Foto Nuno Fernandes Veiga
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08.05.2013  01:00
"Mataram um inocente"
Pais de Marlon Correia estavam destroçados. Colegas da equipa de futebol choraram. Padre falou às autoridades.

Jacinto Correia pisa demoradamente as capas negras estendidas na escadaria da igreja de Arcozelo, em Gaia. Passo a passo recorda o filho, as últimas palavras trocadas. É um homem destruído. Carrega no coração uma dor imensa. As noites têm sido passadas em claro. Ainda acredita que Marlon vai entrar pela porta de casa, de sorriso rasgado de orelha a orelha. A multidão presente ontem no funeral do jovem, de 24 anos - assassinado no recinto da Queima das Fitas - deu-lhe uma certeza: Marlon nunca será esquecido.

"Não sabemos o que aconteceu, sabemos sim que mataram um inocente. Nesta altura não posso deixar de me dirigir às autoridades. A impunidade tem de terminar em Portugal. É preciso que se pare e pense. Por que é que isto acontece? Como se pode parar?", disse o padre José Branco durante a missa.

A cerimónia começou às 10h30 e contou com mais de mil pessoas. O caixão de Marlon Correia entrou na igreja às mãos dos colegas do Sporting Clube de Arcozelo. Ao pisarem as capas negras, sobre as quais foram colocadas rosas, os colegas que tantas vezes partilharam o campo com Marlon choraram.

Durante toda a missa, o padre fez questão de frisar que Marlon, que foi assassinado com dois tiros no sábado, continuará sempre presente no coração dos que o amaram. Um responsável da Universidade do Porto discursou também. Lamentou a morte do estudante da Faculdade de Desporto. Dirigiu ainda palavras de conforto à família.

À saída do caixão seguiram-se muitas palmas. Os pais e o irmão de Marlon entraram depois na carrinha fúnebre em direção a São João da Madeira, onde o corpo do jovem foi cremado. Despediram-se para sempre do filho.

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