A segunda emenda à Constituição norte-americana, introduzida em 1791, estabelece que "o direito dos cidadãos de guardar e transportar armas não deve ser infringido". Mais de duzentos anos depois, em 2008, o Supremo Tribunal Federal só admitiu, no caso Columbia v. Heller, que o acesso a armas seja excluído a doentes mentais e cadastrados e que o seu uso esteja vedado na proximidade de instalações sensíveis, como as escolas.
Ao abrigo desta norma anacrónica e perigosa, um perturbado estudante de neurociência, James Holmes, encomendou seis mil balas pela internet, comprou uma espingarda de assalto semi-automática, uma espingarda Remington e duas pistolas Glock, armadilhou a residência com explosivos e foi "assistir" à estreia do "Regresso do cavaleiro das trevas". Doze mortos e cinquenta e oito feridos mais tarde, o Presidente Obama questionou, com pertinência, se as armas devem ser vendidas assim. Entretanto, no Estado do Colorado a venda de armas subiu 41%.
Ninguém pode garantir que em Portugal nunca se verificará um massacre desta dimensão. É certo, porém, que a nossa Lei das Armas não permite a aquisição por particulares das armas que o jovem Holmes adquiriu, incluindo uma espingarda capaz de debitar sessenta balas por minuto. E mesmo no caso de armas de defesa, com características muito diferentes, a nossa legislação faz depender a concessão de licença (renovável) de requisitos de idoneidade e necessidade, da frequência de um curso ministrado pela PSP e de exames de aptidão física e psíquica.
Fazendo parte da nossa natureza uma crónica falta de auto-estima e a tendência para a crítica destrutiva, é bom saber que neste aspecto as nossas leis são mais perfeitas do que as aprovadas por uma democracia com tantos pergaminhos como a norte-americana. Até para não cairmos na tentação de amanhã, seduzidos pelo canto de sereia de uma National Rifle Association doméstica, esquecermos que as armas em geral e as "armas de guerra" em particular devem estar concentradas nas mãos de quem nos defende: as Forças de Segurança e as Forças Armadas.
o direito a propriedade privada ,assim como o uso e porte de arma,sao pilares da democracia,na antiga grecia o que distinguia o escravo de um homem livre,era a arma que este ultimo portava !