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07.12.2004  00:00
Cientistas alertam para os perigos do sexo oral
Um estudo da Universidade do Texas vem lançar um novo alerta sobre o risco de transmissão do vírus da sida através do sexo oral. Uma investigação realizada em macacos concluiu que o vírus se espalha muito rapidamente da boca para o resto do corpo.
“Temos menosprezado pontos de entrada para o vírus da sida”, afirmou Donald Sodora, um especialista em doenças infecciosas da Universidade do Texas. “O estudo mostra que a exposição oral ao VIH é uma das formas em que uma pessoa pode ser infectada. Sabemos que os bebés podem ser infectados através do leite materno. Não será um exagero pensar que o sémen também pode infectar oralmente. Não penso que esta seja uma forma de praticar sexo seguro.”
O objectivo do estudo foi saber como o vírus da sida entra no corpo humano quando em contacto com mucosas e membranas. Os resultados são surpreendentes. Apenas um dia depois de o vírus ter sido colocado na boca dos macacos, os animais já tinham vírus detectáveis nos seus nódulos linfáticos. Três dias depois, o vírus já estava espalhado por todo o corpo.
As conclusões são assustadoras, mas Kimberly Page-Shafer, uma investigadora do Centro de Prevenção da Sida da Universidade da Califórnia, já veio lembrar que o estudo em causa resultou da inclusão de doses muito concentradas de vírus na boca dos macacos e garante que o sexo oral muito raramente transmite o vírus da sida. Para prová-lo referiu um estudo anterior realizado em 400 homens que, durante um determinado período de tempo, apenas tiveram como actividade sexual praticar sexo oral. Apesar de poucos usarem preservativo e de a maior parte ter diversos parceiros, incluindo pessoas que sabiam estar infectadas com o VIH, nenhum dos homens foi infectado. “Isto não significa que não possa acontecer”, alerta a investigadora, “os números apenas mostram que é muito raro”.
DAR E RECEBER
Esta é também a opinião da médica e membro da direcção da Abraço Maria José Campos. “As práticas de sexo oral podem hipoteticamente transmitir o vírus, mas o risco é infinitamente menor do que numa penetração vaginal ou anal sem protecção”, explicou.
“No entanto, se houver sémen na boca, entra em contacto com as mucosas que são tecidos muito mais frágeis do que a pele.”
O perigo, segundo explicou, está no contacto com o sémen ou com os fluidos vaginais, sendo que quem corre o risco é o receptor dessas substâncias, sobretudo no primeiro exemplo. “Está cientificamente provado que a concentração viral no esperma dos homens infectados é maior do que nas secreções vaginais de mulheres infectadas”, prossegue Maria José Campos. “E em qualquer relação sexual a quantidade de sémen envolvido é sempre muito maior.”
Quem se limita a receber o sexo oral apenas tem contacto com a saliva do parceiro. Mesmo que este tenha uma ferida na boca, a quantidade de sangue não será suficiente para transmitir o vírus.
BEIJOS NÃO TRANSMITEM VÍRUS DA SIDA
Uma das dúvidas mais frequentes, sempre que se fala em transmissão do vírus da sida, é saber se um simples beijo pode ser perigoso. Segundo Maria José Campos, trata-se de um falso problema. “No beijo, o único fluido envolvido é a saliva e a saliva não transmite o vírus”, assegura a médica da Abraço.
Mesmo um portador do vírus com uma ferida na boca não constitui qualquer perigo. “Em primeiro lugar, ninguém beija alguém que está a sangrar da boca”, explicou. “Além disso, mesmo que haja uma pequena ferida, estamos a falar de uma quantidade de sangue que não será suficiente para transmitir o vírus.”
De igual modo, como é óbvio, não há perigo nos contactos sociais. O vírus não se transmite por apertos de mão ou uso partilhado de talheres.
RISCOS E PROTECÇÃO
FERIDAS NA BOCA
Um dos riscos do sexo oral com pessoa infectada com o vírus da sida está relacionado com a possibilidade de a pessoa que tem contacto com o sémen ou os fluidos vaginais ter uma ferida na boca. O vírus tem assim uma porta para entrar no organismo.
MUCOSAS
O sémen ou fluido vaginal infectado pode passar para a garganta. As mucosas são mais frágeis do que a pele e o vírus pode entrar dessa forma, embora não seja muito comum.
PROTECÇÃO
A recomendação é que se use preservativo. No caso de sexo oral de homem a mulher ou mulher a mulher, recomenda-se o uso de uma barreira viral. Pode-se fabricar uma espécie de ‘pano de latex’, cortando um preservativo. Em último caso, um bocado de papel celofane pode servir para o mesmo efeito.
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