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25 Maio 2012

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Patrulhamento em Belize, no início de 1966. Praticamente todas as patrulhas eram apeadas porque eram feitas em picadas

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A minha guerra

“Passou-me uma rajada por cima da cabeça”

Dormi oito dias debaixo da viatura. Fiquei debaixo de fogo com a arma encravada. Vi um furriel morrer. E só conheci o meu filho aos dois anos.

Por:Manuel Lopes, Angola (1964-1966)

 

 

Embarquei para Angola a 6 de Outubro de 1964. Saí de Santa Margarida por volta da uma ou duas da manhã de comboio. Chegámos a Lisboa, ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos, já tinha amanhecido. Embarcámos no ‘Vera Cruz’. Eu já era casado e a minha esposa estava grávida – o bebé nasceu a 29 de Novembro, estava eu em Angola. Deixei por isso a minha mulher com o receio de não regressar, de não conhecer o meu filho. Nós íamos com os olhos tapados, não sabíamos o que nos esperava. Os nove dias de viagem foram uma desolação.

Desembarcámos em Cabinda, em alto mar. Foi outro martírio. Tínhamos de descer por uma escada lateral para uns batelões. A gente via ali os tubarões à volta. Houve alguns de nós que não conseguiram descer. Esses tiveram de ser ajudados.

SEM CAMAS PARA DORMIR

Já em terra, ficámos o dia todo no cais de Cabinda à espera e só de noite vieram umas viaturas buscar-nos. Fomos para o quartel de Malembo. Alguns de nós – eu inclusive – ficámos oito dias a dormir debaixo das viaturas, só depois vagaram camas na rendição das tropas. Estivemos ali dez meses.

Fomos depois para Belize. Ficámos instalados na fazenda Alzira da Fonseca. Foi nesta região que sofri o primeiro ataque: duas horas debaixo de fogo. Tínhamos ido fazer um patrulhamento. Aquilo era mata virgem. E nós já nem sabíamos onde estávamos. Levávamos rações de reserva para três dias e já íamos no quinto dia. Ficámos também sem transmissões na zona onde estávamos.

Ao quinto dia, de manhã, caminhámos durante uma hora ou hora e meia até que conseguimos encontrar um ponto de referência. Finalmente também já tínhamos comunicações e pedimos para que as viaturas nos fossem buscar.

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Comentários a esta notícia
  • Comentário feito por:E. Carreira
  • 26 Fevereiro 2012

Quando em zona de guerra as G3 são levadas ao ombro como cajados, não admira que haja mortos. Comandei um grupo de combate que em Angola teve unicamente um ferido porque estes abandalhanços não eram permitidos.

  • Comentário feito por:E. Carreira
  • 26 Fevereiro 2012

Quando em zona de guerra as G3 são levadas ao ombro como cajados, não admira que haja mortos. Comandei um grupo de combate que em Angola teve unicamente um ferido porque estes abandalhanços não eram permitidos.

  • Comentário feito por:E. Carreira
  • 26 Fevereiro 2012

Quando em zona de guerra as G3 são levadas ao ombro como cajados, não admira que haja mortos. Comandei um grupo de combate que em Angola teve unicamente um ferido porque estes abandalhanços não eram permitidos.

  • Comentário feito por:E. Carreira
  • 26 Fevereiro 2012

Quando em zona de guerra as G3 são levadas ao ombro como cajados, não admira que haja mortos. Comandei um grupo de combate que em Angola teve unicamente um ferido porque estes abandalhanços não eram permitidos.

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