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Segunda opinião

Desafio à coragem

Numa conferência recente proferida no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, a economista Margarida Proença, Vice-Reitora da Universidade do Minho, traçou um quadro sombrio da nossa situação.

  • 21 de Março 2013, 01h00
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Por:Rui Pereira, Professor Universitário




Apoiada em dados credíveis, comunicou que as crises que se prolongam por mais de cinco anos (como a atual) só são ultrapassadas, em média, vinte e três anos depois. Pelo meio, apresentou duas exceções: duas crises foram superadas mais rapidamente, através de guerras. Entre a exceção e a regra, a escolha não poderia ser mais dramática.

Vinte e três anos implicam várias gerações sucessivas, envolvendo muitas pessoas que viverão no século XXII. Por isso, não se trata de sacrificar uma só geração, como afirmou Vítor Gaspar. Mas mais grave ainda do que o número de pessoas sacrificadas é a falta de esperança no futuro. Como chegaremos, ao fim desses vinte e três anos, à terra prometida? Uma leitura simples da realidade política diz-nos que o Governo crê que o único caminho é a política de austeridade, com os consequentes arrastamento da recessão e aumento do desemprego.

Todos sabemos que não há milagres. Porém, há diversas abordagens possíveis para enfrentar a crise e, ao contrário do que alguns sugerem, continua a existir um espaço para a escolha de políticas públicas. Mas é manifesto que só nos interessa agora uma perspetiva que assuma como prioritária a luta contra a recessão e o desemprego, em benefício do crescimento económico e do Estado social. Não há tabus nem interesses que possamos sobrepor a estes objetivos, sob pena de deixarmos às gerações futuras um Portugal irremediavelmente pobre e atrasado.

Para além da renegociação da dívida (quanto a prazos e juros), devemos pôr hoje em cima da mesa o seu perdão parcial. A Alemanha, hoje tão orgulhosa da sua economia e das suas finanças públicas, compreenderá decerto do que se trata, visto que beneficiou de um perdão de metade da dívida no pós-guerra, em 1953, numa eloquente manifestação de generosidade dos vencedores – e não no quadro panfederal em que vivemos, no qual a coesão entre os Estados constitui objetivo central. Se isso não suceder, estarão em causa o euro e o próprio projeto europeu.

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