Foto D.R.
Após a desinfecção das virilhas e a anestesia da pele da virilha coloca-se um cateter numa artéria dessa virilha e começa-se por obter radiografia dos vasos pélvicos para avaliação
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23.09.2012  01:00
Embolização para salvar próstata
Urinar às pinguinhas, ter urgência em encontrar um sanitário ou não conseguir esvaziar a bexiga são sintomas que atormentam o dia-a-dia de muitos homens. Em Portugal, 70% dos homens com mais de 65 anos são afectados pela próstata aumentada, que cria uma obstrução ao fluxo de urina.

Uma das alternativas para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata é a embolização da artéria prostática – técnica inovadora, minimamente invasiva, no alívio dos sintomas. "Trata-se de um tratamento inovador em que Portugal é pioneiro. Na intervenção não há perda de sangue, o doente leva anestesia local e vai para casa no mesmo dia, retomando a sua vida normal", diz ao CM o médico e radiologista de intervenção Martins Pisco, responsável pelo desenvolvimento da técnica, desde Março de 2009, no Hospital Saint Louis, Lisboa.

A cirurgia custa 4300 euros e destina-se a doentes com mais de 50 anos, que tenham próstata aumentada, isto é, com peso superior a 40 gramas. "Já operámos 316 pessoas. Muitos estrangeiros vêm a Portugal para serem tratados. A taxa de sucesso inicial é entre 85 e 90%". O tratamento não coloca em risco a vida sexual dos pacientes, garante o especialista, frisando que "cerca de um terço melhora a parte sexual, pois deixam de tomar os medicamentos". Além disso, refere, "é uma esperança para quem só urina com algália".

Médicos de todo o Mundo têm vindo a Portugal assistir à operação, que pretende travar algumas consequências da hiperplasia benigna: retenção e infecção urinária, cálculos renais ou insuficiência renal. Contudo, apesar de se cumprir o objectivo de atrofiar a próstata e os sintomas desaparecerem, nem sempre se consegue reduzir o volume. "Em 20% dos doentes que melhoram, a próstata não reduz de dimensões. Mais importante que a redução do volume é a melhoria dos sintomas", diz Martins Pisco, ressalvando que "se as artérias prostáticas estiverem muito envolvidas por arterosclerose, há uma alta probabilidade de insucesso".

PACIENTE TEM ALTA NO PRÓPRIO DIA

Na cirurgia de embolização, é feito um pequeno orifício na virilha, através do qual é colocado um cateter. Depois, através do cateter, várias partículas embolizantes de pequenas dimensões são injectadas numa das artérias prostáticas, entupindo assim os ramos que irrigam a próstata. O paciente tem alta no próprio dia.


"DECIDIDOS A MUDAR DE VIDA": Martins Pisco, Radiologista de intervenção

Correio da Manhã – A embolização é dolorosa?

Martins Pisco – Não. O procedimento é feito através de anestesia local e não provoca dor. O paciente pode sentir-se melhor logo no primeiro dia.

– É a primeira vez que desenvolve esta técnica?

– Não. Tudo começou com a embolização das artérias uterinas, que trata os fibromiomas na mulher. Centenas já engravidaram.

– Os homens já não sentem vergonha em procurar tratamentos para o problema da próstata?

– É verdade. Muitos vêm acompanhados pelas mulheres e estão decididos a mudar de vida.

– A partir de que idade se deve fazer uma avaliação de rotina?

– Qualquer homem a partir dos 50 deve consultar o urologista.

"SINTO-ME UM HOMEM NOVO"

Martinho dos Santos, com 250 gramas de próstata, submeteu--se à cirurgia de embolização. Os primeiros resultados não podiam ter deixado o doente mais contente. "É uma grande felicidade. Antes urinava entre cinco a seis vezes por noite e agora só me levanto uma vez. Já não sinto aquela sensação de não ter esvaziado a bexiga por completo. Sinto-me um homem novo e feliz. Quero recuperar a minha qualidade de vida", conta ao Correio da Manhã o exportador de laranjas, de 65 anos.

Há 10 anos que o dia-a-dia de Martinho dos Santos, residente em Silves, era afectado pela dificuldade em urinar. Ao Correio da Manhã recorda os momentos difíceis, sobretudo dos últimos três anos. "Urinava mal, tinha a sensação de que a bexiga não esvaziava totalmente e ia constantemente à casa de banho. A medicação já não adiantava nada", refere.

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