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13.03.2013  17:31
Homicida de patrão alega legítima defesa
Arguido argumentou que agiu num quadro de legítima defesa e negou ter desviado dinheiro da empresa.

Um homem, de 39 anos, acusado de ter matado o patrão, argumentou esta quarta-feira no tribunal de Santa Maria da Feira que agiu em legítima defesa, negando ainda ter desviado dinheiro da empresa, como sustenta a acusação.

"Nunca tirei dinheiro da empresa", afirmou, no início do julgamento, Paulo Rocha, que é suspeito de ter matado, em maio de 2012, o gerente da Presdouro, uma empresa de prefabricados em betão, em São João de Ver.

O arguido dedicou a maior parte do seu depoimento a explicar os movimentos financeiros da empresa, onde trabalhou cerca de 18 anos, com vista a justificar a diferença existente entre a folha de caixa e o registo diário realizado por si.

Segundo o arguido, esta diferença tem a ver com quantias em dinheiro que lhe eram pedidas pelo patrão e que o mesmo dizia para não registar no relatório.

Paulo Rocha, que além do ordenado mensal afirmou ter recebido gratificações "por fora", que podiam chegar aos dez mil euros por ano, negou ainda que tivesse acesso aos códigos para movimentar as contas bancárias da empresa e do falecido.

O arguido relatou depois que o crime aconteceu durante uma discussão no final de um dia de trabalho, quando os dois se encontravam sozinhos, no gabinete do empresário.


Segundo Paulo Rocha, o patrão "queixou-se da crise e de clientes que não pagavam", chamando-o de "incompetente", e começou a exaltar-se, agredindo o funcionário com um murro no peito e pontapés, quando este se encontrava no chão.

O arguido contou ainda que tentou agarrar "alguma coisa que o pudesse ajudar", tendo aberto uma gaveta de uma secretária, onde encontrou uma faca, dentro de um saco de plástico, que espetou uma vez no pescoço do falecido.

Após este episódio, os dois deixaram o gabinete e Paulo Rocha afirmou ainda ter visto a vítima de pé, nos estaleiros da empresa, antes de sair em direção a casa, levando consigo a faca que atirou, mais tarde, para uma zona de mato.

O arguido, que se encontra em prisão preventiva, está acusado de um crime de homicídio qualificado e outro de abuso de confiança qualificado. De acordo com a acusação, Paulo Rocha, que assumiu ser o braço-direito do falecido na empresa, ter-se-á apropriado de cerca de 81 mil euros, ao longo de dois anos.

Para evitar ser descoberto, o arguido terá decidido matar o empresário, "planeando a sua atuação ao pormenor". Segundo relata o Ministério Público, o arguido chegou a deslocar-se à empresa para assistir às manobras de reanimação do falecido, mostrando sempre "um ar chocado, mas calmo".

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