Foto João Cortesão
Se o marido tem uma amante é a pergunta mais ouvida pelos videntes
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08.01.2012  22:00
Histórias de videntes
Nas linhas das mãos, nas cartas ou até em borras de chá dizem ser capazes de prever tanto os problemas como a felicidade

O Inverno cala o pio na porta número cinco no beco da rua da Primavera, em Lisboa, no escritório da cartomante e quiróloga do jet-set: Zila Rocha, a mulher que conquistou a confiança de um rol de figuras públicas, ao ponto de terem aceite o desafio de expor os traços das suas personalidades no livro ‘Linhas das Mãos dos Famosos - Aprenda as Ler as Suas' [ed. Europa-América]. Fernando Póvoas, Vítor Baía, Manuel Luís Goucha, Marina Mota, Merche Romero e Rita Guerra, entre tantos outros, ilustram a capa do sucesso editorial. Angélico ficou de fora. Morreu. Zila avisou o cantor de que não castigasse o pedal do acelerador. Mas falando com franqueza, se uma fatalidade é prevista, não importa se o ponteiro do cronómetro ultrapassa o limite ou se o automóvel está parado. É só uma questão de tempo até uma criatura ser moradora do céu. "A pessoa acaba mesmo por morrer".

Zila não é profeta, apenas possui a visão sobrenatural que lhe oferta uma predisposição para acertar na ‘mouche'. Inclusive, ser capaz de desvendar segredos do passado trancados a sete, dez chaves e tem até convencido alguns cépticos. O top da desconfiança reside na inaptidão de entregar de bandeja os números do Euromilhões. "Isto não é assim". É da seguinte forma: é obrigatório que as manápulas do sortudo tenham explícito o ano, mês e dia dessa taluda. Mas os portugueses não a procuram para enriquecer: "São razões profissionais, sentimentais e de saúde". Vidente é o sinónimo compulsivo que traduz tamanha capacidade. Errado. Cuidadinho com as palavras. "Esse nome assusta um bocado".

O que assusta é o dom de uma senhora de 52 anos ser como o anúncio do Constantino: a fama vem de longe. A infância, em Aveiro, não teve direito a bonecas, os baldes de pedras que acartou apagaram-lhe as linhas das mãos, mas não lhe levaram o instinto. Já em criança o dote tinha farol promissor: "Eu olhava para as mãos das pessoas e o que eu dizia batia sempre certo". Acertava, sem piedade, com zelo infantil, mistérios, óbitos, divórcios, maleitas, boas notícias e péssimas novidades.

Nunca aprendeu a arte da adivinhação, não frequentou nenhum curso de quiromancia ou cartomancia. "Nasci com esta intuição e desenvolvi-a. É um amor incontrolável que sinto". Afectos que justifica no auxílio ao próximo, prevenindo doenças, dando dicas para fugir a calotes financeiros, advertindo que existem atalhos que merecem as costas. "O destino está nas nossas mãos".

Após vinte e quatro horas da morte habitar o corpo - diz -, as linhas desaparecem. Nos vivos, felizmente, há muitas, embora as principais sejam: cabeça, coração e destino, não esquecendo a da saúde, que é a única possível de ser alterada.

VIVINHO DA SILVA

Zila fala da prevenção de acidentes cardiovasculares: "Eu consigo evitar". A voz é do tipo soprano, muito baixo. Disse a uma cliente, durante uma consulta, que o marido devia submeter-se a um exame ao estômago. Ele abraçou o recado. Ainda bem. Teve sorte. O diagnóstico rimava com azar. Cancro. Está vivo da silva. Advertiu outra madama para abrir a íris; o marido saudável preparava-se para zarpar com a clandestina. "Evitei que a minha cliente ficasse lesada em um milhão e setecentos mil contos [oito milhões e 500 mil euros]". O sexo feminino é quem mais a procura. As causas repartem-se num leque variado, embora o tema sentimental suba à posição cimeira.

