José António Barreiros traduz obra de Jorge Soutomaior
Livro: EUA sabiam onde estava o paquete 'Santa Maria'
Na apresentação do lançamento do livro traduzido por José António Barreiros “Eu Roubei o Santa Maria”, de Jorge Soutomaior, que se realizou ontem à tarde no Museu da Marinha, em Belém (Lisboa), o advogado afirmou que os americanos ocultaram o paradeiro do paquete ‘Santa Maria’ a Oliveira Salazar, apesar de este considerar o assalto ao navio um acto de pirataria.
Por:Rafaela Pereira
“Tomei conhecimento de um livro 'Eu Roubei o Santa Maria' e fui galgando com gosto, página após página, esse livro. O autor era Jorge Soutomaior”, disse José António Barreiros.
Jorge Soutomaior era o nome de guerra de José Hernández Vázquez. Nascido em 1904 e refugiado em Veneza, Soutomaior formou um movimento de libertação da Galiza e era considerado herói na Guerra Civil espanhola do lado republicano.
O livro revela uma versão diferente do assalto ao paquete ‘Santa Maria’, que ocorreu em 1961, quando o navio foi tomado por ex-combatentes galegos da Guerra Civil de Espanha e dissidentes do Estado Novo. A versão de Henrique Galvão já era conhecida mas com a tradução do livro de Soutomaior o advogado ambiciona que os historiadores descubram a verdade e “quem realmente tem razão”.
Entre os factos históricos revelados neste livro inclui-se a tese de que os americanos sabiam onde se encontrava o paquete ‘Santa Maria’. "Se eles emitiram [sinal de rádio] durante 12 horas seguidas, os americanos podiam encontrar o navio logo na primeira hora”, afirmou Barreiros.
Outros factores reveladores são a desconfiança de Jorge Soutomaior de que havia um traidor a bordo, e de que Henrique Galvão nunca daria verdadeiramente os passos necessários para a independência das colónias portuguesas.
De acordo com o advogado havia uma divisão de tarefas: Soutomaior estava encarregue da tomada e pilotagem do navio e Henrique Galvão era o chefe político da operação. “É aí que surge a génese do conflito. Eles eram dois galos no mesmo poleiro”, acrescentou José António Barreiros, dizendo que o assalto ao paquete ‘Santa Maria’ não foi mais do que “uma aventura política”.