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25 Maio 2012

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Mexia Alves em pé, num barco Sintex, com o qual se chegava ao destacamento de Mato Cão

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A minha guerra

“Portugal desprezou soldados africanos”

Quando a guerra acabou, os homens das forças africanas foram fuzilados, presos ou agredidos pelas autoridades locais

Por:Joaquim Mexia Alves, Guiné (1971-1973)

 

 

"Entrei para a recruta no Quartel de Mafra em Janeiro de 1971, finda a qual fui "escolhido voluntariamente" para me apresentar em Lamego onde fiz a especialidade de Operações Especiais, vulgo, Rangers. Daí fui colocado no Regimento da Serra do Pilar, em Gaia, onde a partir de Outubro de 1971 começámos a preparar o Batalhão, com o qual iria embarcar no ‘Niassa’, a 21 de Dezembro de 1971, rumo à Guiné.

Chegámos e fomos enviados para a ilha de Bolama onde fizemos a IAO, (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional), com vista à adaptação não só ao clima, mas às condições de guerra da Guiné. O meu Batalhão, BART 3873, ficou sediado em Bambadinca (zona leste), e a minha companhia, CART 3492, foi para o aquartelamento mais longe da sede, no Xitole.

Durante os sete ou oito meses da minha estadia no Xitole, tivemos flagelações ao quartel, sem baixas, nem ferimentos entre os militares. Houve uma ou duas emboscadas, sem problemas para as nossas tropas, tendo sido reportadas por informadores algumas baixas no PAIGC.

Fui então enviado para comandar um Pelotão Independente de Africanos, o Pel. Caç Nat. 52, sediado nessa altura na Ponte do rio Udunduma, na estrada Bambadinca/Xime. Era um sítio sem condições de vida, mas onde estive muito pouco tempo e sem problemas. Depois o Pelotão foi colocado no Destacamento de Mato Cão, na margem norte do rio Geba, a meio caminho entre o Xime e Bambadinca, sendo a nossa primeira missão assegurar a navegabilidade desse troço do Geba.

GUERRILHA

As condições de vida eram francamente más: dormíamos em buracos abertos no chão, ladeados de bidons e cobertos de paus de cibo e sem luz. Devo ter estado em Mato Cão cerca de nove meses. Mantivemos uma forte actividade operacional – o melhor "remédio" neste tipo de guerra de guerrilha.

Posteriormente, fui colocado na C. Caç. 15, (Companhias de Africanos), sediada em Mansoa, constituída na sua esmagadora maioria por Balantas, e que fazia operações de intervenção do Batalhão de Mansoa, segurança à estrada em construção de Mansoa/Portogole, e segurança às colunas que passavam para Norte, junto à mata do Morés. Aqui e até ao fim da comissão tive uma actividade operacional muito intensa, com contactos com o inimigo de então, mas graças a Deus sem baixas na nossa Companhia a registar.

CAMARADAS

Regressei a Portugal, em rendição individual, em avião militar em 21 de Dezembro de 1973. Afirma-se, hoje em dia, que a guerra na Guiné estaria perdida militarmente. Não creio. Só motivos políticos justificam tal afirmação. Ainda hoje não esqueço a dedicação e empenho das forças africanas constituídas por guineenses, que honrosamente comandei, e exprimir a minha revolta pelo abandono a que foram votados. Muitos foram fuzilados e outros presos, agredidos, pelas autoridades que tomaram conta da Guiné – desprezados por Portugal.

Quero exprimir a minha revolta pelo ignominioso tratamento dado aos combatentes, não só da Guiné, mas também de Angola e Moçambique, por parte dos governos de Portugal. Há ex-militares que esperam o resultado de processos 35 anos depois do fim da guerra. Se antes como se dizia éramos "carne para canhão", hoje – vivos – somos transparentes.

PERFIL

Nome: Joaquim Mexia Alves

Comissões: Guiné (1971/73)

Força: Rangers

Actualidade: Administrador das Termas de Monte Real, 61 anos, quatro filhos e dois netos

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Comentários a esta notícia
  • Comentário feito por:Machado
  • 04 Agosto 2010

Obrigado Joaquim. Tb tenho essa informação. Os que resistiram a entregar as armas foram fuzilados dentro da caserna onde se refugiaram.Eram amigos e protegiam-nos no mato.Continuo muito machucado com a guerra. ism

  • Comentário feito por:Joaquim
  • 03 Agosto 2010

Para Machado: Cheguei à 15 talvez Julho72, pelo que não substitui essa primeira leva. Os balantas eram excepcionais. As informações são díspares. Mas apontam para algumas mortes a seguir à independência.Um abraço.

  • Comentário feito por:Manuel Gomes
  • 01 Agosto 2010

É bem verdade que as tropas africanas foram entregues aos bichos no pós 25 de Abril. Foi na Guiné, em Moçambique ..., como noutros locais, a avaliar pelas práticas adoptadas e impostas pela idiologia....