Para interpretar uma vida inteira numa simples mão não bastam os traços que nela moram; contam também as formas dos dedos e das unhas. Mas antes de avançar para o prato principal é necessário digerir a entrada: "Todos nascem com um carma". A função de Zila é pura: "Dou directrizes para que a passagem pela vida seja a melhor possível". A rotina de uma consulta cinge a disciplina implacável: "Eu faço uma tiragem geral com as cartas, vejo se a pessoa teve um corte no trabalho, uma separação, uma perda familiar, etc., e depois confirmo as datas e os detalhes nas mãos; vejo a idade em que tudo aconteceu ou ainda acontecerá". Quem vai à consulta não lança perguntas, nem as lança a cartomante. As cartas dirão o básico. Depois, uma incursão à mão direita ditará mudanças de casa, casamento, na esquerda assinalam-se perdas e viuvez - salvo seja.

De nada serve o cagaço da arquitecta da reportagem. De pouco também serviu a Josefina o facto de Napoleão ter mandado prender Mademoiselle Lenormand quando esta leu nas mãos do imperador a sua intenção de se divorciar. Zila mistura o baralho curvado do uso, junta-o, poisa-o na secretária e parte-o ao meio. Os olhos seguem a ordem dos naipes, dos algarismos e das figuras que vão saindo. As supostas exactidões são ditas como facas meigas. Há bem-dispostas que tremem das pernas - é o caso -, mas é preferível que as enrijeçam. "Se pagam é para ouvirem a verdade, não é".

E a verdade custa setenta euros por uma consulta de sessenta minutos. O fotógrafo é corajoso. Entrega a mão direita. O foco ilumina-lhe a palma. O transferidor de plástico vai medindo a minúcia do tempo. Não há mão, sequer falange, que possa ser equiparada. Nem gémeos impõem a igualdade. Tão-pouco Zila, que é gémea de uma irmã que ficou com sequelas de um parto amador, conseguiu alterar o seu destino.

O TIO DE DANIELA RUAH

O registo completo do bilhete de identidade do místico Lobo Vermelho não é chamado para a peça jornalística. Não há nome, idade, local de nascimento: "Ver mais do que aquilo que é físico é um dom natural do ser humano. Mas como vivemos numa sociedade destrutiva, as pessoas não desenvolvem essa apetência". Então, por natureza, todos, sem excepção, somos videntes. "Muitas vezes a questão é ouvir". Traqueias do além. Ouviu uma vez uma. Tinha tido três acidentes numa semana, o último quase o deixou atravessado na linha do comboio. Durante quatro anos este Lobo não uivou.

Ao fim desse tempo teve a recompensa: "A voz disse-me para dividir o mapa de Israel em seis partes e que o lugar para onde eu deveria ir estava na quinta parte". Bingo. Kibutz Saar, onde reside uma amiga de longa data, e foi lá que conheceu a futura cara-metade, casou e teve um filho. "O que vejo é para partilhar". Este Lobo, que é tio da actriz Daniela Ruah, suporta uma estrutura interior que lhe permite distinguir o que vale a pena e o que merece a direcção da gaveta. "Se sinto que alguém quer saber, eu ofereço-me, com gosto, para ajudar". Se vê algo que a pessoa não pediu para ser tratado, os seus lábios cosem.

Aos coscuvilheiros não sobram hipóteses. A interrogação típica nacional "será que o meu parceiro arranjou uma amante?" fica, para todo o sempre, sem troco. O Lobo Vermelho não apadrinha cores podres: "Digo--lhes para perguntarem ao próprio". A desresponsabilização de prescindir da vidência é a culpada do estado em que a vidinha de muitas almas anda. O medo excessivo, igualmente. "Quem não tiver um bocadinho de medo divaga de olhos vendados".

