Ameaça de catástrofe humanitária em África
Somália: 780 mil crianças em risco de morrer à fome
A Unicef alertou esta sexta-feira que 780 mil crianças que vivem na Somália podem morrer à fome se não receberem ajuda imediata.
Mas os rebeldes islamitas shebab rejeitaram o alerta emitido pelas Nações Unidas em relação às regiões que controlam: "Há uma seca na Somália mas não há fome, o que foi declarado pela ONU é falso a 100 por cento", disse o xeque Ali Mohamud Rage, porta-voz dos rebeldes, considerando que esta "declaração de fome é política". Já um alto responsável shebab, que pediu para não ser identificado, tinha considerado bem-vindo o alerta da ONU
O aviso sucede depois de na terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) ter afirmado que 500 mil crianças enfrentavam "um iminente risco de morte" na Somália devido à seca e ao conflito armado.
Estes números referem-se apenas à Somália mas a porta-voz do Unicef em Genebra, Marixie Mercado, sublinhou que há 2,3 milhões de crianças em situação de "desnutrição severa" no Quénia, Etiópia e Somália.
A ONU decretou quarta-feira a situação de crise de fome em Bakool e Lower Shabelle, duas regiões do sul da Somália, algo que não sucedia desde 1992.
Trata-se da "pior crise alimentar" dos últimos anos, afirmou a ONU, que apelou à comunidade internacional para ajudar com 1,9 mil milhões de dólares a Etiópia, Quênia e Somália. Por enquanto, as doações representam metade desse valor. "Se quisermos salvar vidas, temos que atuar agora. Temos que fazer chegar quantidades enormes de remédios, vacinas e provisões nutricionais na região o mais rapidamente possível e entregá-los às crianças que mais necessitam", afirmou Shanelle Hall, diretora de provisões da Unicef.
A Unicef já avisou que a crise será longa e que vai iniciar um plano especial para aumentar de forma maciça as operações humanitárias no corno de África. "Estamos a preparar a nossa capacidade logística para entregar alimentos sem precedentes por toda a região", disse Hall.
porque que nas guerras a parte fragil e que sofre? neste caso as criancas. elas que deviam ser protegidas ... nao e justo e desumano!