Foto NUNO FERNANDES VEIGA
Os tubos vermelhos, capazes de iluminar 1500 casas, estão parados junto aos barcos, em Leixões
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26.04.2012  01:00
Ondas de milhões abandonadas
Arrancou na Póvoa de Varzim, em Setembro de 2008. Com mais de dois anos de atraso, o projecto ‘Parque de Ondas da Aguçadoura’ era a grande aposta de Manuel Pinho, ministro da Economia do Governo de Sócrates. A iniciativa, que pretendia gerar energia a partir das ondas do mar, acabou por não resultar – e a infra-estrutura, que custou milhões, está agora ao abandono no porto de Leixões.

O projecto, avaliado em nove milhões de euros, teve uma participação de 15% do Estado. Foi então criada a Companhia da Energia Oceânica, uma empresa operacional com a participação da Enersis (à data, detida na totalidade pela Babcock & Brown) e da Pelamis Wave Power, que construiu a infra-estrutura. A EDP também entrou na iniciativa como parceira, já que é proprietária do cabo que transfere a energia do mar para a terra.

O Parque de Ondas da Aguçadoura foi concebido para acolher três máquinas Pelamis, que deviam produzir o suficiente para iluminar 1500 casas. No entanto, e depois de um arranque promissor, o projecto não funcionou. As condições climatéricas, as particularidades do local e as avarias técnicas terão estado na origem do mau funcionamento das máquinas – e terão ditado o fim da ambiciosa iniciativa, menos de um ano depois da instalação.

A infra-estrutura foi então retirada da Aguçadoura e transportada para o porto de Leixões, onde ainda se mantém. Contactada pelo nosso jornal, a administração do porto remeteu-se ao silêncio, garantindo que não teve qualquer envolvimento no projecto. A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim diz apenas que não teve responsabilidades na iniciativa e Paulo Martins, representante da Pelamis em Portugal, afirma que o projecto nunca foi comparticipado pelo Estado. "A máquina avariou e foi substituída. Era apenas um protótipo que foi instalado sem garantia de compra", adianta.

MÁQUINAS NOVAS AINDA SE MANTÊM NA AGUÇADOURA

O primeiro projecto ‘Parque de Ondas da Aguçadoura’ não resultou, apesar da tentativa de reparação que levou a EDP e a Efacec a adquirir, por 2,5 milhões de euros, os 77% que a Babcock & Brown detinha. Assim, a empresa pública de energia ficou com a posição maioritária do consórcio. Meses depois, a Pelamis abandonou a iniciativa e foi substituída por outra empresa – que apresentou o ‘Wind Float’, um novo protótipo que ainda hoje funciona na Póvoa de Varzim.

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