A magia do Lobo entrou às claras pelo portão principal na juventude e nunca mais o largou. Licenciou-se em Informática no Instituto Technion, Haifa, e seria em Israel que o esoterismo atingiria a velocidade de cruzeiro ao ter sido discípulo da Cabala e do Tarot. A jornada incorpórea elevar-se-ia no momento em que motivos profissionais o conduziram ao Brasil. Atingiu o 3º nível do Reiki Xamânico, aprendeu a trabalhar com cristais e plantas. "A vibração vem do coração e não da cabeça". A sua licenciatura é familiar directa de computadores, mas o mundo onde tudo corre com velocidade tinha os dias contados. De regresso a Portugal, em 2002, deu cursos de Cabala e outros de linguagens espirituais. " Saí do foco comercial já faz algum tempo e só raramente dou consultas a amigos".

Conta que prepara, em breve, nova viagem, mas antes da nova incursão espiritual desembrulha o que vive no pano amarelo. Um baralho do Tarot Mitológico. "É um dicionário, uma caneta para eu escrever o que vejo. A sua leitura permite exprimir de uma forma mais organizada uma visão". Que Deus nos ajude. O fotógrafo baralha as cartas, aliás reorganiza a matéria, corta o baralho com a mão esquerda por estar do lado do coração, a direita manter-se-á quieta na perna. "A psicologia é o primeiro passo para entrar na essência das coisas. Eu não quero brilhar. Se quisesse só faria o que é mágico".

Em lembrança às dez emanações de Ain Sof - Todo o Supremo - da Cabala, o valente da fotografia escolhe dez cartas. Uma de cada vez será aberta. Ao centro fica a primeira carta, simbolizando o cerne da questão, a segunda, cruzada, serve para saber o movimento do arrojado, a terceira intitula-se consciente, a seguinte, a do subconsciente, traduz a chave das anteriores, a quinta recebe o nome "antes" porque aponta o estado da situação, a sexta caracteriza o possível, a postura mora na sétima, a forma como os outros olham para nós encaixa na oitava, a nona reflecte o rumo/objectivo e a décima conclui o resultado final. O sol do Guincho ilumina a frase do Lobo Vermelho: "Não há cartas boas ou más. Depende do contexto". E não há futuro. Melhor assim. Tudo em aberto.

O FLASH ROUBA A ALMA

Só há luz no canto da sala. O resto da claridade ascende dos olhos de uma senhora que cumpriu os noventa anos. Que pena que não se deixe fotografar. O flash rouba a alma, diz. Na mesa cabe um beato no postal, uma chávena transparente repousa em cima do pires e um bule cheio de água fervida com chá preto da Jordânia. Dona Emília não precisa de nada mais. Para ler, ver, vaticinar a vida do alheio a prática é invariável: "A pessoa bebe o chá até a chávena ficar vazia, vira-a ao contrário em direcção do pires, depois eu começo a decifrar o que vejo. É fácil".

As folhas transformam-se em imagens, de seguida em mensagens e por fim em respostas. Quanto mais perto as figuras estiverem da borda da xícara - diz - mais depressa a boa nova obtém chances de realizar-se.

Teimancia é uma técnica de vidência oriunda da China, usada pelos seus imperadores para preverem acontecimentos vindouros. Dona Emília desconhece a reputação e a origem da arte que domina. Surpreende-se com a informação que a internet oferta sobre o tema. "Não me diga?!.." Ai digo, digo, mas a lista de símbolos que a modesta Wikipédia apresenta ocasiona sorrisos num coração generoso que revela sempre o que vê. Não sobram medos para tapar os ouvidos.

"Só vejo coisas boas, a não ser que seja uma morte muito evidente". Já aconteceu, e desde essa tarde deixou de receber clientes que venham com companhia; as histórias podem-se cruzar e, longe vá o agoiro, reinará a confusão. As borras do chá garantiam um enterro de um familiar de quem vinha à consulta, mas quem acabou por se finar foi o marido da coitada que a acompanhava.

"A culpa não é minha; o que vejo é aquilo que eu digo". E a visão já a levou a tanto lugar. Percorre paisagens, lindas, em viagens astrais, e só agora, após um quarto de século, soube que o país que viu de olhos fechados é a Nova Zelândia. "O meu marido dizia que eu era uma maravilha; mal chegava à cama começava logo a sonhar".

