
Causas e consequências
Paranóia nacional
Por mim, até gostava de ser alvo de escutas telefónicas para ver se me dão alguma importância.Por razões que a própria razão desconhece, a problemática das escutas telefónicas volta ciclicamente à agenda mediática. Sempre que alguma notícia mais quente é tornada pública, antes mesmo de se perceber de onde vem, a quem favorece, o que pretende, imediatamente se afirma, alto e a bom som, que tal informação teve origem numa qualquer escuta telefónica.
Relativamente a este meio especial de prova, convém precisar que em 2008 se efectuaram em Portugal cerca de 20 mil escutas, sendo que em igual período de tempo, em França, um exemplo de país democrático, somente na circunscrição de Paris, realizaram--se cerca de 45 mil escutas. Aqui não houve protestos, programas de televisão nem manifestações contra quem quer que fosse. Realizaram-se aquelas porque foi as que os magistrados judiciais entenderam necessárias, ponto final.
Em Portugal, não há pessoa que não ache que está sob escuta. Todos nós, logo que sentimos um barulhinho no telemóvel, pensamos: estou sob escuta. Não pensamos que as escutas não provocam barulhinhos, e que possivelmente o problema é do telemóvel ou da rede. Não, isso seria simples. Nós gostamos é de jogos complexos.
Parece que queremos ser todos muito importantes, e esse estatuto somente se consegue se alguém nos puser sob escuta. Já não interessa se esse alguém é da polícia, da magistratura, dos serviços secretos, detectives, técnicos de informática, piratas informáticos ou se as escutas são legais ou ilegais. Tudo isso deixou de ter importância. Nós queremos é ser escutados, pois isso dá-nos importância, a nós bem como às pessoas com quem falamos, e aos assuntos de que falamos.
Estes factos seriam até engraçados se não fossem trágicos para a credibilidade das instituições e do próprio País. A paranóia das escutas instalou-se, sendo que nem o conceito é preciso. Para os que querem ser escutados à viva força, uma qualquer violação da correspondência, uma violação do domínio informático, uma listagem telefónica, é tudo escutas telefónicas. Se um simples cidadão acha que está a ser escutado, logo as pessoas que detêm os mais altos quadros da nação têm exactamente o mesmo direito. Deviam até ser os primeiros. Eu por mim, e porque também gostava que me dessem alguma importância, gostava de ser escutado. Não que as minhas pobres conversas tenham alguma importância, mas, sinceramente, no actual estado das coisas, sentir-me-ia muito melhor.
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Até eu gostava. E tem razão o Dr. Carlos Anjos, quem não é escutado não tem qualquer relevância social. Loures
Um orgão de soberania espiar o outro é normal? Usar os serviços de segurança para servir partidos é normal? Fantástico!
Ai o que eu gostava que tivessem posto escutas nos McCann e amigos...se calhar já sabíamos onde está Maddie...
Parabens ao Dr. C.Anjos pelo texto mas bom seria envia-lo ao sr. pr. O que é feito de Fernando Lima esqueceu-se???????
Eu também quero ser escutado, e, que não fiquem só pela suspeição. Esta é só para Presidentes da Republica!!
É mesmo uma psicose, sem qualquer fundamento.
também eu me sinto discriminado.EXIJO SER ESCUTADO JÁ!!!
Muito inteligente este artigo. Deve ser lido com atenção.
O Juiz controla as escutas, se tem ou não têm interesse ele pode ouvi-las na mesma e verificar o seu teor.
quem não vive do crime não teme ser escutado, a mim podem-me escutar todos os dias a toda a hora