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26.11.2012  01:00
"Vamos duplicar voos para Lisboa"
Temel Kotil, presidente da Turkish Airlines, revela ao CM que a sua companhia, uma das maiores do Mundo, vai fazer mais voos e criar uma nova rota para a cidade do Porto

Correio da Manhã – Quais os motivos que têm levado a Turkish Airlines a investir em Portugal?

Temel Kotil – Istambul está ao mesmo tempo na Europa e na Ásia, e todo o mercado europeu é muito interessante. Lisboa é o nosso destino europeu mais longínquo, e a nossa rede de destinos tem de incluir Portugal para ligarmos o Mundo. E temos tido cada vez mais passageiros de Lisboa que vêm visitar a Turquia, outros seguem para outros des-tinos que oferecemos na Ásia. Servimos de plataforma entre a Europa e a Ásia.

– A ligação Istambul-Lisboa começou em 2005 com três voos semanais, e agora tem uma frequência diária. Esta rota tem superado as expectativas?

– Temos tido uma resposta de tal modo impressionante desta rota, que decidimos passar a ter dois voos diários entre Lisboa e Istambul muito brevemente. Não só é bom para as duas economias, como sabemos que Lisboa pode servir de ponto de ligação a outros mercados, como a América do Sul. E por semana, temos 2100 passageiros a usarem esta rota.

– E vão ficar por aí?

– Queremos melhorar ainda mais as ligações a Portugal. Vamos entrar no Norte do País, com voos directos para o Porto, em 2014. E queremos que os portugueses não fiquem apenas em Istambul. Se quiserem ir para a Rússia, temos oferta; se quiserem visitar o Oriente, temos voos. Em Junho, abrimos Santiago de Compostela-Istambul.

– É prudente fazer essa aposta em tempo de crise?

– Temos 205 rotas e para o ano vamos lançar mais 23 destinos. A crise é global, mas pode ser combatida localmente. E o nosso crescimento prova exactamente isso.

"NUMA COMPANHIA ESTATAL FAZ-SE MENOS"

CM – A TAP, parceira da Turkish Airlines na Star Alliance, vai ser privatizada. Como vê essa operação?

T. K. –Não quero falar da TAP em concreto, mas posso dar o exemplo da Turkish, que até 2006 foi estatal. Como companhia do estado, existia uma cultura de que podíamos trabalhar menos horas, esforçarmo-nos menos.

– E isso tinha implicações no desempenho da companhia aérea?

– Claro. Se tínhamos de escolher entre dois ou três produtos, fossem aviões, simuladores, ou refeições, o facto de sermos do estado obrigava-nos a comprar sempre o mais barato, mesmo sabendo que não era o melhor.

– Então defende que a TAP deve ser privatizada?

– Essa é uma decisão do Governo de Portugal, pelo que não comento. Mas considero que não há esperança quando o estado se intromete em empresas. A Turkish cresceu depois de ser privatizada.

PERFIL

Temel Kotil nasceu em 1959 na cidade turca de Rize e estudou nos EUA, onde se doutorou em Engenharia Aeronáutica. É desde 2005 CEO da Turkish Airlines, e a primeira rota que inaugurou foi a de Lisboa. 

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