Agradecia o humor amoroso, mas ficava aborrecida pelo facto de ninguém levar a sério a curiosidade que despertara quando ela tinha quatro anos de idade. "Perguntei aos meus pais sobre o princípio das estrelas". Mas nem o pai nem a mãe a acudiram. A metafísica dos astros fixos com luminosidade própria ficou adiada até ir viver para Moçambique, aquando do destacamento do marido. Voltou a espreitar o firmamento, entre os anos 50 e os anos 70, e os segredos do universo ficaram menos complexos. A vidência invadiu o seu caminho por obra do acaso. "Certo dia, quando já morava na cidade, estava a beber chá com uma amiga e de repente olhei para a chávena dela e vi figuras". Por estranho que pareça, e parece, não se enganou em nada. Disse tudo à amiga.

POLÍTICOS E OUTROS NOTÁVEIS

Nos anos 80 decidiu abrir uma casa no centro de Lisboa para ajudar gente da sua inteira confiança, amigos e conhecidos que se encontram aflitos, angustiados, em maus lençóis espirituais, enfim, um número considerável de fiéis que não dão um passo sem escutarem a sua opinião. "Vêm mais mulheres e ainda bem. Eu prefiro. São mais sensíveis. Os homens pensam que para serem muitos homens não devem acreditar". Mas justiça seja feita aos descendentes de Adão: assim que acreditam ficam mais crentes do que cinco mulheres devotas.

Dona Emília também recebe políticos e notáveis que passeiam em revistas. Segredo. Nem uma pista sobre as suas identidades. Só sabemos que todos bebem o chazinho, sem açúcar, para que as folhas não se colem e fiquem separadas, e desembolsam duas notas de vinte euros. "Até ser consultada por um pai de santo brasileiro, há quinze anos, eu não levava nada".

O santo pai carioca ficou abismado com uma revelação muito íntima, algo que ninguém sabia, e pediu, insistiu para que começasse a cobrar, porque é preciso ter em conta um facto: se não houver cobrança os efeitos da consulta não surtem efeito. O que não faz efeito nenhum é a Dona Emília consultar-se a ela própria. As folhas dizem o que a mestra quer e não o que tem de ser.

VOA O MARIDO PARA FRANÇA

No cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa, o aviso chega vestido de preto. "O que tem de ser tem muita força". Tanta, tanta força que se não lhe entregar a mão, aliás, as duas, o marido será raptado por uma loura. Não só. A cobiça com dentes e bigode não sairá tão cedo do corpo e da casa. A cigana abana a cabeça. Só lhe falta a vassoura para voar. Compõe o lenço descaído na franja e ata-o ao queixo. Novo aviso com pormenores: "Dê-me cá as mãos se a menina quer ser feliz". Não se pode rejeitar a felicidade, sobretudo assim, dada de bandeja. E, além do mais, no caso de recusa, as pragas estão prontas para jorrarem de golfada.

O nervoso ordena a rendição, não vá ela ser familiar distante de Michel de Nostradamus, cujas profecias enigmáticas ainda hoje fazem estragos. A mão direita é dela. A esquerda idem aspas. "Ui, ui. Ai, ai". A previsão não é catita. Uma estrangeira alta prepara-se para levar o seu, o meu, marido para longe, muito longe. França. A fuga tem pernas curtas na distância mas há mais, muito mais. "Tanta inveja menina, tanta inveja!.." A dor no cotovelo é tamanha que o destino ficou estilhaçado. Caramba. "Ai menina, ainda bem que a encontrei".

Claro, vinte euros fazem desistir a louraça de zarpar com esposo alheio, e a sina retomou o segmento correcto. Não, não há descontos. A crise está pela hora da morte. Dez euros servem para solucionar cada problema. Entre um marido desaparecido em colo traidor e um destino composto, é preferível que o homem vá com bilhete só de ida para Paris. Antes livre do que ter a testa enfeitada. "Vocemessê enlouqueceu?!.. Se ele se for embora nunca mais volta. Mas se me der mais dez euros, não irá a parte nenhuma..."

