Foto Lucas Jackson/Epa
Renato Seabra, 21 anos, continua em prisão preventiva pelo homicídio de Carlos Castro, 65, a 7 de Janeiro, num quarto do hotel InterContinental
07.02.2011  00:30
Renato Seabra: Acusação implacável
Procuradora vai avisar advogado de que, sem acordo quanto à pena, conta chocar o júri exibindo as fotos do cronista estendido numa poça de sangue e do saca-rolhas usado na mutilação.

Fotografias chocantes do cenário do crime, onde se vê o estado em que ficou o corpo de Carlos Castro, estendido numa poça de sangue; objectos recolhidos do quarto de hotel, como o saca-rolhas cuja lâmina serviu para mutilar o cronista, ou o ecrã de televisão com que a vítima foi atingida no crânio. Tudo provas que estão neste momento a ser organizadas pela polícia – e que a procuradora Maxine Rosenthal conta exibir no julgamento de Renato Seabra com o objectivo de chocar o júri.

Tudo isto somado à prova testemunhal – hóspedes do hotel InterContinental que ouviram a violenta discussão entre os dois amantes – e, caso o advogado de defesa não a consiga anular junto do juiz, à confissão do próprio Renato feita à polícia no dia do homicídio, com todos os detalhes, faz hoje um mês.

Nas negociações que se seguem, na tentativa de acordo para a fixação de uma pena sem recurso a julgamento, o advogado David Touger vai acenar à magistrada com a hipótese de conseguir que os médicos declarem a insanidade temporária de Renato, o que implica uma pena abaixo de 25 anos. E, por isso, antecipa ao CM fonte judicial, Maxine "vai ser implacável" a negociar – fazendo ver ao advogado que, caso a estratégia deste falhe, o cliente será arrasado em tribunal. Corre sérios riscos de perpétua.

Depois de Renato se ter declarado inocente face à acusação de homicídio em 2º grau formalizada, o District Attorney de Nova Iorque, equivalente ao Ministério Público, já se prepara "para a guerra".

CONFISSÃO COM DETALHES É UM TRUNFO

As declarações prestadas por Renato à polícia de Nova Iorque no momento da detenção podem ser um importante trunfo da acusação – "fazem prova inequívoca da autoria do crime e, mais importante, pela forma como o jovem [Renato] confessou tudo a um polícia, com todos os detalhes, podem deitar por terra a teoria de perturbação mental, pelo discurso coerente que conseguiu apresentar nas suas declarações", segundo fonte judicial. Mas só a 4 de Março se saberá se a confissão é ou não válida – o juiz vai decidir perante alegações da defesa e eventual apresentação de relatórios médicos. A confissão é importante para a acusação, até porque Renato não deverá prestar mais declarações à polícia. Pode recusar-se a falar e, caso fale, será agora sempre sob presença do advogado, que o aconselhará.

ANÁLISE EXAUSTIVA DE PROVAS

A coordenação está a cargo da procuradora Maxine Rosenthal, mas é a polícia que continua a analisar os dados recolhidos. "A procuradora dá indicações sobre o tipo de provas necessárias e como devem ser organizadas", diz fonte policial. A organização passa por catalogar provas e analisá-las "as vezes que forem necessárias", assim como ouvir de novo as testemunhas. Há também a possibilidade de aparecerem novas provas e novas testemunhas durante a preparação da estratégia acusatória. "Às vezes, vemos um filme ou uma fotografia e descobrimos provas que não tinham sido identificadas".

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