  • Comentário feito por:Machado
  • 30 Julho 2010

Olá M. Alves. Pelo que li, foi substituir a primeira "leva" de tugas da CCAÇNAT15 - TAQUE TCHIFE. Estive na 15 desde a sua constituição até Fev/1972. Foi muito mau, mas os soldados eram bons.Sabe o que lhes aconteceu? is

  • Comentário feito por:Lima Rodrigues
  • 19 Julho 2010

Entendo bem a revolta do Mexia Alves por saber que os "seus" soldados africanos foram abandonados à sua (má)sorte.O André Silva não sabe o que é a solidariedade entre combatentes e misturou coisas que nada têm a ver.

  • Comentário feito por:Danny
  • 11 Julho 2010

O exército não foi cobarde.Cobardes foram os políticos como o Mário Soares e companhia.

  • Comentário feito por:Mário Liberato
  • 29 Junho 2010

Coitados.Não sabiam falar brasileiro nem jogar à bola.MAS SOUBERAM SER PORTUGUESES. Não procederam como muitos COBARDES QUE AGORA SE PAVONEIAM PELOS CORREDORES DE S.BENTO E AFINS E DE CRAVO VERMELHO AO PEITO

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 29 Junho 2010

Na Guiné os ex-comandos africanos foram assacinados pelo Nino Vieira,por isso os governantes da altura em Portugal deviam ser julgado em tribunal internaciuonal, por deixar os militares africanoa, serrem assacinados.

  • Comentário feito por:Carlos
  • 28 Junho 2010

Amigo a guerra não presta e m nenhuma das situações por isso, essas coisas acontecem. Também estive em Angola, sei que quando saimos de um determinado sítio , muitos foram abatidos ainda não tinhamos chegado a Luanda.

  • Comentário feito por:Aníbal Augusto
  • 28 Junho 2010

O nosso exército foi cobarde em tudo. Já passou do tempo de se esclarecer tudo e condenar os responsáveis.

Página

  • Comentário feito por:A.Simões
  • 27 Junho 2010

Os militares Africanos evitaram que morressem muitos militares Portugueses e depois foram abandonados à sua sorte!O nosso exercito foi cobarde na sua atitude de os abandonar!

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 28 Junho 2010

100% de acordo com final do artigo do Mexia Alves, os que nos ajudaram, foram abandonados á sua sorte. Também não devemos esqueçer os guias, foram barbaramente assassinados como os meus amigos Quebá e Citafá de Bissorã.

  • Comentário feito por:Aníbal Augusto
  • 28 Junho 2010

O nosso exército foi cobarde em tudo. Já passou do tempo de se esclarecer tudo e condenar os responsáveis.

  • Comentário feito por:Carlos
  • 28 Junho 2010

Amigo a guerra não presta e m nenhuma das situações por isso, essas coisas acontecem. Também estive em Angola, sei que quando saimos de um determinado sítio , muitos foram abatidos ainda não tinhamos chegado a Luanda.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 29 Junho 2010

Na Guiné os ex-comandos africanos foram assacinados pelo Nino Vieira,por isso os governantes da altura em Portugal deviam ser julgado em tribunal internaciuonal, por deixar os militares africanoa, serrem assacinados.

  • Comentário feito por:Mário Liberato
  • 29 Junho 2010

Coitados.Não sabiam falar brasileiro nem jogar à bola.MAS SOUBERAM SER PORTUGUESES. Não procederam como muitos COBARDES QUE AGORA SE PAVONEIAM PELOS CORREDORES DE S.BENTO E AFINS E DE CRAVO VERMELHO AO PEITO

  • Comentário feito por:Danny
  • 11 Julho 2010

O exército não foi cobarde.Cobardes foram os políticos como o Mário Soares e companhia.

  • Comentário feito por:Lima Rodrigues
  • 19 Julho 2010

Entendo bem a revolta do Mexia Alves por saber que os "seus" soldados africanos foram abandonados à sua (má)sorte.O André Silva não sabe o que é a solidariedade entre combatentes e misturou coisas que nada têm a ver.

  • Comentário feito por:Machado
  • 30 Julho 2010

Olá M. Alves. Pelo que li, foi substituir a primeira "leva" de tugas da CCAÇNAT15 - TAQUE TCHIFE. Estive na 15 desde a sua constituição até Fev/1972. Foi muito mau, mas os soldados eram bons.Sabe o que lhes aconteceu? is

  • Comentário feito por:Manuel Gomes
  • 01 Agosto 2010

É bem verdade que as tropas africanas foram entregues aos bichos no pós 25 de Abril. Foi na Guiné, em Moçambique ..., como noutros locais, a avaliar pelas práticas adoptadas e impostas pela idiologia....

  • Comentário feito por:Carlos
  • 28 Junho 2010

Amigo a guerra não presta e m nenhuma das situações por isso, essas coisas acontecem. Também estive em Angola, sei que quando saimos de um determinado sítio , muitos foram abatidos ainda não tinhamos chegado a Luanda.