JÚLIO E OS ROSTOS DOS OUTROS

O Martim Moniz é a parte internacional de Lisboa que cheira a caril e a chop suey. Contam-se pelos dedos aqueles que não são indianos, paquistaneses e chineses. Júlio é uma das excepções. Português de Alfama, nascido na madrugada de 13 de Junho. Não é astrólogo, cartomante, numerólogo, não lança búzios nem grãos de café. Nada que estejamos à espera de um homem que adivinha o improvável.

Basta olhar um minuto para o rosto da pessoa e adivinhar. Sexo dos bebés, objectos que estão dentro das malas das senhoras, as palavras que ainda não foram ditas, data de casamento, o dia do divórcio, a marca do automóvel conduzido, episódios que ficaram marcados na infância e aqueles que ainda irão marcar sem idade limitada. Uma capacidade ímpar para uma estranha premonição com origem incerta.

"Não sei como é que esta minha vida começou, mas sei que desde muito jovem dizia coisas incríveis". O vizinho iria casar num repente, a meio de uma hora de almoço, e casou. O primo divorciar-se-ia em Março de 1989, e assim aconteceu. A criança que a senhora do café carregava no ventre seria rapaz, e foi. "Começaram a chamar--me bruxo". A popularidade rapidamente propagou-se pelo bairro e arredores. E sem ter planeado viver da bruxaria, a bruxaria transformou-se na sua profissão.

O preço da consulta fica na consciência de cada um. A alma mais forreta já chegou a deixar--lhe cumprimentos. A mais generosa pagou duzentos euros após fazer as pazes com o veredicto. "E até foi pouco por tudo o que eu lhe disse e adivinhei". Contra todas as expectativas, as dificuldades económicas tinham vida tão curta como a tia do cliente. A saúde de aço da abastada senhora derreteu-se em cinzas. Deixou-lhe uma fortuna que dava para comprar toda a Baixa de Lisboa.

Curiosamente, são os homens a presença mais assídua do seu escritório na zona lisboeta da Almirante Reis. Falidos, desesperados, traídos, doentes, desempregados. Depois de conhecerem a habilidade de Júlio não querem outra coisa. "Muitos recuperam o ânimo e o dinheiro na carteira, a saúde, a mulher, e são promovidos". Nem tudo é um oceano de rosas. Se não há volta a dar, Júlio não inventa. O fulano que só lhe oferecera um aperto de mão como pagamento não gostou de saber que teria de pôr fim ao tique de esvaziar a caixa registadora do seu patrão. "Ouvi dizer que está preso. Eu bem o avisei. Gosto de encarar as coisas de frente".

Júlio só vira o lombo à fotografia, porque o clarão da Nikon encandeia os poderes transcendentes. "E não duvide de que eu os tenho. Já vi que temos algo em comum". E temos. Nascemos na mesma madrugada do mesmo ano, com cinco minutos de diferença na hora.

SALAZAR E O ALINHAMENTO DOS ASTROS

O presidente do Conselho consultava videntes e astrólogos e decidia em função do "alinhamento dos astros", diz Fernando Dacosta, autor de ‘As Máscaras de Salazar' [ed. Casa das Letras]. Das figuras que gravitavam à sua volta, "a mais influente era Maria Emília Vieira, casada com o jornalista Norberto Lopes, e que, durante anos, manteve páginas de horóscopos em jornais. Ela passava horas ao telefone com Salazar, previu o atentado e até mesmo o acidente no Forte, que o vitimou. Nunca disso o avisou e ficou tão assustada que nunca mais lançou cartas", conta.

Dacosta recorda ainda ‘Joãozinho de Alcochete', ervanário e curandeiro "que chegou a ser recebido pela rainha de Inglaterra e cuja ligação com Salazar acabou abruptamente", e "uma senhora francesa, heroína da resistência, que matou nazis com agulhas de croché e se exilou em Lisboa. Morava em Arroios e ia de eléctrico a São Bento". A crença de Salazar pode ser entendida à luz da época. "Todos os ditadores de então, Mussolini, Franco, Hitler, tinham astrólogos a seu lado".

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