mas os exames feitos a Ana confirmaram o contrário.

PORMENORES

84 EUROS SEM RECIBO

Ana pagava 84 euros por cada uma das duas consultas semanais. O médico nunca passou recibo e 'pedia que pagassem em notas e só no fim do mês'.

TENTOU MASTURBÁ-LA

Durante as consultas, o psiquiatra fazia perguntas sobre a vida sexual de Ana. Tentou por duas vezes masturbá-la, mas ela recusou. Alegava ser uma técnica especial para relaxar grávidas.

DIZIA PARA IR SOZINHA

Incentivou Ana a ir só e de autocarro para o Porto para ficar a dormir na cidade.




Liliana Rodrigues/Ana Isabel Fonseca
» COMENTÁRIOS
24 Janeiro 2010 - 17h51  | Anabela
Conheço o Dr. Vasconcelos e sei muito bem que ele nunca faria isto. Está tudo tolo, só pode.
16 Dezembro 2009 - 22h31  | alberto
acham mesmo que e verdade ? por amor de deus? como e que um psiquiatra ia fazer isto? a mulher e que elouqueceu de vez..
24 Novembro 2009 - 18h58  | marília
esta história não faz sentido, o dr. João é uma pessoa impecável. Lousada
23 Novembro 2009 - 23h04  | António Saraiva
Não há vaga na prisão
23 Novembro 2009 - 21h31  | Cláudia Gentil
Não só exerceu violência sobre uma mulher grávida como se aproveitou de alguém q estava deprimido e fragilizado.Besta!
23 Novembro 2009 - 21h08  | Micaela Silva
Não é a paciente que percisa de um pesiquiatra mas sim o medico e que nessecita de um colega pesiquiatrico. Micaela Vise
23 Novembro 2009 - 19h50  | vany
Porque será que já acho tudo muito normal? É o fim do Mundo
23 Novembro 2009 - 17h00  | Nelson Pessoa
Em Portugal anda a ver-se filmes a mais.
23 Novembro 2009 - 16h55  | Canuk
Este psiquiatra necessita doutro psiquiatra porque algo estará muito mal dentro da sua cabeça...
23 Novembro 2009 - 16h46  | Maria
Está tudo doido, médicos, juizes, politicos. Tudo s/dignidade,tudo ao abandono, desgraçado do povo!

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