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A maioria das mulheres abortou nas unidades de saúde públicas pelo método medicamentoso
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01.04.2011  00:30
Há mulheres que já fizeram 10 abortos
Duzentos e cinquenta e uma mulheres já fizeram três ou mais abortos, revela um relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que identifica quatro mulheres que já abortaram mais de dez vezes.

Segundo o relatório, o total de abortos em 2010, independentemente dos motivos, foi de 19 436. Desses, 97 por cento (18 911) foram realizados a pedido da mulher.

Duarte Vilar, da Associação Portuguesa de Planeamento Familiar, afirmou ao CM que "a repetição dos abortos aconteceu de forma clandestina". Nessas circunstâncias, diz, "não há técnicos a encaminhar as mulheres para as unidades de consultas de planeamento familiar". Segundo o sociólogo, 13% das mulheres não usam contraceptivo e "importa perceber porquê e porque repetem os abortos". A associação está a ultimar um estudo, a divulgar dentro de dois meses, sobre "o problema das repetições de aborto".

Já o obstetra e coordenador do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira Silva, defende que as mulheres que abortam nos hospitais públicos e faltam à posterior consulta de planeamento deveriam pagar a intervenção.

"Não devemos pagar com os nossos impostos um segundo aborto a uma pessoa que, irresponsavelmente após o primeiro, falta à consulta", disse.

Lisa Vicente, da DGS, considera "fundamental que o Estado proporcione consultas de planeamento e contraceptivos gratuitos".

MAIS DE 100 ADOLESCENTES ABORTARAM

A maioria dos abortos foram feitos por mulheres entre os 20 e os 34 anos. Porém, foram realizadas 101 interrupções por raparigas com menos de 15 anos. Dos 15 aos 19 anos abortaram 2214 jovens, revela o relatório da Direcção-Geral da Saúde. Quase 40 por cento das mulheres (7494) que abortaram em 2010 não tinham filhos, 5492 tinham um, 4321 dois e 1176 três filhos. A maioria das interrupções foi feita nos hospitais públicos (12 946). O método cirúrgico com anestesia geral foi o mais escolhido no sector privado (5651 das 6061 interrupções), enquanto no público a opção recai sobre o medicamentoso (12 404 das 12 535 efectuadas). Lisboa é a cidade com maior número de interrupções da gravidez (6842).

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