  • Comentário feito por:Mário Liberato
  • 29 Junho 2010

Coitados.Não sabiam falar brasileiro nem jogar à bola.MAS SOUBERAM SER PORTUGUESES. Não procederam como muitos COBARDES QUE AGORA SE PAVONEIAM PELOS CORREDORES DE S.BENTO E AFINS E DE CRAVO VERMELHO AO PEITO

  • Comentário feito por:Manuel Gomes
  • 01 Agosto 2010

É bem verdade que as tropas africanas foram entregues aos bichos no pós 25 de Abril. Foi na Guiné, em Moçambique ..., como noutros locais, a avaliar pelas práticas adoptadas e impostas pela idiologia....

  • Comentário feito por:A.Simões
  • 27 Junho 2010

Os militares Africanos evitaram que morressem muitos militares Portugueses e depois foram abandonados à sua sorte!O nosso exercito foi cobarde na sua atitude de os abandonar!

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 28 Junho 2010

100% de acordo com final do artigo do Mexia Alves, os que nos ajudaram, foram abandonados á sua sorte. Também não devemos esqueçer os guias, foram barbaramente assassinados como os meus amigos Quebá e Citafá de Bissorã.

  • Comentário feito por:Machado
  • 04 Agosto 2010

Obrigado Joaquim. Tb tenho essa informação. Os que resistiram a entregar as armas foram fuzilados dentro da caserna onde se refugiaram.Eram amigos e protegiam-nos no mato.Continuo muito machucado com a guerra. ism

  • Comentário feito por:Lima Rodrigues
  • 19 Julho 2010

Entendo bem a revolta do Mexia Alves por saber que os "seus" soldados africanos foram abandonados à sua (má)sorte.O André Silva não sabe o que é a solidariedade entre combatentes e misturou coisas que nada têm a ver.

  • Comentário feito por:Machado
  • 30 Julho 2010

Olá M. Alves. Pelo que li, foi substituir a primeira "leva" de tugas da CCAÇNAT15 - TAQUE TCHIFE. Estive na 15 desde a sua constituição até Fev/1972. Foi muito mau, mas os soldados eram bons.Sabe o que lhes aconteceu? is

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 29 Junho 2010

Na Guiné os ex-comandos africanos foram assacinados pelo Nino Vieira,por isso os governantes da altura em Portugal deviam ser julgado em tribunal internaciuonal, por deixar os militares africanoa, serrem assacinados.

  • Comentário feito por:Danny
  • 11 Julho 2010

O exército não foi cobarde.Cobardes foram os políticos como o Mário Soares e companhia.

  • Comentário feito por:Aníbal Augusto
  • 28 Junho 2010

O nosso exército foi cobarde em tudo. Já passou do tempo de se esclarecer tudo e condenar os responsáveis.

  • Comentário feito por:Danny
  • 11 Julho 2010

O exército não foi cobarde.Cobardes foram os políticos como o Mário Soares e companhia.

  • Comentário feito por:Joaquim
  • 03 Agosto 2010

Para Machado: Cheguei à 15 talvez Julho72, pelo que não substitui essa primeira leva. Os balantas eram excepcionais. As informações são díspares. Mas apontam para algumas mortes a seguir à independência.Um abraço.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 29 Junho 2010

Na Guiné os ex-comandos africanos foram assacinados pelo Nino Vieira,por isso os governantes da altura em Portugal deviam ser julgado em tribunal internaciuonal, por deixar os militares africanoa, serrem assacinados.

  • Comentário feito por:Lima Rodrigues
  • 19 Julho 2010

Entendo bem a revolta do Mexia Alves por saber que os "seus" soldados africanos foram abandonados à sua (má)sorte.O André Silva não sabe o que é a solidariedade entre combatentes e misturou coisas que nada têm a ver.

  • Comentário feito por:Machado
  • 30 Julho 2010

Olá M. Alves. Pelo que li, foi substituir a primeira "leva" de tugas da CCAÇNAT15 - TAQUE TCHIFE. Estive na 15 desde a sua constituição até Fev/1972. Foi muito mau, mas os soldados eram bons.Sabe o que lhes aconteceu? is

  • Comentário feito por:Machado
  • 04 Agosto 2010

Obrigado Joaquim. Tb tenho essa informação. Os que resistiram a entregar as armas foram fuzilados dentro da caserna onde se refugiaram.Eram amigos e protegiam-nos no mato.Continuo muito machucado com a guerra. ism

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 28 Junho 2010

100% de acordo com final do artigo do Mexia Alves, os que nos ajudaram, foram abandonados á sua sorte. Também não devemos esqueçer os guias, foram barbaramente assassinados como os meus amigos Quebá e Citafá de Bissorã.

  • Comentário feito por:A.Simões
  • 27 Junho 2010

Os militares Africanos evitaram que morressem muitos militares Portugueses e depois foram abandonados à sua sorte!O nosso exercito foi cobarde na sua atitude de os abandonar!

  • Comentário feito por:Manuel Gomes
  • 01 Agosto 2010

É bem verdade que as tropas africanas foram entregues aos bichos no pós 25 de Abril. Foi na Guiné, em Moçambique ..., como noutros locais, a avaliar pelas práticas adoptadas e impostas pela idiologia....

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