Opinião
Jardim murcho
O maior obstáculo de Jardim é o próprio Jardim. Convém que a Madeira não tropece antes da meta
Por:Paulo Pinto Mascarenhas, Jornalista
O resgate financeiro assinado por Alberto João Jardim poderá ficar na história como o princípio do fim da carreira política do presidente do Governo Regional da Madeira. Depois de mais de três décadas de vacas gordas alimentadas a palha de ouro pelos contribuintes e pela União Europeia, vamos finalmente saber como é que Jardim consegue conviver com um regime rigoroso de vacas magras.
Um artigo na revista ‘Sábado' desta semana avança com vários cenários possíveis numa Madeira independente, a propósito da última de muitas tiradas separatistas de Alberto João contra os ‘cubanos' do continente. A frase do presidente madeirense é de Setembro de 2011: "Portugal vai ter de resolver os problemas do continente e dos portugueses da Madeira, porque se há dois países [a Madeira e o continente], então dêem--nos a independência."
Alberto João habituou-nos a todos - portugueses do continente, Madeira e Açores - a este tipo de frases infelizes. Seriam cómicas se não fossem trágicas para os orçamentos do Estado e parte integrante de um jogo do gato e do rato com os governos de Lisboa. A independência da Madeira iria reduzir em cerca de 30% o nível de vida médio dos madeirenses. Mais: 34% das receitas da região têm origem nas transferências do Estado (21%) e da UE (13%).
No caso de Alberto João, os números dizem mais do que mil palavras: a dívida da Madeira - 6328 milhões de euros - representava, ainda no final de 2011, 123% do Produto Interno Bruto do arquipélago e 927% da sua receita fiscal anual. Como o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou em Setembro do ano passado, quase metade da dívida (47%) foi contraída por empresas públicas regionais. O Estado no Funchal tem sido um gigantesco centro de emprego.
Anteontem, depois de um encontro com Passos Coelho, Jardim mandou dizer aos jornalistas que "o acordo é duro mas exequível" e que "vai ser uma corrida de obstáculos. Daqui a quatro anos, vamos ver se é a República que ganha ou a Madeira". A imagem da corrida de obstáculos não deixa de ter alguma correspondência com a realidade. O problema é que o maior obstáculo de Jardim é o próprio Jardim. Convém que a Madeira não tropece antes da meta.
Aplaudir a ministra? Se tem motivos para o fazer, faça-o. Terá com certeza poucos arautos da desgraça que o acompanhem em tão "nobre" gesto. Esta senhora é uma nódoa como muito bem disse o Senhor Bastonário Marinho Pinto