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Polícia brasileira tem poucas pistas relativas ao homicídio de Rosalina
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09.08.2010  00:30
Silêncio cobre morte de Rosalina
Ex-deputado explica ao CM que foi o próprio a contactar a polícia do Rio

Uma cortina de silêncio cobre a morte da portuguesa Rosalina Silva Cardoso Ribeiro, assassinada aos 74 anos, a 7 de Dezembro do ano passado, em Saquarema, litoral do Rio de Janeiro. Companheira durante três décadas do milionário português Lúcio Tomé Feteira, que morreu em 2000, Rosalina disputava na justiça a fortuna deixada pelo empresário, de que se tornara amante em 1967.

Segundo a polícia do Rio de Janeiro, Rosalina foi executada com dois tiros à queima-roupa, um na testa e outro no peito, em Saquarema, a 90 km da capital carioca, duas horas depois de ter saído de casa – foi filmada pela videovigilância (ver imagens em cima) –, situada na praia do Flamengo, zona Sul do Rio, para se encontrar com Duarte Lima, que tinha ido ao Brasil a pedido da própria Rosalina, cujos interesses o conhecido advogado e ex-deputado defendia em Portugal.

O corpo de Rosalina foi encontrado no dia seguinte, numa estrada onde costumam ser abandonados carros roubados. Sem identificação, só foi reconhecida duas semanas depois. A pasta com documentos que carregava ao sair de casa desapareceu, mas quem a matou não ligou ao valioso relógio, anéis e brincos, o que afasta a hipótese de assalto.

Oito meses depois do crime, o departamento de homicídios da Polícia Civil esbarra no silêncio dos poucos que conheciam Rosalina e no facto de a última pessoa a vê-la viva, Duarte Lima, viver em Portugal. De acordo com a polícia, Duarte Lima confirmou por fax ter-se encontrado com a sua cliente no Rio de Janeiro naquela noite, deixando-a depois na região de Maricá, na companhia de uma mulher loura. A polícia tenta reconstruir o seu percurso a partir daí.

TINHA TERRENOS NO ESTORIL

Nos últimos dez anos, desde a morte de Tomé Feteira, Rosalina Ribeiro estava envolvida numa acirrada disputa pela milionária herança deixada pelo milionário, reclamada também por uma filha que este teve em Portugal num outro relacionamento extraconjugal. Só no Brasil estima-se que Feteira deixou o equivalente a 35 milhões de euros.

Considerado há algumas décadas um dos mais ricos da Europa, Feteira, filho de um industrial da área de vidros, expandiu os negócios do pai e era o dono do terreno onde hoje está o Autódromo do Estoril. Foi vendido por ele em 1972. 

NOTA DE DOMINGOS DUARTE LIMA 

ADVOGADO INFORMOU POLÍCIA

Relativamente a uma notícia hoje publicada referente à morte ocorrida no Brasil, no início de Dezembro, da minha ex-cliente D. Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro, e que contém incorrecções factuais, venho esclarecer o seguinte:

1. Tive uma reunião de trabalho no Rio de Janeiro, no dia 7 de Dezembro de 2009, a pedido da própria, com a srª D. Rosalina Ribeiro.

2. Passados alguns dias, e já em Portugal, tomei conhecimento de que a minha cliente se encontrava desaparecida desde esse mesmo dia 7, e que do seu desaparecimento fora feita a respectiva participação às autoridades policiais competentes.

3. De imediato, e por iniciativa própria, enviei uma comunicação escrita às autoridades brasileiras, dando nota detalhada do encontro que a mesma tivera comigo, no sentido de as ajudar a reconstituir o último dia em que ela fora vista.

4. No dia 21 de Dezembro de 2009 fui informado de que a minha ex--cliente fora encontrada, e que havia sido vítima de morte violenta.

5. Como é natural, e tendo sido uma das pessoas que se encontrou com a srª D. Rosalina Ribeiro no dia do seu desaparecimento, as autoridades brasileiras quiserem ouvir o meu testemunho, testemunho esse que prestei na devida altura. Não tem por isso fundamento qualquer referência, como aquela que foi feita na aludida notícia, de que solicitei para ser ouvido por carta rogatória.

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