Audiência no Hospital de Santa Maria
Santa Maria: Duas das vítimas de cegueira faleceram
Américo Palhota e António Correia, duas das seis vítimas do caso da cegueira no Hospital Santa Maria, em Lisboa, já faleceram. Os dois foram, juntamente com Walter Lago Bom, Maria Antónia Martins, Maria José Marques e Maria das Dores Rodrigues, vítimas de uma troca de medicamento no dia 17 de Julho de 2009 que lhes causou a cegueira.
Por:Cristina Serra
O julgamento do farmacêutico Hugo Dourado e da técnica de farmácia Sónia Batista, acusados de terem causado a cegueira no Hospital Santa Maria, começou esta quinta-feira nas Varas Criminais de Lisboa. À saída da audiência da manhã, as vítimas voltaram a manifestar o desejo de se fazer justiça.
Walter Lago Bom, um dos afectados, disse aos jornalistas esperar que haja condenações porque “houve culpados no erro” que os levou a ficar cegos.
CEGUEIRA EM TRIBUNAL
A audição prossegue esta tarde com a presença dos dois arguidos, tendo o colectivo de juízes dispensado a audição dos doentes que cegaram como testemunhas.
Maria das Dores Rodrigues, outra vítima do caso, não compareceu.
Na audiência desta quinta-feira, o farmacêutico Hugo Dourado afirmou que, à data dos factos, não existia um manual de procedimentos para a produção e manipulação dos medicamentos. O arguido admitiu que colaborou na elaboração de um manual uma semana antes desse documento ter sido entregue à Polícia Judiciária.
Hugo Dourado referiu que as instruções para os procedimentos do laboratório farmacêutico eram indicados, geralmente, pela coordenadora de Farmácia, Regina Lourenço.
“O Hospital Santa Maria começou a utilizar o Avastin porque dava para 40 seringas de tratamento e era muito mais barato do que o medicamento alternativo.
Os utentes aceitaram a indemnização proposta pelo hospital, que, no total, foi superior a 450 mil euros.
Se...se for feita justiça, já nem um estará para o saber. Infelizmente, em Portugal nem a justiça joga a favor dos infelizes. Precisava acontecer a algum juiz, ou a um familiar próximo, para a justiça funcionar.