Da vida real
Jogos
O primeiro-ministro ganhou, infelizmente, capital de queixa, que não deixará de usar quando for oportuno.
Por:Paula Teixeira da Cruz, Advogada
Abro as televisões e oiço mil debates, mil notícias, mil espectáculos. O Darfur passa quase só em rodapé, enquanto se discute a notícia, a intriga palaciana cá do burgo. Afinal, entre a intigra palaciana e a situação de milhares de pessoas a morrer, o que é mais importante é o imediato. Sente-se um soco no estômago e a náusea é grande. E o Darfur aqui tão perto... depois do Ruanda, do Congo... enfim, nessa matéria campeia a insensibilidade geral, com honrosas excepções.
Cá no burgo, o Primeiro--Ministro dará um sinalde fortaleza ou de fraqueza com a apresentação do novo executivo: se o núcleo governamental integrar apenas os mesmos fiéis dos fiéis, a leitura é a de fraqueza e a de que no essencial tudo fica na mesma (ninguém muda de natureza, por muito que pareça e pese os milagres do marketing). Se, ao contrário, o Primeiro-Ministro integrar, no núcleo do Governo, personalidades de elevada competência técnica, para além da sua estrutura partidária de apoio, estará a dar um sinal de força.
A verdade é que Sócrates já venceu o primeiro round: colocou todos os partidos na difícil situação de terem recusado liminarmente uma cooperação estreita com o Governo, atendendo à situação do País. Essa recusa liminar, na situação em que nos encontramos, não é boa para os Partidos da Oposição, nem encontra eco num País desestruturado.
O Primeiro-Ministro ganhou, infelizmente, capital de queixa, que não deixará de usar quando for oportuno, chamando a si o discurso da responsabilidade e do diálogo (espantosamente, diga-se-o, depois dos últimos quatro anos).
O actual Primeiro-Ministro sabe muito de jogo, embora, em minha opinião, não do Grande Jogo que é o desenvolvimento do País com a inerente diminuição das desigualdades sociais. Por isso, entretém o País com pequenos jogos, bem jogados, é certo, porém pequenos jogos. Enquanto tiver quem os jogue com ele, segundo as regras que institui, vai continuar a ganhar. Infelizmente para nós. Precisamos de muito mais. Entretanto, Portugal recua 14 lugares em termos de liberdade de imprensa (ao nível da Costa Rica e do Malí) e é o mais afectado pela fuga de ‘cérebros’.
No meio de tudo isto e uma vez mais, o Presidente da República foi o garante da estabilidade, ao pedir aos Partidos parlamentares, nas audiências da semana passada, para não precipitarem crises políticas, introduzindo moderação e algum bom senso nos discursos mais radicais.
meus amigos o portuga quer é dinhe e boa-vai-ela verdade ou mentira rend.insen.fundes.grev.manif.ord.|