Foto Paulo Duarte
Caso está a ser julgado no Tribunal de Aveiro
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21.02.2013  18:53
Volkswagen rejeita defeito de airbag
A Volkswagen rejeitou esta quinta-feira em tribunal a existência de qualquer defeito no airbag da viatura de uma mulher que ficou cega na sequência de um acidente de viação, em Aveiro, e que reclama uma indemnização de 883 mil euros.

Os factos remontam a 21 de março de 2005, quando Edite Paciência, de 37 anos, que circulava na estrada do Carrajão, em Oliveirinha, Aveiro, colidiu de frente contra um pesado de mercadorias.

A automobilista alega que embateu de forma "violentíssima" com a face no volante, porque o airbag não abriu, tendo sofrido lesões que a deixaram com uma incapacidade total e permanente de 96,95%.

Nas alegações finais que decorreram hoje, no tribunal de Aveiro, o defensor da Volkswagen disse que não podem ser assacadas quaisquer responsabilidades à construtora automóvel alemã, porque o volante que estava na viatura, na altura do acidente, não era o original.

"O airbag não abriu, porque não estava lá", disse o advogado Dias Gonçalves, recordando o testemunho dos quatro bombeiros que participaram nas operações de desencarceramento e que disseram que "o volante da viatura não estava equipado com airbag", ao contrário do volante original.

O causídico sublinhou ainda a "surpresa" manifestada por várias testemunhas quando confrontadas com o volante original da viatura, que a autora juntou aos autos, mas que as mesmas não reconheceram como sendo o volante que equipava a viatura no dia do acidente.

"As testemunhas disseram que o volante estava estilhaçado no centro e este não estava estilhaçado", assinalou o advogado que defende a Volkswagen.

Dias Gonçalves lamentou ainda que não tivesse sido possível fazer uma perícia ao automóvel sinistrado, porque a autora "entendeu alienar o veículo para a sucata".

"Só este meio de prova podia demonstrar se, de facto, as circunstâncias do acidente eram de modo a provocar a ativação dos aparelhos e se os airbags tinham aberto ou não, no momento da colisão", afirmou.

Os advogados da SIVA, importadora da Volkswagen em Portugal, e da empresa que vendeu o veículo ligeiro de passageiros à autora, que são coarguidos no processo, também levantaram dúvidas em relação ao volante da viatura, admitindo que a autora terá trocado o volante original por outro sem airbag.

O advogado de Edite Paciência pediu a condenação das rés, com exceção da SIVA, atribuindo as lesões sofridas pela sua cliente, na sequência do acidente, a um "defeito no airbag que não deflagrou, como devia ter acontecido".

Mário Oliveira realçou ainda que a autora "continua bastante afetada e tem dificuldades em dormir", justificando que a mesma deixou de comparecer às sessões de julgamento, porque a fizeram reviver o acidente.

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